Um Lugar no Coração do Santo

Srila Janardan Maharaj   Srila Bhakti Pavan Janardan Maharaj (Acharya dos EUA) responde neste artigo um dos questionamentos básicos do processo espiritual: a importância de se ter um mestre fidedigno, capaz e desejoso de compartilhar os ensinamentos desta jornada. No entanto, ele evolui mostrando que a escolha não é unilateral e também explicando qual é o foco para os interessados em estabelecer uma relação de aprendizado com tal mestre.  Aqui ele compartilhando sua experiência pessoal de mais de 30 anos de prática espiritual.

 

Um lugar no coração do Santo

17 de junho de 2013

Nós estamos tentando oferecer algum serviço aos nossos divinos mestres espirituais: Srila Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswami Maharaj, Srila Bhakti Raksak Sridhar Dev-Goswami Maharaj e Srila AC Bhaktivedanta Swami Maharaj. Eles deram suas vidas para que outros fossem capazes de receber alguma coisa da misericórdia divina.

A natureza deste mundo é que as pessoas não sabem qual pode ser o seu verdadeiro benefício. Bhaktisidhanta Srila Saraswati Thakur costumava  assinar cartas dizendo “seu sempre benquerente”.

Srila Prabhupada   Srila Prabhupada, Srila AC Bhaktivedanta Swami Maharaj, também assinava desta forma. E é verdade, essas pessoas são nossos sempre benquerentes. Eles só pensavam em nosso benefício. Um astrólogo falou, certa vez, sobre Srila Sridhar Maharaj: “ele vai fazer o bem para os outros, mas ele não vai fazer o bem para si mesmo.” Ou seja, ele não está interessado em algo que fosse beneficiar a si mesmo. Sem  autointeresse. Sem interesse provincial.

Srila Sridhar Maharaj

Srila Sridhar Maharaj

Nunca pensando no seu próprio interesse. Sem tentar obter alguma aquisição, ter qualquer coisa. Isso é o que eu encontrei em nossos divinos mestres espirituais, eles estão sempre interessados naquilo que vai nos ajudar. Sinto-me feliz por ter tido esse tipo de associação, pois nosso interesse está no coração de um santo.

Tente ver se você pode encontrar um lugar no coração de um santo. Não é suficiente apenas pensar “oh, quem é o verdadeiro mestre espiritual qualificado?” Não é suficiente que você vai aceitar o mestre espiritual. Você deve ser aceito pelo mestre espiritual. Uma coisa é achar aquele que é um sat guru, um verdadeiro mestre espiritual e outra coisa é encontrar um lugar no coração daquele santo.

Isso é o que estamos tentando fazer.

Srila Govinda Maharaj

Srila Govinda Maharaj

Texto Original.

Conselhos e vida de uma Yogi Brasileira

Introdução:

Regina Shakti (também conhecida como Rohini Shakti dd), notória professora de Yoga no Brasil, conta neste relato a Greice Costa – editora da revista Yoga Journal Brasil – um pouco de suas ideias, ideais, práticas e realizações de uma vida dedicada a Bhakti Yoga. Este diálogo acabou virando matéria de capa da edição de Dezembro 2012.

Buscamos algumas das declarações que ela fez uma forma inspirada e sincera para leitores em busca destas qualidades.

Gotas de Shakti

Relato de Regina Shakti a Greice Costa

Regina shakti Yoga journal

” Regina Shakti quase me deixou louca. Desde que a conheci melhor em um retiro no seu Krisnha Shkati Ashram, imaginei-a inspirando os leitores da revista. Mas são tantas as suas ideias – e sérias – que foi praticamente uma viagem psicodélica absorvê-las e tentar organizá-las. Dona de escola de Yoga aos 21 anos, praticante desde os 11, performer no Chacrinha, quiróloga renomada, especialista em gastronomia vegetariana, professora em países como EUA, Inglaterra, Índia, Espanha, França e Indonésia, criadora de um projeto que disseminou Yoga entre 12 mil crianças e 600 professores nas escolas de Campos do Jordão, São Paulo (onde fica seu ashram). Regina, 57 anos e em fase mais reclusa tem muita história pra contar. Só de dar aulas as 6h30 tem em seu currículo 27 anos ininterruptos, sem falhar: “Adoro isso, tenho um tipo de orgulho de ter conseguido”, conta. Foram dois encontros e cinco meses de conversas por e-mail, a maioria para decidir sobre qual aspecto yóguico Regina escreveria ou que abordagem seria frutífera para a entrevista. Nada disso aconteceu. O que vocês verão são, na maioria, trechos de conversas livres por e-mail; e poucas vezes, respostas casuais para perguntas minhas. Explico para contextualizar suas palavras. Regina não passou uma tarde falando de si em uma entrevista formal. E não quis dar certeza em hora nenhuma: “O que o mundo precisa é doçura, não quero ter razão em nada. Ah, uma notícia que vai fazer você cair de costas… Não sou a mesma pessoa da foto da capa, não faço ideia de quem eu era naquele dia”. Não há como prendê-la em um tipo de reportagem ou estilo de Yoga. Melhor deixar-se levar por esta força da natureza.” – Greice Costa.

“Pode parecer confuso, mas para mim Hatha Yoga é como se fosse minha ginástica. Não tenho imenso prazer, não considero uma atividade espiritual, pratico por dever – no fim sempre acho maravilhoso, mas o Yoga que pratico como algo divino é o Yoga do sr Chaitanya. Ele viveu no Oeste Bengal, Índia, há 500 anos e é considerado pelos vaishnavas (devotos de Vishnu) uma encarnação e Krisnha. Existem sete livros chamados Chaitanya Charitamrita que contam a sua história. Estou fascinada sobre tudo que estou aprendendo sobre Yoga lá.

Sou discípula de Sua Divina Graça Srila Bhakti Raksak Sridhar Dev Goswami Maharaj e quando ele abandonou o corpo, passei a receber instrução de seu sucessor, o maravilhoso Srila Bhakti Sundar Govinda Dev Goswami Maharaj. Meu guru é o fundador da Sri Chaitanya Saraswat Math, que fica em Nabadwip, Índia – uma escola de Bhakti Yoga (o yoga da devoção) muito séria e respeitada. Nas duas últimas décadas viajei praticamente todos os anos para lá e às vezes para países que Sua Divina Graça estava visitando, como Inglaterra, Rússia e México.

Fazemos vários festivais durante o ano no ashram e o mais importante é na primeira lua cheia de março quando nasceu o Sr. Chaitanya – esses festivais são alegres, com muitas preparações deliciosas, troca de presentes e muito canto e muita dança.

Trajetória

Os meus últimos 20 anos coroaram os 20 primeiros de dedicação a aprender as técnicas para manter a boa forma do corpo, para respirar melhor e meditação. Dos 13 aos 25 anos fiz todos os cursinhos, workshops, palestras e afins que vi na frente e que minha tia recomendou.

Isto não estava mais me bastando, mas continuava dando aulas – já era conhecida no meio do Yoga e dava o meu recado na sociedade, pregava o vegetarianismo…

Por outro lado, desconfiava de bonzinhos e monges. Tinha resistência em hare krisnhas e todas as linhas que não praticavam a elegância do corpo. Tinha resistência com gurus também, não queria obedecer a ninguém. Tentando dar uma reciclada na vida, fui aos Estados Unidos. Comecei a dar aulas e os americanos perguntaram quem era meu guru. Ali, desejei ter um.

Nesta busca, conheci devotos que moravam nas florestas de Oregon e pareciam ter uma consciência ampla sobre o que é essencial. Adoravam a foto de seu guru com guirlandas, incenso, abanos. Resolvi conhecer este guru na Índia.

Foi minha grande fortuna ser aceita na dimensão dele. Nunca consegui expressar meus sentimentos quanto a este encontro, as palavras são sempre poucas, parecem nada diante da sua grandeza.

Beleza

Desde pequena, gosto de arrumar a casa, fazer arranjos de flores… Depois que arrumava a minha casa, arrumava a dos vizinhos. Sou famosa por transformar uma tapera em castelo. Você pode notar isso no ashram.

Eu enfeito os degraus das escadas, incremento os jardins, junto restos de tinta, pinto o que está desbotando, compro pedaços de guarda-roupa em brechó e coloco como guarnição nas portas… Gosto de fazer cenários, de celebrar a vida.

Gosto também de cuidar da aparência das pessoas, consertar a coluna, abrir o peito, fazer tranças…

O que deixa o olhar bonito é ver qualidades nas pessoas, o que deixa a boca bonita é o sorriso e o que nos deixa em forma é dividir a comida.

De tudo o que eu gosto de embelezar, atinjo o auge quando decoro o altar do sr. Chaitanya. Tenho uma espécie de êxtase colhendo as flores e oferecendo para ele com minha mente presente no ato. Depois de limpar e decorar tudo, mergulho nas oferendas e entrego junto o meu afeto e consideração. É o que eu vou levar dessa vida. Me emociono com o belo.

Adoro o ashram, nunca gosto de sair daqui, é o meu lugar no mundo, nunca vi um ashram tão lindo. Todo setembro as flores se manifestam com muita força e trazem alegria, pássaros e inspiração.

Vacas

Com um sentimento especial, comprei R$500 de ração extra pras vacas por que o pasto está muito seco. Passei o resto do dia bem, sentindo que fiz algo auspicioso…

No dia seguinte, minha vaca Sundari veio até a porta da minha casa (isso não é normal). Esse tipo de sentimento e compreensão é pra mim o resultado de muita prática de yoga. Gostaria de citar a importância de para os yogis de adorar e proteger as vacas. Vários semi-deuses moram nelas.

Não é sobre ser vegetariano que estou falando, Hitler era vegetariano… Ser vegetariano faz bem para saúde, e é apropriado para quem pratica Yoga com seriedade. Estou falando de adorar a vaca, escová-la, alimentá-la, fazer doações, conversar com ela. Achamos que cumprimos com o ahimsa (não violência) porque somos vegetarianos. Ainda estou no primeiro passo do Yoga e nem ahimsa conquistei.

Gostaria de ser pacífica, delicada, humilde e tolerante. Ainda não tenho essa realização… mas vou ter!”