O Coração Compassivo de Bhakti Vinod Thakur

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foto: saintsalive.net

Por Sripad Bhakti Kamal Tyagi Maharaj, 2017

O aparecimento de Srila Bhakti Vinod Thakur é sempre uma ocasião muito feliz. Escutamos que Srila Saraswati Thakur instruía que a prasadam neste dia devia ser oferecida a partir de 8 hs da manhã e durante todo o dia. Ele queria uma grande celebração, queria todo mundo feliz nesse dia. Ele tinha uma convicção intensa nele. Ele sentia e dizia que qualquer pessoa que viesse a sentir a menor apreciação, inspiração, a capacidade de admirar Bhakti Vinod Thakur, ele estava pronto para correr e servir estas pessoas, vir derramar sua gentileza sobre elas.

Nesse livro que Srila Gurudev compôs, Paramārtha-dharma-nirṇaya, ele menciona isso na introdução: “Estamos aqui publicando alguns trechos dos escritos de Srila Bhakti Vinod Thakur, e estamos confiantes que ao fazermos isso, que é dar às pessoas mesmo um pequeno gosto introdutório a estes escritos, que isso vai extrair alguma apreciação por ele, deles, e então será certo que eles conseguirão a misericórdia de Srila Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur.”

E qual era a convicção extrema de Saraswati Thakur? Escutamos Guru Maharaj contar que uma vez um homem veio combatendo um ponto feito por Bhakti Vinod Thakur, e Saraswati Thakur ficou muito grave, e pegou a tulasi mala, e falou: “Com essa tulasi mala em minhas mãos eu juro a você que o que Bhakti Vinod Thakur falou é a verdade. E vai acontecer.” E com tal convicção ele falou sobre algo que iria acontecer no futuro. Ele realmente o via como o Rupanuga-vara: ou o melhor dos Rupanugas. Alguém que veio e realmente mostrou o que é ser um Rupanuga.

Há uma conhecida glorificação a Bhakti Vinod Thakur feita por uma proeminente personalidade de seu tempo, chamado Srila Kumar Gosh, que era um apreciado escritor e intelectual da sociedade àquela época, e em um encontro memorial em homenagem a Bhakti Vinod Thakur após sua passagem, ele o chamou de o 7º goswami, saptam goswami, e depois isso foi repetido por muitos.

Mas escutamos de Srila Gurudev o que ouso dizer que é um declaração melhor: não é que Bhakti Vinod Thakur é o 7º goswami, mas que ele é a forma combinada de todos os Goswamis: nele encontramos o trabalho de Kaviraj Goswami, de Narottam Thakur, de Jiva Goswami, Rupa Goswami, Sanatan Goswami, Das Goswami. Vemos na vida dele as funções, as contribuições de todos eles combinadas. Alguém que veio no momento da maior necessidade: abhyutthānam adharmasya (Bg 4.7), quando adharma está cobrindo a sociedade, dharma-samsthapanarthaya (Bg 4.8) então o Senhor manda Seus associados para restabelecer completamente o dharma.

E Guru Maharaj dá uma descrição muito legal disso em seu Bhakti Vinod Viraha Dasakam, dizendo que quando Bhakti Vinod Thakur apareceu qual era a condição da sociedade? E ele deu alguns indicativos: que as pessoas faziam caridade e filantropia apenas para adquirir pratishta para si próprias, pessoas que executavam austeridades, e tentavam adquirir poderes sutis apenas para ter poder de inimigo sobre os outros, pessoas engajadas em japa, ou outras práticas de devoção apenas para provar suas próprias conquistas e habilidades, como um ginasta. Yoga era executado apenas para o bem-estar da saúde. E um grande indicativo de degradação da sociedade é que o yoga seja executado para a saúde. E o pior de tudo, que ele diz, é que em nome de raga-bhajan, adultério e tantos outros atos baixos eram executados. Nessa época, também, a liderança da sociedade, os intelectuais da sociedade, eles mesmos estavam confusos sobre como resolver as coisas, sobre o que realmente era certo. Uma coisa é se a noção do padrão, do que é certo e errado está clara, e as pessoas desobedecem-no. Mas um problema muito maior é quando a ideia do que é padrão, ela mesma está degradada. Então o que se fará? As pessoas pensam que estão corretas, e fica tudo muito mais difícil.

Então Bhakti Vinod Thakur nasceu no meio dessa bagunça. E sua tarefa era mostrar ao mundo que o que tinha se tornado uma coisa desprezível na sociedade bengali, um assunto para os bandoleiros, que a origem daquilo era de fato a forma mais elevada e digna de cultura espiritual.

Pegar o que está na rua, e está sendo feito por pessoas consideradas marginais, e mostrar que estas coisas são as mais elevadas. Essa foi a tarefa dele. E quando você pega tal tarefa é como começar uma revolução cultural, restabelecer a dignidade de algo. E isso é mais difícil do que fazer algo novo. Como se diz, é mais difícil ensinar alguém que acha que sabe fazer algo, do que alguém que não sabe mesmo.

Então quando as pessoas já têm esses equívocos, essas ideias estereotipadas, vir e mudá-las, isso é muito difícil e requer a mais alta dignidade, a mais alta pureza de caráter, e uma convicção extrema.  E Bhakti Vinod Thakur foi bem sucedido, e com seus escritos, sua propagação, sua organização social, por ele ter usado seu magistrado como uma alavanca na sociedade,  ele inspirou um grande movimento, que agora está espalhado por todo o mundo. E ele inspirou as pessoas a tomarem esse caminho em meio a grandes obstáculos, a grandes oposições.

Bhakti Vinod Thakur nas palavras de Gurudev tinha um humor e estilos sempre educados, ele era muito gentil e tinha uma natureza boa em suas relações, mas ao mesmo tempo ele nunca hesitou em falar o que era a verdade. Como o exemplo que Gurudev contou de Puri, quando ele se encontra com um sadhu socialmente reconhecido à época, que se dizia representar os Gaudiya Vaishnavas, mas que era um tipo de sahajiya, e Srila Saraswati Thakur desde criança tinha feito o voto de nunca se aproximar 100 pés de um sahajiya. E uma dia essa pessoa veio falar com Bhakti Vinod Thakur. E Bhakti Vinod Thakur sempre falando a verdade com ele, mas de maneira gentil. Porém o estilo de Saraswati Thakur não era esse, ele nem interagia com essas pessoas. E quando ele veio para seu dandavat a seu pai, ele ofereceu o dandavat de longe. O convidado sentiu o brilho de Srila Saraswati Thakur, e perguntou por que o menino não veio prestar sua reverência mais perto. A resposta foi direta: “Ele fez o voto de não se aproximar 100 pés de um sahajiya, e você é um pakva sahajiya.” Ele era gentil, doce, mas falava a verdade. Esse era seu estilo. Em escrita ele era muito agudo, ele fazia seus pontos de maneira forte, mas racionalmente, estável, de fácil compreensão. Quando o leem, as pessoas pensam: “que homem legal, sábio.” Mas se seguem o pensamento dele chegam a uma conclusão muito aguda!

Gurudev dizia que a corrente que ele trouxe ao mundo, a Rupanuga-dhara, é comparável ao Ganga e ao Saraswati. Sabemos que para puja tudo é purificado com água do Ganges antes de ser oferecido, então, a função do Ganges é essa: purificar tudo que for oferecido ao Senhor. Os ensinamentos de Bhakti Vinod Thakur, inspirados no princípio de yukta-vairagya, que é ver tudo em conexão e a serviço de Krishna, ver que tudo pertence a Krsna. Com essa compreensão das coisas, assim ele purificou o ambiente.  Em particular em seu Saranagati ele ensina como ver a família, a casa, a ocupação, as obrigações convencionais de uma maneira espiritual, mais ou menos como Nyasi Maharaj se referiu. E ao adotar esse humor de uma alma rendida, aplicando o princípio de yukta-vairagya, então tudo se torna puro. À medida que se for sincero, todos os engajamentos se purificam.

Como o Ganges ele espalhou essa pureza pelo mundo, e como o Saraswati, que é conhecido como aquele que pode revelar a mensagem, ou a descrição clara das coisas. Saras significa palavras, ou fala, wati, aquela que carrega. Então aquele que carrega as palavras, e expressões. A função de Saraswati é comparada com a transmissão da compreensão mais alta, da mensagem refinada. Como o Saraswati ele veio e bateu o oceano de leite das escrituras produzidas por Vedavyas, e ele produziu e distribuiu livremente a manteiga de Krishna-prem. Se todos os sastras são como leite, ele bateu isso e distribuiu a manteiga. Manteiga não é algo barato, mas algo que se consegue com muito trabalho. Ele fez esse trabalho e fez uma distribuição muito liberal dessa substância refinada.

E como ele fez isso? Guru Maharaj escreveu um verso resumindo isso:

guru-daṁ grantha-daṁ gaura-dhāma-daṁ
nāma-daṁ muda bhakti-daṁ bhūri-daṁ
vande bhakti-vinodakaṁ sadā [8]

guru–do mestre espiritual; dam–doador; grantha–das escrituras; dam–doador; gaura–de Śrīman Mahāprabhu; dhāma–a morada; dam–doador; nāma–do Nome; dam–doador; mudā–felicidade; bhakti–da devoção; dam–doador; bhūri–abundância; dam–doador; vande–Eu ofereço minha reverência; bhakti-vinodakaṁ–Śrī Bhakti Vinod Ṭhākur; sadā–sempre. [8]

“Eternamente com alegria nos curvamos a Bhakti Vinod Thakur, porque ele nos deu Guru, grantha, Gaura-dham, Nam, bhakti, e muito mais, bhūri-daṁ.”

Ele é realmente um bhūri-dā janāḥ, essa frase que é a frase favorita dos Gaudiya Vaishnavas, que vem a nós de uma expressão muito refinada do Bhagavatam [10.31.9], dos lábios de nada menos que as gopis de Vrndavan.

tava kathāmṛtaṁ tapta-jīvanaṁ
kavibhir īḍitaṁ kalmaṣāpaham
śravaṇa-maṅgalaṁ śrīmad ātataṁ
bhuvi gṛṇanti ye bhūri-dā janāḥ

[“Ó Krishna, estamos sempre sofrendo neste mundo, mas apenas por ouvir o néctar de Suas palavras e Passatempos nos dá vida. E o efeito colateral disso, ele remove todas as nossas reações pecaminosas. Esse tipo de audição é auspiciosa e nos enche de riqueza espiritual. Aqueles que entregam esta mensagem da personalidade de Deus estão fazendo o mais alto trabalho de socorro para a sociedade humana e são, na verdade, os maiores humanitários.”]

bhūri significa abundância, aquele que distribui algo em abundância. bhūridāḥ, ou bhūri-dā janāḥ, alguém que distribui algo em abundância, ou que dá um presente muito abundante. Então aqui se diz que aquele que é para ser apreciado como um bhūri-dā janāḥ, a pessoa mais magnânima, que é a pessoa que distribui Krsna kathāmṛtaṁ, que nos dá o néctar da fala de Krsna, que nos dá alguma consciência de Krsna,  essa consciência de Krsna sendo amrta para aqueles que estão sofrendo. Que dá o prospecto da imortalidade para aqueles que estão encarando a mortalidade. O prospecto do alívio para aqueles que estão sofrendo.

E é kavibhir īḍitaṁ [pelos intelectuais] īḍitaṁ [descrito]: algo que foi expresso e adorado por todos os grandes poetas, intelectuais, pessoas de pensamento refinado. E kalmaṣāpaham: algo que pode remover, não apenas nossas reações pecaminosas, mas nossa tendência a pecar. Esse tipo de néctar, de remédio pode remover ambos: as consequências prévias de nossas ações, e a tendência a se engajar na direção errada. Isso pode aliviar o sofrimento presente, futuro e o passado. śravaṇa-maṅgalaṁ śrīmad ātataṁ: nos traz a maior fortuna. Apenas por escutar, a fortuna espiritual mais elevada pode ser conquistada. śrīmad ātataṁ: completamente cheio de beleza divina.

O verso pode ser explicado de várias maneiras, mas a pessoa que dá Krsna-katha ao mundo, essa pessoa é um bhūri-dā janāḥ. E não apenas Krsna-katha, mas em sentido mais amplo, o néctar da consciência de Krsna. Essa pessoa é um bhūri-dā janāḥ. Bhakti Vinod Thakur é essa pessoa, que nos deu esse Krsna-katha. Mas de uma maneira grandiosa. Não apenas o katha por si.

Claro que ele deu katha em seus escritos, mas mais do que isso, ele nos deu o lugar definitivo para cultivar esse Krsna-katha, Sri Nabadwip Dham, o lugar dos Passatempos de Mahaprabhu. Ele nos deu Guru, o representante, o falante desse Krsna-katha, a pessoa que pode demonstrar esse poder, essa dignidade, completamente. Ele não deu apenas a mensagem, mas deu o mensageiro.  Isso é muito significante.

Hoje em dia vemos isso. A diferença entre ter o produto e vender o produto. Vemos isso em nossa vida moderna. Hoje é muito fácil produzir, mas há a dificuldade de vender e fazer a propaganda. As pessoas gastam mais tempo com a propaganda do que com a produção. Entrar em sintonia com o mercado e fazer as pessoas apreciarem seu produto é o mais difícil.

Bhakti Vinod Thakur fez isso, ambas essas funções ele apresentou na forma escrita e em seu exemplo de vida essa mensagem de maneira muito sólida. E ao mesmo tempo ele introduziu a organização de um mecanismo que traz isso às pessoas.

E mais e mais importante, ele fez o mensageiro representante, que levaria de porta em porta, que se preocuparia com que isso fosse espalhado por todo o mundo na forma de Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur. Por isso Guru Maharaj coloca em primeiro lugar na lista dos presentes de Bhakti Vinod Thakur: Guru-dam. Ele deu o Guru.

E tristemente Guru Maharaj fez um verso especificamente sobre isso, mas que não temos nenhuma documentação dele, talvez algum dia o encontremos. Me lembro uma vez sentado com Gurudev e ele tentando se lembrar desse verso. Ele se lembrava das primeiras palavras. Mas nesse verso Guru Maharaj compara Bhakti Vinod Thakur a Vedavyas, e Sukadev Goswami a Srila Saraswati Thakur. Sukadev Goswami, brahmachari de nascimento, renunciado, mensageiro da mais elevada mensagem. Saraswati Thakur, brahmachari desde o nascimento, estrito, renunciado e perfeito transmissor da mensagem.  Vedavyas: escritor, grhasta. Bhakti Vinod Thakur: escritor, grhasta.

Como Gurudev disse, Vedavyas gostava da floresta, da vida simples, e Bhakti Vinod Thakur também. Em seu Sharanagati, ele advogava a vida de grhasta, e um cultivo modesto da consciência de Krsna. Mas como Sukadev Goswami veio e deu preferência total ao interesse absoluto, ignorando todos os interesses relativos, Saraswati Thakur veio e disse: “Nós não temos tempo para mais nada. Temos que utilizar toda nossa energia em sua máxima eficiência por essa causa absoluta. E deixe as circunstâncias relativas se ajustarem por si.” Ele queria esse estilo ativo revolucionário. Dessa maneira o paralelo entre Vedavyas/Sukadev, e Bhakti Vinod Thakur/ Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur.

E em particular também ele deu Nabadwip Dham. Sabemos todos da pesquisa, dos vários sonhos e eventos extraordinários, e indicações divinas que ele recebeu, e que o permitiram encontrar o lugar de nascimento de Mahaprabhu e também compor Sri Nadabdwip-dham-mahatmya, nos explicando todos os lugares de Nabadwip Dham.

E seguindo isso, pela organização de Srila Saraswati Thakur e depois por Srila Gurudev, os devotos estão engajados no parikrama, se engajam em ir por todos esse lugares, para a satisfação de Mahaprabhu e Nityananda Prabhu  engajados em Hari-Nam-sankirtan e em Hari-katha de manhã até à noite,  e são dias muito alegres, todos os anos.

E isso também se torna o centro de onde os ensinamentos de Mahaprabhu foram espalhados para todo o mundo. E essa era a visão de Bhakti Vinod Thakur, e essa visão dele, podemos dizer, da distribuição dos ensinamentos de Mahaprabhu, ele viu que ele iria espalhar isso a priori , um termo usado por Kant em filosofia, se vocês são familiarizados com estas coisas. Entender algo a priori significa que simplesmente pela natureza da coisa, antes de se considerar o contexto ou a circunstância em que se está você já pode saber o ato, ou alguma função que aquilo irá exercer.  A propriedade das coisas já fala por ela. Isso é saber algo a priori.

A visão de Bhakti Vinod Thakur foi que ele utilizou essa frase: prema-dharma. Prema-dharma é tal que quando as pessoas podem ver que o ideal mais elevado de todo o dharma, da religião é amor puro altruísta. E não é por alguma entidade ilusória, mas pela Suprema forma original do Ser Supremo, um princípio que é tão completo, tão auto evidente em caráter, que tem o potencial de tal satisfação para todo ser vivente, em detrimento de ninguém,  que necessariamente será apreciado por todas as pessoas inteligentes. Por todas as pessoas de pensamento claro, ela deve ser apreciada como a ideia mais refinada de dharma, a ideia mais refinada de yoga, de religião, ou o que quer que você queira chamar isso. Então é apenas uma questão de tempo, para que todas as pessoas por todo o mundo escutem e venham abraçar isso. Essa era a visão dele: “Simplesmente olhe o conceito, e assim deve acontecer.” O ambiente político, social, nós não nos importamos com isso. Isso tem seus altos e baixos como sempre. Mas olhe esse conceito, assim que ele for conhecido pelas pessoas, qualquer uma livre de preconceito irá automaticamente aceitá-lo. E estamos vendo isso.

Mas Srila Gurudev mencionou: “Nós escutamos esse tipo de declaração de Bhakti Vinod Thakur, e nós acreditamos nela, mas não esperávamos que isso acontecesse, e que testemunharíamos estas coisas. Pensávamos que sim, um dia isso iria acontecer. Mas eu vi, no meu tempo de vida que tal processo aconteceu, e em tal ritmo, que isso é um milagre total para mim.”

Como Guru Maharaj descreveu, isso é o que Bhakti Vinod Thakur viu com seus olhos divinos. Então se conseguirmos ser alguma partícula minúscula nessa visão de Bhakti Vinod Thakur, se conseguirmos ser de alguma maneira engajados como algum instrumento em qualquer escala para de alguma maneira aumentar a realização dessa visão, esse é o cumprimento de nossas vidas. Ter qualquer tipo de conexão, naquilo que Saraswati Thakur chamou de Bhakti Vinod parivara, a família estendida de Bhakti Vinod Thakur. Todos que vieram escutar o que ele descreveu no Sharanagati, ou que ele sistematicamente delineou no Chaitanya-siksamrta, Jaiva-dharma, Dasa-mula-tattva, e outros lugares. E virmos a aspirar, a realizar, que o ideal que ele deu no prema-dharma, esse é o cumprimento de nossas vidas. Nós sentimos isso naturalmente, diretamente, automaticamente. E isso nos energiza a cada dia a nos engajarmos em nosso serviço a nosso Gurudev, aos Vaisnavas, e a compartilhar isso com as pessoas do mundo. E nos sentimos tão perto de Bhakti Vinod Thakur. Quando lemos seus escritos, ele está ali! Ele esteve ali com tal atenção, com tanto cuidado compondo estas coisas noite após noite. Um sentimento muito doce, ver quanto cuidado ele teve em se certificar que vamos entender, sentir o que ele escreveu. É um derramamento de compaixão e genialidade ao mesmo tempo. E Bhakti Vinod Thakur quis fazer isso em grande escala. Ele adquiriu uma impressora e começou o Sajjan-tosani. Ele assumiu as conveniências da sociedade para espalhar estas coisas.

Bom, muitas coisas podem ser ditas: guru-daṁ grantha-daṁ gaura-dhāma-daṁ nāma-daṁ, o presente do Santo Nome que ele deu, a maneira como Bhakti Vinod Thakur cantava, também escutamos que Guru Maharaj contou outra passagem em que um devoto que escutou que Bhakti Vinod Thakur poderia falar de maneira muito bela sobre o Santo Nome, e veio e disse: “Queremos escutar de você sobre a glória, sobre o poder do Hari-Nam.” E aquilo mexeu muito com Bhakti Vinod Thakur, sua voz começou a vacilar, e aquele devoto depois se lembrou que todos os sintomas de êxtase divino descritos nas escrituras, no Chaitanya-charitamrta, e que foram sentidos por Mahaprabhu quando Ele cantava o Santo Nome, nós observamos todas estas coisas na forma de Bhakti Vinod Thakur.

E esse exemplo é descrito na última canção do Sharanagati, Śrī Nāma-Māhātmya, e tem uma gravação de Guru Maharaj falando sobre ela, que está na conclusão do A Busca Por Sri Krsna. E a canção começa com kṛṣṇa-nāma dhare kata bala, quanto poder há no Nome de Krsna. Depois ele diz, karṇa-randhra patha diyā, hṛdi mājhe praveśiyā, entrou pelo meu ouvido e foi derramado em meu coração. Esse néctar do Santo Nome, comparado à chuva  em um deserto seco. E então a linha que Gurudev sempre recitava: hṛdaya ha-ite bale, jihvāra agrete chale, pela força o Nome vem do meu coração e vai para a ponta da minha língua. śabda-rūpe nāche anukṣaṇa, e então continua a dançar aí na forma do Nome. E esse som é o suddha-Nam, o Santo Nome. Esse Nome que vem à força, faz a língua cantar. Ele fala da grandeza do Nome. O efeito de se cantar o Santo Nome.  E então ele segue descrevendo os vários sintomas que ele sente com o Nome que por fim ele chama de upadrava, um grupo de sintomas que são como uma devastação, que estas coisas vieram com tal intensa força que desnortearam meu corpo, que agora está no chão, pálido, perspirando, os pelos arrepiados, e o corpo não consegue resistir a essa intensa voltagem. Como quando vemos uma força excessiva passando por algo então há algumas explosões, faíscas, e depois fica queimado. Isso o que ele diz, que não consegue suportar estas coisas. kṛṣṇa-nāma ichchhā-maya, yāhe yāhe sukhī haya, sei mora sukhera sambala, por fim Krsna, os Nomes de Krsna, são extravagantes, Ele se move de acordo com Seu desejo, não o meu e nem o de ninguém mais. E se isso é a maneira pela qual o Nome de Krsna deve ser satisfeito, que assim seja. Devo aceitar isso como a base de minha satisfação. A satisfação do Nome seja a minha satisfação. Em outras palavras, que o Nome faça o que quiser comigo. Se Ele quer me sobrecarregar, vir com tal força que meu corpo não suportará, então que seja assim.

E por fim ele conclui todo o Sharanagati assim: se você pode se render dessa maneira, como descrito em todo o livro, então o resultado, Bhakti Vinod Thakur dá o descenso do Santo Nome como influência. Porque nos é dito na Rupanuga sampradaya que nossa aproximação do divino é estritamente nessa sequência: Nam, Rup, Guna, Lila. Que uma conexão substancial com o divino será sempre nessa sucessão. Primeiro o Nome, então a Forma, então a Qualidade, e depois o Passatempo. E Saraswati Thakur é cortante a esse respeito. Assim ele fez o Prakrta-rasa-sata-dusani, dizendo que qualquer um que clama ter experimentado Rupa, Guna ou Lila, sem ter primeiro experimentado suddha-Nam, são todos sahajiyas. Isso nunca vem em nenhuma outra ordem. Nunca é que primeiro vem o Lila, então vem o Nome. O Senhor sempre descende gradualmente. Primeiro em sua conexão mais remota, depois gradualmente em conexão mais intensa. Então geralmente falando, o ponto mais remoto de contato é através do Hari-Nam.

Se tomamos o caminho de sharanagati, o caminho da devoção pura, e chegamos a ter conexão com Krsna, onde isso começará? Isso começará com Hari-Nam, com a experiência total do Nome puro. E aí em seguida, estas outras coisas mais elevadas devem vir. Mas Bhakti Vinod Thakur conclui o Sharanagati apenas descrevendo o descenso do Santo Nome. Apenas descrevendo o poder do Santo Nome. E isso é o suficiente! Que tipos de sentimentos vêm em conexão com Rup, Gun, nem é necessário descrever. Apenas a intensidade incrível, a maravilha de se ter uma experiência real do Nome puro, isso é tão grandioso, tão elevado. Isso é muito, mais do que suficiente para indicar para onde devemos direcionar nossa aspiração. Então ele conclui Sharanagati descrevendo isso, e descrevendo as influências que o Nome puro tem sobre seu corpo, seu coração, sobre sua mente. E a rendição dele a isso. “Que a Sua felicidade seja a minha felicidade”, isso está no Sharanagati, essa é a conclusão do Siksastakam.

E por fim ele disse, como Guru Maharaj notou, não me lembro do sloka agora, mas o significado é que tendo passado pela experiência, e tendo sentido que o Hari-Nam é exatamente o que é descrito sobre Ele, e ele então se refere ao verso que Mahaprabhu disse:  nāma chintāmaṇiḥ kṛṣṇaś, chaitanya-rasa-vigrahaḥ (Sri Bhakti-rasamrta-sindhu: Purva-vibhaga, 2.233), que o Santo Nome é uma joia que satisfaz os desejos, é uma forma divina de Krsna Ele mesmo. Não diferente de quem Ele nomeia, puro, eterno, liberado. É dito que o Nome é isso, e por fim eu senti que: “Sim! Sem dúvida Ele é assim! Completamente! E mais satisfatório do que jamais poderíamos imaginar!” E por fim ele diz: “Então sentindo e sabendo agora que o Santo Nome é exatamente isso, então deixe-me morrer no esforço de remover os obstáculos ou ofensas que surgem com o cantar desse Santo Nome nesse mundo, tanto para mim quanto para os outros. Em outras palavras, esse gosto do Santo Nome é tão bom, que estou pronto para sacrificar minha vida para que qualquer outra pessoa sinta isso também. Essa intensidade de sacrifício, nos é dito, é o efeito do cantar do Santo Nome. Que sentindo tal gosto com o Santo Nome, a pessoa sente como se, em primeiro lugar ela não pode resistir a Ele, segundo que é muito além de qualquer coisa que se possa possuir, e terceiro que é tão satisfatório que dá um desejo irresistível de compartilhar com outros a ponto de deixar sua própria oportunidade para que outra pessoa possa experimentar isso. Tal sentimento intenso.

E Guru Maharaj fez uma observação muito legal sobre esse ponto, porque a palavra que Bhakti Vinod Thakur usa, é balai, que não é uma palavra comum em bengali. Uma vez eu estava dando uma aula em Bengal, e me referi a esse verso, e outros de Bhakti Vinod Thakur em que ele usa essa palavra, e um devoto antigo, que vem sempre ao Math, no final da aula me perguntou que palavra era essa, balai, que nunca tinha escutado. Então apenas com essa indicação podemos entender que não é uma palavra facilmente compreensível. E eu também tinha uma questão, sobre o real significado dela. Então escutei em uma aula Guru Maharaj explicando tão bem. Bālāi, em geral no dicionário significa algum obstáculo, impedimento. Mas o que ele explica é que balai se refere a bala, ou uma criança e algo que vem prejudicá-la quando ela ainda não pode cuidar de si. Isso é balai. Então perigo, impedimento. Coisas que uma pessoa não é capaz de compreender o significado delas, e  mesmo assim prejudicam-na. E aí é a obrigação dos outros virem e te resguardar disso. Então ele compara todos os tipos de Nam-aparadh a isso, em outras palavras coisas que as crianças lutam e ficam suscetíveis. Mas que os maduros, os sábios, tiram de letra.

“Então que eu possa remover esses elementos da vida das pessoas.” Isso ele sentia. Gurudev também comentou que às vezes Bhakti Vinod Thakur chorava e implorava para Deus: “Como você pode deixar as pessoas desse mundo assim? Por favor envie alguém para retificar isso, por favor venha e faça com que as pessoas consigam o que elas precisam de Você. Você é tão belo, tão glorioso, o prospecto da alma com você na eternidade é tão grande. É tão triste ver as pessoas vivendo na ignorância”. No começo, em Jagannath Puri, ele orou dessa maneira, e ele conseguiu Bimala Prasad, Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur!

Mas eu também escutei uma história, de que em seus dias finais, quando ele estava muito doente, então ele recebe uma carta de uma pessoa reclamando dos equívocos, e tantos problemas que a pessoa vivenciava em sua área, sobre outras pessoas propagando ideias erradas, e essa pessoa estava muito chateada e pediu a ajuda de Bhakti Vinod Thakur. Naquela época Bhakti Vinod Thakur estava muito idoso,  sem saúde, e foi tão doloroso escutar isso no final de sua vida, exatamente sobre o que ele tinha se dedicado a combater. Ele estava em Kolkatta, e mesmo Saraswati Thakur tentou prevenir essa carta de chegar a ele. Bhakti Vinod Thakur ficou indignado que não haveria uma alma pura que viria para mostrar o que é a pureza nesse mundo. Que o Senhor não mandaria nem um mensageiro puro para cumprir tal propósito. Então Prabhupad prestou sastanga dandavat e disse: “Se é o seu desejo, estou pronto a dedicar toda minha energia ao cumprimento disso.”

E logo depois disso ele foi para o famoso debate sobre o “Brahman e o Vaisnava” e ele saiu de lá tão gloriosamente, ferozmente glorioso naquele dia. E Bhakti Vinod Thakur teve notícia disso. Então, esse coração compassivo de Bhakti Vinod Thakur, nele, as orações desejaram toda a fortuna do mundo. Toda boa fortuna em nossa vida, podemos vê-las como tendo sua origem ali, em seu coração compassivo, derretido, tão suave, com a forma pura do Hari-Nam, com a forma divina de Sri Chaitanya Mahaprabhu, e o amor divino pelo qual Ele existiu, o qual ele veio ao mundo repartir.

 

 

 

 

 

 

A Adoração de Srila Bhakti Vinod Thakur

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A devoção do Thakur a Sri Sri Gaura-Gadadhar no Nadia-lila.

Por Srila Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswami Maharaj

Hoje é o dia do desaparecimento de Srila Bhakti Vinod Thakur e eu tentarei glorificar um pouco Srila Bhakti Vinod Thakur. Quando Srila Guru Maharaj estava no Sri Gaudiya Math, alguns anos depois que ele tomou sannyas, ele compôs um poema sânscrito em memória de Srila Bhakti Vinod Thakur, o Bhakti Vinod Viraha Dasakam. Srila Guru Maharaj não compôs nada primeiro sobre Srila Saraswati Thakur. Ele queria atrair Srila Saraswati Thakur, então ele primeiro compôs algo sobre Srila Bhakti Vinod Thakur. Ele ofereceu seu poema às mão de Srila Saraswati Thakur, e Srila Saraswati Thakur começou a examinar o poema detalhadamente. Depois de ler três ou quatro versos, Srila Saraswati Thakur esqueceu seu escrutínio e disse: “Está escrito em um estilo muito feliz.” Depois de ler o poema inteiro, Srila Saraswati Thakur respondeu alegremente: “Depois de mim haverá alguém neste mundo que pode perfeitamente carregar a bandeira de Mahaprabhu na linha da Rupanuga sampradaya. Vendo isso, eu estou muito feliz.” Desde aquele dia Prabhupad Saraswati Thakur mudou completamente a visão que ele tinha de Srila Guru Maharaj, e mais tarde ele examinou Srila Guru Maharaj muitas vezes. Srila Saraswati Thakur ficou muito feliz de ver que a linha do Guru-parampara continuaria.

No Bhakti Vinod Viraha Dasakam Srila Guru Maharaj expressou tudo sobre Srila Bhakti Vinod Thakur de uma maneira muito concisa. Mais tarde, Srila Guru Maharaj disse: “Este poema foi a razão pela qual fui encarregado da Rupanuga sampradaya.” O último verso é muito bom.

kvaham manda-matis tv ativa-patitah kva tvam jagat-pavanah
bho svamin krpayaparadha-nichayo nunam tvaya ksamyatam
yache ’ham karuna-nidhe! varam imam padabja-mule bhavat-
sarvasvavadhi-radhika-dayita-dasanam gane ganyatam
(Srimad Bhakti Vinod Viraha Dasakam: 10)

“Quem sou eu? Eu sou uma alma condicionada muito desafortunada. Eu sou uma alma muito caída, mas você é um Patit Pavan, um Vaisnava Thakur [um grande Vaisnava que é um salvador dos caídos]. Se eu tiver cometido ofensas ao compor esses versos, por favor, me perdoe. Eu oro aos seus pés de lótus pela benção de que eu terei a força necessária para seguir seu mais querido Srila Saraswati Thakur, e cumprir as ordens dele como um querido associado dele. Dessa forma eu oro para que você conte comigo como um membro de sua sampradaya.”

Srila Guru Maharaj disse que enquanto Prabhupad Saraswati Thakur estava lendo este verso, ele primeiro notou que Srila Guru Maharaj estava pedindo a Bhakti Vinod Thakur por uma bênção na conclusão de seu poema (yache ‘ham karuna-nidhe! varam imam). Srila Prabhupad pensou: “Que tipo de benção ele vai pedir? Ele vai fazer um massacre aqui no final?” Mas quando Srila Prabhupad viu seu nome lá, Varsabhanavi Dayita Das (radhika-dayita-dasanam), e entendeu que Srila Guru Maharaj estava orando apenas para ser engajado em seu serviço, ele ficou muito feliz. Ele aceitou e apreciou a oração de Srila Guru Maharaj. Dessa forma Srila Guru Maharaj compôs muitos versos sobre Srila Bhakti Vinod Thakur.

Há um verso muito famoso sobre Srila Bhakti Vinod Thakur,

namo bhakti-vinodaya sach-chid-ananda-namine
gaura-sakti-svarupaya rupanuga-varaya te

“Ofereço minha reverência a Srila Sachchidananda Bhakti Vinod Thakur. Ele é o amor divino de Gauranga Mahaprabhu personificado e é o maior Vaisnava da Rupanuga sampradaya.”

Srila Bhakti Vinod Thakur fez tanto seva para a sampradaya de Sri Chaitanya Mahaprabhu. Srila Bhakti Vinod Thakur apareceu quando a sampradaya estava em uma posição muito precária. Ele nasceu no distrito de Nadia em West Bengal, em Ula, perto de Krishnanagar e Phulia, onde o bhajan-kutir de Haridas Thakur estava localizado. Mais tarde, Srila Bhakti Vinod Thakur revelou-se um grande devoto de Sri Chaitanya Mahaprabhu. Em Nome de Mahaprabhu Bhakti Vinod Thakur tentou estabelecer a verdadeira consciência de Krishna, e ele tentou limpar a sampradaya de Chaitanya Mahaprabhu. Ele viveu durante um período de tempo muito pesado.

aula, baula, kartabhaja, neda, daravesa, sani
sahajiya, sakhibheki, smarta, jata-gosani
ativadi, chudadhari, gauranga-nagari
tota kahe, ei tera’ra sanga nahi kari
(Tota Ram Das Babaji)

Naquela época as apasampradayas [seitas desviadas, que se autodenominavam seguidores de Chaitanya Mahaprabhu] eram muito fortes. As sampradayas aula, baula e kartabhaja eram especialmente muito fortes em Ula. Desde sua infância, Bhakti Vinod Thakur viu a natureza das atividades destas apasampradayas e se opôs profundamente a elas. Então, quando ele mostrou sua forma de devoto de Mahaprabhu, ele primeiro tentou corrigir os erros das apasampradayas e estabelecer a verdadeira sampradaya de Chaitanya Mahaprabhu. Anteriormente Tota Ram Das Babaji havia reconhecido e rejeitado aquelas apasampradayas mas Bhakti Vinod Thakur apareceu e exibiu a verdadeira natureza de um devoto perfeito na linha da Rupanuga sampradaya. Ele agiu de muitas maneiras para remover as atividades das apasampradayas, mas o fez de uma maneira muito sóbria, nunca de maneira excessivamente combativa.

Há muitos exemplos disso na vida de Srila Bhakti Vinod Thakur. Quando ele estava em Jagannath Puri, um yogi muito forte chamado Visakishan, um membro da apasampradaya ativadi, declarou que ele era o próprio Krishna, e que ele havia aparecido na forma de Visakishan para lutar com o governo britânico. Ele declarou que no décimo quarto dia do mês de Chaitra iniciaria uma revolução. Ele estava fazendo muitas coisas imorais em vilarejos rurais na época, e o governo britânico encarregou Bhakti Vinod Thakur de decidir o que fazer com ele. Bhakti Vinod Thakur foi vê-lo. Visakishan era um yogi muito forte, e depois de ver Bhakti Vinod Thakur ele disse: “Ah, eu sei o propósito pelo qual você veio. Mas você é um dos meus grandes devotos, não farei nada contra você. Você pode se abrigar aos meus pés.” Srila Bhakti Vinod Thakur disse: “Se você sabe tudo, então qual é a sua ideia sobre Chaitanya Mahaprabhu?” Visakishan disse: “Chaitanya Mahaprabhu é um dos meus grandes devotos.” Depois de ouvir isso Bhakti Vinod Thakur decidiu que Visakishan era um trapaceiro. Bhakti Vinod Thakur mediu a qualificação daquele homem através desta questão e concluiu que ele era um grande trapaceiro mostrando um blefe. Bhakti Vinod Thakur sabia que Visakishan não tinha nenhuma consciência real.

Então Bhakti Vinod Thakur o ameaçou: “Se você começar a sua revolução eu vou prendê-lo.” Visakishan ficou muito bravo, mas Bhakti Vinod Thakur continuou: “Eu estou te dando vinte e quatro horas; se você não mudar seu humor nesse tempo, eu vou prendê-lo.” No dia seguinte, Bhakti Vinod Thakur retornou e Visakishan mostrou muitos vibhutis [poderes mágicos], mas Bhakti Vinod Thakur o prendeu e o colocou na cadeia. O governo britânico encarregou Bhakti Vinod Thakur de decidir seu caso. Visakishan realizou muitos milagres na prisão e no tribunal também. Bhakti Vinod Thakur deu a ele três chances de mudar seu humor ou encarar a punição, mas Visakishan atacou Bhakti Vinod Thakur.

No dia anterior ao julgamento final de seu caso, Visakishan ameaçou Bhakti Vinod Thakur, “Amanhã você planeja dar o seu julgamento, mas você não poderá ir ao tribunal.” Bhakti Vinod Thakur respondeu: “Eu vou te ver amanhã.” Quando Bhakti Vinod Thakur retornou à sua casa, viu que seus filhos e filhas, toda a sua família, sofriam de diarreia muito intensa. Ele chamou um médico que os aliviou com algum remédio, mas depois começou a sentir febres e dores no corpo. Na manhã seguinte, ele não conseguia andar nem sair da cama. Ainda assim ele disse: “Eu vou ao tribunal hoje e dou meu julgamento. Eu preciso ir. Chame um palanquim e me carregue.” Ele teve uma febre de cento e seis graus [41˚C] e sentiu grande dor em todo o corpo, mas disse: “Hoje devo dar meu julgamento àquele yogi.” Quando ele atravessou a porta do tribunal, sua febre e dor desapareceram completamente. Ele sentou-se na cadeira e disse a Visakishan: “O que você vai fazer? Você mudará seu humor?” Vendo Bhakti Vinod Thakur, Visakishan disse: “Ah, você ainda não consegue entender quem eu sou? O que aconteceu com você ontem? E o que aconteceu com você hoje? Você ainda não consegue entender quem eu sou?” Bhakti Vinod Thakur disse: “Eu posso entender quem você é. Desde o dia em que lhe perguntei sobre a posição de Chaitanya Mahaprabhu, eu entendi quem você é.” Então Visakishan jogou fogo de seu cabelo no meio do tribunal. Bhakti Vinod Thakur disse: “Eu estou dando seis meses de prisão para este homem. Levem-no para a prisão e, antes disso, cortem o cabelo dele.” Ele deu essa ordem, mas quem cortaria o cabelo daquele homem? Ninguém estava disposto a tocar em Visakishan depois que o viram jogar fogo de seu cabelo. Então Bhakti Vinod Thakur chamou um sahib, um homem ocidental, e disse: “Você pode tocá-lo; corte o cabelo dele.” Quando aquele ocidental foi tocá-lo, Visakishan o ameaçou muito, mas o homem não se importou. Ele pegou o cabelo de Visakishan e o cortou. Então Visakishan foi preso. Enquanto esteve lá, Visakishan jejuou e finalmente Bhakti Vinod Thakur foi pessoalmente à cadeia e pediu-lhe: “Eu providenciarei para você ser libertado dentro de seis meses; você pode sair daqui e levar uma vida normal de novo, se você mudar sua concepção.” Visakishan não quis ouvi-lo e por fim morreu de inanição enquanto ainda estava na cadeia. Essa é a história de Visakishan.

Esse período de tempo foi um momento muito difícil. A sampradaya sahajiya e a sampradaya jati-gosani haviam conquistado toda a Bengal, até mesmo toda a Índia, poderia se dizer. Quando Srila Saraswati Thakur era um menino de doze anos de idade, Charan Das Babaji, um famoso ‘siddha-mahapurush’ [uma assim chamada alma aperfeiçoada] vinha ver Srila Bhakti Vinod Thakur de tempos em tempos. Havia duas razões para isso. Uma, a fama de Srila Bhakti Vinod Thakur era ilimitada. Até mesmo Gaura Kishor Das Babaji Maharaj, que era um verdadeiro siddha-mahapurush e muito renunciado, vinha ver Srila Bhakti Vinod Thakur e ouvir sua explicação do Srimad Bhagavatam. Em segundo lugar, Bhakti Vinod Thakur mostrou-se um fiel vice-magistrado e oficial do governo. Em ambos os casos, a posição de Srila Bhakti Vinod Thakur era altamente exaltada e, por causa disso, Charan Das Babaji visitava Bhakti Vinod Thakur para seu próprio benefício. Srila Bhakti Vinod Thakur não lhe dizia diretamente: “Não venha me ver”, mas ele dizia: “O que você está fazendo é errado”. Mesmo depois de ouvir isso, Charan Das Babaji ainda vinha visitar Bhakti Vinod Thakur.

Um dia Prabhupad Saraswati Thakur viu que Charan Das Babaji tinha vindo ver Bhakti Vinod Thakur e que eles estavam juntos conversando. De muito longe, Srila Saraswati Thakur ofereceu seu dandavat pranam a Srila Bhakti Vinod Thakur. Ele não chegou perto de Bhakti Vinod Thakur para oferecer seu dandavat, mas o ofereceu de longe. Naquela época, ele era apenas um menino de doze anos de idade. Charan Das Babaji viu Srila Prabhupad fazer isso e disse a Bhakti Vinod Thakur: “Quem é esse menino? Ele é um garoto muito bonito. Por que ele não vem até nós? Por que ele está oferecendo seu dandavat de tão longe?” Srila Bhakti Vinod Thakur disse: “Oh, esse menino é meu filho, mas ele está firmemente estabelecido na linha da consciência de Krishna e ele sempre evita cuidadosamente o sahajiyismo. Ele fez uma promessa de ficar a cinquenta metros de distância de qualquer sahajiya, e você é um pakva [modelo] sahajiya.” Ouvindo isso, Charan Das Babaji sentiu vergonha. Bhakti Vinod Thakur continuou: “Todo dia ele vem aqui para oferecer seu dandavat a mim. Mas hoje você está aqui, então ele está evitando um sahajiya dessa maneira. Ele é um menino muito novo.” Charan Das Babaji era o cabeça da sampradaya sahajiya e a partir daquele dia ele e a sampradaya sahajiya inteira souberam que no futuro Srila Saraswati Thakur se tornaria um grande Acharya da Rupanuga sampradaya.

Mais tarde Srila Saraswati Thakur seguiu estritamente Srila Jiva Goswami e tentou esmagar o sahajiyismo e as outras apasampradayas. Srila Prabhupad queria estabelecer a verdadeira concepção de Krishna, a consciência de Krishna na linha de Srila Rupa Goswami. Ele odiava o sahajiyismo muito rigidamente. Prabhupad Saraswati Thakur ensinou que Srila Bhakti Vinod Thakur era o parshad eterno de Gauranga Mahaprabhu e que ninguém podia estimar quão exaltada é a concepção que ele deu.

Bhakti Vinod Thakur compôs muitos livros: Krishna-samhita, Bhagavat-arka-marichi-mala, Chaitanya-siksamrta, Jaiva-dharma, Datta-kausthubha e assim por diante. Mas podemos dizer que seu presente especial está em suas canções. Ele compôs muitas canções em suas coleções Saranagati, Gitavali, Kalyana-kalpa-taru, Giti-mala, Yamuna-bhavavali e outras. Através de suas canções obteremos a essência de todas as escrituras. Se todas as escrituras desaparecessem deste plano mundano, mas as canções de Srila Bhakti Vinod Thakur permanecessem, nós ainda conseguiríamos tudo. Nós podemos conseguir tudo através de suas canções.

Afortunadamante, na época em que me juntei a Srila Guru Maharaj, ele me deu trinta e duas canções do Saranagati para memorizar. Srila Guru Maharaj sempre queria ouvir as canções de Bhakti Vinod Thakur. No Chaitanya Saraswat Math, apenas algumas canções de Srila Narottam Thakur, uma ou duas canções de outros Vaisnavas e uma canção de Vidyapati são cantadas. Mas todas as canções de Bhakti Vinod Thakur são cantadas no Chaitanya Saraswat Math, porque tudo está dentro de suas canções. Srila Guru Maharaj disse que você obterá tudo das canções de Srila Bhakti Vinod Thakur.

Devoto: Srila Maharaj, no outro dia você mencionou que Srila Saraswati Thakur estabeleceu a adoração de Nimai Pandit, mas não a adoração do Yuga-avatar Sri Chaitanya Mahaprabhu. Eu também ouvi falar de um Gauranarayan-avatar. Qual é a diferença entre essas formas do Senhor e por que adoramos dessa maneira?

Srila Govinda Maharaj: Na verdade não é Gauranarayan. Esse tipo de pergunta só vem do círculo dos devotos ocidentais. Eu louvo os devotos ocidentais por isso, porque eles estão perguntando de muitas maneiras. Mas é uma questão elevada, uma questão muito alta.

O lila completo de Mahaprabhu se manifestou no coração de Srila Bhakti Vinod Thakur, e ele sempre se lembrava desse lila. Ainda assim, Srila Bhakti Vinod Thakur era muito ligado ao Nadia-lila de Mahaprabhu. Ele gostava especialmente desse lila. Ele gostava de todos os Lilas de Mahaprabhu, mas seu Lila favorito era o Nadia-lila de Mahaprabhu. Nós diferenciamos três formas de Krishna: o Krishna que brinca em Dvaraka, o Krishna que brinca em Mathura e o Krishna que brinca em Vrndavan. Somos adoradores do Krishna de Vrndavan, não do de Mathura ou do Krishna de Dvaraka. Por quê? Existem diferentes rasas e diferentes comportamentos nas diferentes formas de Krishna.

Sri Chaitanya Mahaprabhu tem diferentes formas dentro de Seu lila, assim como o Senhor Krishna. Sri Chaitanya Mahaprabhu apareceu neste plano mundano e encenou os Passatempos de resgatar as almas-jivas e distribuir Krishna-prema. Esse é o Yuga-avatar-lila de Mahaprabhu. Na verdade, Mahaprabhu é a forma não diferenciada de Sri Sri Radha-Krishna. Krishna tomou o bhava e o kanti de Srimati Radharani, apareceu na forma de Sri Chaitanya Mahaprabhu e provou o humor de serviço de Sua Suprema serva, Srimati Radharani. Então, quando Mahaprabhu realizou Seu Nadia-lila, encontramos uma forma especial do Senhor. Até os vinte e quatro anos, Mahaprabhu exibiu Seu grhastha-lila em Nabadwip. Aquele Nadia-lila de Mahaprabhu é o Gupta Vrndavan-lila de Krishna. Srila Bhakti Vinod Thakur muito alegremente amou e adorou aquela lila.

Srila Bhakti Vinod Thakur e outros devotos são muito apegados ao Nabadwip-lila do Pancha Tattva. Ali Nityananda Prabhu, Advaita Prabhu, Gadadhar Pandit, Srivas Pandit e todos os devotos estão brincando junto com Mahaprabhu. Às vezes, no início da manhã, Mahaprabhu ia se banhar no Ganges com todos os devotos. Eles andavam pelas margens do Ganges, muito felizes, dançando e cantando o mahamantra Hare Krishna. Então o Senhor ia a Ishodyan com seus devotos e realizava sankirtan. Todos os dias havia novas flores e frutas no jardim e um banquete ao meio-dia. O Senhor comia no jardim com todos os seus devotos. Todas as noites o Senhor ia à casa de Srivas Pandit para o kirtan. Os devotos realizavam kirtan a noite toda e Mahaprabhu dançava entre eles, mostrando-lhes Seu mahabhava. Desta forma, o Senhor realizou muitos lilas em Nabadwip.

Quando Sri Chaitanya Mahaprabhu tinha vinte e quatro anos, ele tomou sannyas e deixou Mayapur. Em Mayapur, todos podiam alegremente servir ao Senhor. Antes que ele tomasse sannyas, seus devotos exclusivos estavam sempre obtendo sua associação íntima. Depois que Ele tomou sannyas, os devotos de Nadia não tiveram mais Sua associação íntima. Eles não podiam associar-se a Ele intimamente como faziam durante Seu grhastha-lila. Os devotos de Mayapur estavam sempre servindo ao Senhor e oferecendo-lhe comida. Mesmo homens muito pobres podiam servi-lo. No Nadia-lila, o Senhor tinha muito bom humor—Ele estava sempre cheio de alegria enquanto cantava o mahamantra Hare Krishna com Seus devotos.

O sannyas-lila de Mahaprabhu é cheio de austeridades. Ele mostrou essas austeridades para seus devotos e para o mundo. Ele seguiu completamente as cortesias e costumes de um sannyasi daquela época. Ele não dormia em cama, nunca usou óleo, e assim por diante. Seus devotos estavam sempre muito infelizes em vê-lo observando tais austeridades. Jagadananda Pandit especialmente não podia tolerar o sannyas-lila de Mahaprabhu. Como Jagadananda Pandit, Srila Bhakti Vinod Thakur não podia tolerar ver o Senhor observando tais austeridades durante o seu sannyas-lila.

Quando Mahaprabhu retornou de Nilachal para Koladwip em Nabadwip, depois de cinco anos de sannyas, Ele ficou na casa de Vidya Vachaspati Mishra, o irmão mais velho de Sarvabhauma Bhattacharya. Mahaprabhu não foi à sua aldeia natal, Mayapur. Ele foi para Kuliya em Koladwip, onde é localizado nosso Sri Chaitanya Saraswat Math no momento. Ele não foi para o outro lado do Ganges para visitar Mayapur. Os moradores e as pessoas de Mayapur foram vê-lo em Koladwip, mas na verdade não conseguiram sua associação naquele momento. Mahaprabhu ficou lá por apenas dois ou três dias e milhares e milhares de pessoas se reuniram para vê-lo naquela época. Mahaprabhu foi altamente protegido enquanto permaneceu lá. Todos que vieram quiseram entrar na casa de Vidya Vachaspati para ver o Senhor, e se todos tivessem permissão para entrar livremente, eles teriam facilmente destruído a casa porque havia tantas pessoas. Assim, os moradores de Mayapur só podiam obter o darshan do Senhor de uma grande distância. De muito longe, ofereceram seus dandavats ao Senhor e voltaram para casa.

Se lembrando deste Passatempo e dos Passatempos de Mahaprabhu em Mayapur, Bhakti Vinod Thakur compôs um verso expressando o desejo do seu coração de levar Mahaprabhu de volta a Mayapur. Eu gravei este sloka no Samadhi Mandir de Srila Guru Maharaj.

ami chai gaurachandre laite mayapure
yathaya kaisora-vese sri-angete sphure
yathaya chachara kesha tri-kachchha-vasane
isodyane lila kare bhakta-jana sane
(Sri Navadvipa-bhava-taranga: 70)

“Mahaprabhu pode ser tão grande, Mahaprabhu pode ser o próprio Bhagavan, Mahaprabhu pode ser o Yuga-avatar, Mahaprabhu pode ser qualquer coisa, mas o que farei se não obtiver primeiro o serviço de Mahaprabhu? Primeiro, preciso do serviço dele. Eu estou sentindo muita dor ao ver Mahaprabhu sem o cabelo, vestido como um sannyasi. Eu não gosto de ver o seu sannyas-vesa. Preciso adorar Mahaprabhu em Sua forma de Nabadwipchandra [a lua de Sri Nabadwip Dham], não Sri Chaitanyadev, o sannyasi sampradaya. Quero trazer Mahaprabhu de volta a Mayapur, onde Seus devotos podem ver Seus longos cabelos encaracolados e Sua forma divina brilhando em Suas belas vestes durante os Passatempos no jardim de Ishodyan.”

Desse modo, Srila Bhakti Vinod Thakur adorou o eterno lila de Mahaprabhu oculto em Sri Nabadwip Dham. É dito que Krishna nunca dá um passo fora de Vrindavan, que Krishna vive eternamente em Vrindavan. Srila Bhakti Vinod Thakur adora o Nabadwip-lila de Mahaprabhu, que é como o Vrndavan-lila de Krishna, com essa concepção. O sannyas-lila de Mahaprabhu é comparado ao Kuruksetra-lila de Krishna. O coração de Bhakti Vinod Thakur foi atraído para os Passatempos do Senhor dessa maneira. Isso é siddhanta muito elevado.

Srila Saraswati Thakur seguiu exclusivamente a linha de Srila Bhakti Vinod Thakur. Srila Saraswati Thakur nunca manifestou uma forma de Deidade de Mahaprabhu como sannyasi. Em cada um dos 64 Maths que Srila Saraswati Thakur fundou, a forma da Deidade de Mahaprabhu sempre foi revelada em Sua forma grhastha do Nabadwip-lila. Isso era para a satisfação de Srila Bhakti Vinod Thakur. Em seu primeiro Math, o Sri Chaitanya Math em Mayapur, Srila Saraswati Thakur instalou as Deidades de Sri Sri Guru Gauranga Gandharvika Giridhari. Em talvez 50 de seus outros Maths, Srila Saraswati Thakur deu os Nomes das Deidades relacionadas com a palavra vinod: Sri Gaura Vinodapran, Gaura Vinodananda, e assim por diante. Prabhupad Saraswati Thakur foi iluminado com a concepção de Bhakti Vinod Thakur e ele estabeleceu as formas de Deidade de Mahaprabhu em sua Missão deste modo.

Por muitos anos em lojas de deidades você nunca via uma forma de sannyas de Mahaprabhu. Você via muitas formas diferentes de Mahaprabhu, mas nunca as formas de sannyas. Agora, porém, os artistas estão fazendo algumas formas de sannyas de Mahaprabhu. Há dez ou quinze anos atrás, você não via isso em nenhum lugar. Talvez há quinze anos atrás eu vi pela primeira vez uma forma de sannyas de Mahaprabhu em uma loja de remédios em Porama Tala. Toda a minha vida eu nunca tinha visto nenhuma Deidade de Mahaprabhu em Sua forma de sannyas. Agora, a ideia parece estar se espalhando e os artistas estão fazendo as formas de Mahaprabhu de muitas maneiras, mas eles não sabem o significado de seu trabalho no plano da devoção.

Srila Bhakti Vinod Thakur era um devoto muito exclusivo de Mahaprabhu e ele é um tipo muito especial de devoto. Ele especificamente adorava as Deidades de Sri Sri Gaura Gadadhar. Todos elogiam a adoração de Gaura Gadadhar, mas quase em nenhum lugar você vê tal adoração. Você sempre vê Nitai Gaura ou Gauranga Mahaprabhu sozinho. Somente em dois ou três lugares você pode ver Deidades de Gaura Gadadhar. Uma está em Champahatti no templo de Dvija Vaninath e a outra está no templo de Srila Bhakti Vinod Thakur em Godrumadwip. A adoração de Gaura Gadadhar envolve uma concepção muito oculta e profunda. É a mais profunda concepção do Gauranga-lila e é adorada apenas por devotos exclusivos profundamente apegados.

Gadadhar Pandit Goswami sempre foi muito pacífica e discretamente presente no Nabadwip-lila com Mahaprabhu e Seus devotos. Ele ficava como uma sombra do Senhor, silenciosamente presente à distância. Mas ele tinha afeto sincero por Mahaprabhu. Todos os devotos do Senhor sabiam que ele era totalmente dedicado a Mahaprabhu. Quando Mahaprabhu retornou de Gaya Dham após tomar iniciação de Isvar Puri, Seu humor mudou e Ele começou a procurar desesperadamente por Krishna. Ele chorava diante dos devotos, mostrando Seu completo mahabhava : “Onde está Krishna ?! Onde está Krishna ?! ”Uma vez Mahaprabhu estava chorando assim na casa de Srivas Pandit na companhia de Mukunda, Sanjay e todos os devotos. Mahaprabhu ouviu alguém chorando em outro cômodo da casa. Ele perguntou: “Quem está chorando dentro daquele quarto?” Os devotos disseram: “Seu Gadadhar está chorando”. Então Mahaprabhu elogiou Gadadhar: “Gadadhar, você é tão afortunado! Você tem sido um grande devoto de Krishna desde a infância. Eu nunca tive o Krishna-prema que você tem!”

Desta forma, Mahaprabhu elogiou Gadadhar e lhe deu carinho como se Gadadhar fosse seu irmão. Mesmo em momentos em que todos os devotos ficavam muito confusos, Gadadhar tinha um humor muito estável e silenciosamente tentava servir e nutrir Mahaprabhu. Às vezes ele dava conselhos a Sachi Mata :“Mahaprabhu quer isso” ou :“Este é o desejo do coração de Mahaprabhu”. Srila Guru Maharaj compôs um belo verso explicando a atividade real de Srila Gadadhar Pandit Goswami.

nilambhodhi-tate sada svaviraha ksepanvitam bandhavam
srimad-bhagavati katha madiraya sanjivayan bhati yah
srimad-bhagavatam sada sva-nayanasru-payanaih pujayan
gosvami-pravaro gadadhara-vibhur bhuyat mad-eka-gatih

Em Puri, Mahaprabhu estava fortemente intoxicado com o humor de separação de Krishna por Radharani. Mahaprabhu era como um louco procurando em toda parte por Krishna: “Onde está Krishna?” Ele estava sempre no clima de separação extrema, saboreando o mahabhava de Radharani. Gadadhar Pandit sempre seguiu Mahaprabhu, mas também permanecia sempre à distância Dele. Gadadhar Pandit convidava o Senhor para o seu templo de Tota Gopinath. Gadadhar Pandit viveu lá em um jardim e adorou sua Deidade de Gopinath. Todos os dias, Mahaprabhu vinha com seus devotos para ouvir o Srimad Bhagavatam. A única atividade real de Gadadhar Pandit em Jagannath Puri era nutrir Mahaprabhu lendo o Srimad Bhagavatam para Ele. Às vezes, vinho ou intoxicação são fornecidos a alguém que não pode tolerar estar separado de um amigo querido.

Mahaprabhu não podia tolerar a profunda separação que Ele sentia de Krishna, e Gadadhar Pandit Goswami alimentou Mahaprabhu lendo o Bhagavatam. Ele forneceu o Bhagavatam a Ele como um intoxicante. Mahaprabhu provou o Bhagavatam dessa maneira e obteve muita nutrição de Gadadhar Pandit. Fornecendo êxtase a Mahaprabhu, o próprio Gadadhar Pandit também estava sempre chorando. Gadadhar Pandit chorava ao ver o humor de Mahaprabhu e adorava Mahaprabhu com suas explicações sobre o Srimad Bhagavatam, e com suas lágrimas.

Krishna pegou o coração e a aura de Radharani e apareceu como Sri Chaitanya Mahaprabhu para provar o humor do êxtase de Radharani. Radharani então se tornou como um vaso vazio, Seu bhava foi tomado por Sri Chaitanya Mahaprabhu, e Ela mostrou sua forma no Gaura-lila como Gadadhar Pandit. Gadadhar Das, que era um associado de Nityananda Prabhu, representou ainda Sua kanti [aura]. Mas Gadadhar Pandit representou Sua principal forma, pois ele era como um vaso vazio. Ele era calado e raramente falava sobre Krishna, mas seu coração estava sempre cheio de Krishna. Internamente, Mahaprabhu é Krishna, e Gadadhar sempre se sentiu separado de Mahaprabhu e de Krishna. Nem todo mundo conseguia entender a posição de Gadadhar. Somente os devotos muito próximos e íntimos poderiam entender o bhava de Gadadhar. Os devotos mais íntimos e próximos sabiam que Gadadhar Pandit era o Avatar de Srimati Radharani.

A adoração de Srila Bhakti Vinod Thakur a Gaura Gadadhar manifestou-se em Sri Godrum Dham. Lá ele adorava Gaura Gadadhar e meditava nos Passatempos de Radha-Krishna. Em uma canção ele escreveu:

dekhite dekhite sri-radha-madhava
rupete karibe ala
(Sri Kalyana-kalpa-taru: 3.2.10)

“Ao contemplar Sri Sri Gaura-Gadadhar do audarya-lila, diante de meus olhos Eles se manifestaram como Sri Sri Radha-Madhava do Vrndavana-lila”.

Ele não teria adivinhado que, enquanto ele estava meditando, Gaura-Gadadhar se transformariam em Sri Sri Radha-Krishna. Vendo Gaura-Gadadhar aparecer como Radha-Madhava, ele desmaiou. Quando ele recuperou a consciência, tudo estava como antes.

Srila Bhakti Vinod Thakur escolheu desaparecer no mesmo Amavasya, dia da lua escura, que Gadadhar Pandit: Gadadhara dina dhari ‘paiyachchhe Gaurahari. Hoje é esse dia, tirobhav tithi de Srila Bhakti Vinod Thakur. Muitas coisas aconteceram na vida de Srila Bhakti Vinod Thakur. Talvez você tenha lido como o local de nascimento de Mahaprabhu foi descoberto, como começou o Nabadwip Dham parikrama ou como a missão de Mahaprabhu foi estabelecida. Srila Bhakti Vinod Thakur tentou fazer muitas coisas de várias maneiras. Por fim, seu dom supremo foi Srila Saraswati Thakur. Ele estabeleceu Srila Saraswati Thakur para que no futuro ele conduzisse a sampradaya de Mahaprabhu. Finalmente, Srila Saraswati Thakur conseguiu isso e satisfez os desejos de Srila Bhakti Vinod Thakur. Srila Guru Maharaj compôs muitos versos sobre as glórias de Srila Bhakti Vinod Thakur. Em geral, ele orou: “Eu me curvo aos pés de lótus de Srila Bhakti Vinod Thakur e oro para que seus desejos sejam cumpridos por seu mais querido associado, Srila Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur e seus discípulos.”

vanchha-kalpa-tarubhyas cha kripa-sindhubhya eva cha
patitanam pavanebhyo vaishnavebhyo namo namah

Srila Sachchidananda Bhakti Vinod Thakur ki jaya!

Fonte: https://premadharma.org/the-worship-of-srila-bhakti-vinod-thakur/