O Coração Compassivo de Bhakti Vinod Thakur

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foto: saintsalive.net

Por Sripad Bhakti Kamal Tyagi Maharaj, 2017

O aparecimento de Srila Bhakti Vinod Thakur é sempre uma ocasião muito feliz. Escutamos que Srila Saraswati Thakur instruía que a prasadam neste dia devia ser oferecida a partir de 8 hs da manhã e durante todo o dia. Ele queria uma grande celebração, queria todo mundo feliz nesse dia. Ele tinha uma convicção intensa nele. Ele sentia e dizia que qualquer pessoa que viesse a sentir a menor apreciação, inspiração, a capacidade de admirar Bhakti Vinod Thakur, ele estava pronto para correr e servir estas pessoas, vir derramar sua gentileza sobre elas.

Nesse livro que Srila Gurudev compôs, Paramārtha-dharma-nirṇaya, ele menciona isso na introdução: “Estamos aqui publicando alguns trechos dos escritos de Srila Bhakti Vinod Thakur, e estamos confiantes que ao fazermos isso, que é dar às pessoas mesmo um pequeno gosto introdutório a estes escritos, que isso vai extrair alguma apreciação por ele, deles, e então será certo que eles conseguirão a misericórdia de Srila Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur.”

E qual era a convicção extrema de Saraswati Thakur? Escutamos Guru Maharaj contar que uma vez um homem veio combatendo um ponto feito por Bhakti Vinod Thakur, e Saraswati Thakur ficou muito grave, e pegou a tulasi mala, e falou: “Com essa tulasi mala em minhas mãos eu juro a você que o que Bhakti Vinod Thakur falou é a verdade. E vai acontecer.” E com tal convicção ele falou sobre algo que iria acontecer no futuro. Ele realmente o via como o Rupanuga-vara: ou o melhor dos Rupanugas. Alguém que veio e realmente mostrou o que é ser um Rupanuga.

Há uma conhecida glorificação a Bhakti Vinod Thakur feita por uma proeminente personalidade de seu tempo, chamado Srila Kumar Gosh, que era um apreciado escritor e intelectual da sociedade àquela época, e em um encontro memorial em homenagem a Bhakti Vinod Thakur após sua passagem, ele o chamou de o 7º goswami, saptam goswami, e depois isso foi repetido por muitos.

Mas escutamos de Srila Gurudev o que ouso dizer que é um declaração melhor: não é que Bhakti Vinod Thakur é o 7º goswami, mas que ele é a forma combinada de todos os Goswamis: nele encontramos o trabalho de Kaviraj Goswami, de Narottam Thakur, de Jiva Goswami, Rupa Goswami, Sanatan Goswami, Das Goswami. Vemos na vida dele as funções, as contribuições de todos eles combinadas. Alguém que veio no momento da maior necessidade: abhyutthānam adharmasya (Bg 4.7), quando adharma está cobrindo a sociedade, dharma-samsthapanarthaya (Bg 4.8) então o Senhor manda Seus associados para restabelecer completamente o dharma.

E Guru Maharaj dá uma descrição muito legal disso em seu Bhakti Vinod Viraha Dasakam, dizendo que quando Bhakti Vinod Thakur apareceu qual era a condição da sociedade? E ele deu alguns indicativos: que as pessoas faziam caridade e filantropia apenas para adquirir pratishta para si próprias, pessoas que executavam austeridades, e tentavam adquirir poderes sutis apenas para ter poder de inimigo sobre os outros, pessoas engajadas em japa, ou outras práticas de devoção apenas para provar suas próprias conquistas e habilidades, como um ginasta. Yoga era executado apenas para o bem-estar da saúde. E um grande indicativo de degradação da sociedade é que o yoga seja executado para a saúde. E o pior de tudo, que ele diz, é que em nome de raga-bhajan, adultério e tantos outros atos baixos eram executados. Nessa época, também, a liderança da sociedade, os intelectuais da sociedade, eles mesmos estavam confusos sobre como resolver as coisas, sobre o que realmente era certo. Uma coisa é se a noção do padrão, do que é certo e errado está clara, e as pessoas desobedecem-no. Mas um problema muito maior é quando a ideia do que é padrão, ela mesma está degradada. Então o que se fará? As pessoas pensam que estão corretas, e fica tudo muito mais difícil.

Então Bhakti Vinod Thakur nasceu no meio dessa bagunça. E sua tarefa era mostrar ao mundo que o que tinha se tornado uma coisa desprezível na sociedade bengali, um assunto para os bandoleiros, que a origem daquilo era de fato a forma mais elevada e digna de cultura espiritual.

Pegar o que está na rua, e está sendo feito por pessoas consideradas marginais, e mostrar que estas coisas são as mais elevadas. Essa foi a tarefa dele. E quando você pega tal tarefa é como começar uma revolução cultural, restabelecer a dignidade de algo. E isso é mais difícil do que fazer algo novo. Como se diz, é mais difícil ensinar alguém que acha que sabe fazer algo, do que alguém que não sabe mesmo.

Então quando as pessoas já têm esses equívocos, essas ideias estereotipadas, vir e mudá-las, isso é muito difícil e requer a mais alta dignidade, a mais alta pureza de caráter, e uma convicção extrema.  E Bhakti Vinod Thakur foi bem sucedido, e com seus escritos, sua propagação, sua organização social, por ele ter usado seu magistrado como uma alavanca na sociedade,  ele inspirou um grande movimento, que agora está espalhado por todo o mundo. E ele inspirou as pessoas a tomarem esse caminho em meio a grandes obstáculos, a grandes oposições.

Bhakti Vinod Thakur nas palavras de Gurudev tinha um humor e estilos sempre educados, ele era muito gentil e tinha uma natureza boa em suas relações, mas ao mesmo tempo ele nunca hesitou em falar o que era a verdade. Como o exemplo que Gurudev contou de Puri, quando ele se encontra com um sadhu socialmente reconhecido à época, que se dizia representar os Gaudiya Vaishnavas, mas que era um tipo de sahajiya, e Srila Saraswati Thakur desde criança tinha feito o voto de nunca se aproximar 100 pés de um sahajiya. E uma dia essa pessoa veio falar com Bhakti Vinod Thakur. E Bhakti Vinod Thakur sempre falando a verdade com ele, mas de maneira gentil. Porém o estilo de Saraswati Thakur não era esse, ele nem interagia com essas pessoas. E quando ele veio para seu dandavat a seu pai, ele ofereceu o dandavat de longe. O convidado sentiu o brilho de Srila Saraswati Thakur, e perguntou por que o menino não veio prestar sua reverência mais perto. A resposta foi direta: “Ele fez o voto de não se aproximar 100 pés de um sahajiya, e você é um pakva sahajiya.” Ele era gentil, doce, mas falava a verdade. Esse era seu estilo. Em escrita ele era muito agudo, ele fazia seus pontos de maneira forte, mas racionalmente, estável, de fácil compreensão. Quando o leem, as pessoas pensam: “que homem legal, sábio.” Mas se seguem o pensamento dele chegam a uma conclusão muito aguda!

Gurudev dizia que a corrente que ele trouxe ao mundo, a Rupanuga-dhara, é comparável ao Ganga e ao Saraswati. Sabemos que para puja tudo é purificado com água do Ganges antes de ser oferecido, então, a função do Ganges é essa: purificar tudo que for oferecido ao Senhor. Os ensinamentos de Bhakti Vinod Thakur, inspirados no princípio de yukta-vairagya, que é ver tudo em conexão e a serviço de Krishna, ver que tudo pertence a Krsna. Com essa compreensão das coisas, assim ele purificou o ambiente.  Em particular em seu Saranagati ele ensina como ver a família, a casa, a ocupação, as obrigações convencionais de uma maneira espiritual, mais ou menos como Nyasi Maharaj se referiu. E ao adotar esse humor de uma alma rendida, aplicando o princípio de yukta-vairagya, então tudo se torna puro. À medida que se for sincero, todos os engajamentos se purificam.

Como o Ganges ele espalhou essa pureza pelo mundo, e como o Saraswati, que é conhecido como aquele que pode revelar a mensagem, ou a descrição clara das coisas. Saras significa palavras, ou fala, wati, aquela que carrega. Então aquele que carrega as palavras, e expressões. A função de Saraswati é comparada com a transmissão da compreensão mais alta, da mensagem refinada. Como o Saraswati ele veio e bateu o oceano de leite das escrituras produzidas por Vedavyas, e ele produziu e distribuiu livremente a manteiga de Krishna-prem. Se todos os sastras são como leite, ele bateu isso e distribuiu a manteiga. Manteiga não é algo barato, mas algo que se consegue com muito trabalho. Ele fez esse trabalho e fez uma distribuição muito liberal dessa substância refinada.

E como ele fez isso? Guru Maharaj escreveu um verso resumindo isso:

guru-daṁ grantha-daṁ gaura-dhāma-daṁ
nāma-daṁ muda bhakti-daṁ bhūri-daṁ
vande bhakti-vinodakaṁ sadā [8]

guru–do mestre espiritual; dam–doador; grantha–das escrituras; dam–doador; gaura–de Śrīman Mahāprabhu; dhāma–a morada; dam–doador; nāma–do Nome; dam–doador; mudā–felicidade; bhakti–da devoção; dam–doador; bhūri–abundância; dam–doador; vande–Eu ofereço minha reverência; bhakti-vinodakaṁ–Śrī Bhakti Vinod Ṭhākur; sadā–sempre. [8]

“Eternamente com alegria nos curvamos a Bhakti Vinod Thakur, porque ele nos deu Guru, grantha, Gaura-dham, Nam, bhakti, e muito mais, bhūri-daṁ.”

Ele é realmente um bhūri-dā janāḥ, essa frase que é a frase favorita dos Gaudiya Vaishnavas, que vem a nós de uma expressão muito refinada do Bhagavatam [10.31.9], dos lábios de nada menos que as gopis de Vrndavan.

tava kathāmṛtaṁ tapta-jīvanaṁ
kavibhir īḍitaṁ kalmaṣāpaham
śravaṇa-maṅgalaṁ śrīmad ātataṁ
bhuvi gṛṇanti ye bhūri-dā janāḥ

[“Ó Krishna, estamos sempre sofrendo neste mundo, mas apenas por ouvir o néctar de Suas palavras e Passatempos nos dá vida. E o efeito colateral disso, ele remove todas as nossas reações pecaminosas. Esse tipo de audição é auspiciosa e nos enche de riqueza espiritual. Aqueles que entregam esta mensagem da personalidade de Deus estão fazendo o mais alto trabalho de socorro para a sociedade humana e são, na verdade, os maiores humanitários.”]

bhūri significa abundância, aquele que distribui algo em abundância. bhūridāḥ, ou bhūri-dā janāḥ, alguém que distribui algo em abundância, ou que dá um presente muito abundante. Então aqui se diz que aquele que é para ser apreciado como um bhūri-dā janāḥ, a pessoa mais magnânima, que é a pessoa que distribui Krsna kathāmṛtaṁ, que nos dá o néctar da fala de Krsna, que nos dá alguma consciência de Krsna,  essa consciência de Krsna sendo amrta para aqueles que estão sofrendo. Que dá o prospecto da imortalidade para aqueles que estão encarando a mortalidade. O prospecto do alívio para aqueles que estão sofrendo.

E é kavibhir īḍitaṁ [pelos intelectuais] īḍitaṁ [descrito]: algo que foi expresso e adorado por todos os grandes poetas, intelectuais, pessoas de pensamento refinado. E kalmaṣāpaham: algo que pode remover, não apenas nossas reações pecaminosas, mas nossa tendência a pecar. Esse tipo de néctar, de remédio pode remover ambos: as consequências prévias de nossas ações, e a tendência a se engajar na direção errada. Isso pode aliviar o sofrimento presente, futuro e o passado. śravaṇa-maṅgalaṁ śrīmad ātataṁ: nos traz a maior fortuna. Apenas por escutar, a fortuna espiritual mais elevada pode ser conquistada. śrīmad ātataṁ: completamente cheio de beleza divina.

O verso pode ser explicado de várias maneiras, mas a pessoa que dá Krsna-katha ao mundo, essa pessoa é um bhūri-dā janāḥ. E não apenas Krsna-katha, mas em sentido mais amplo, o néctar da consciência de Krsna. Essa pessoa é um bhūri-dā janāḥ. Bhakti Vinod Thakur é essa pessoa, que nos deu esse Krsna-katha. Mas de uma maneira grandiosa. Não apenas o katha por si.

Claro que ele deu katha em seus escritos, mas mais do que isso, ele nos deu o lugar definitivo para cultivar esse Krsna-katha, Sri Nabadwip Dham, o lugar dos Passatempos de Mahaprabhu. Ele nos deu Guru, o representante, o falante desse Krsna-katha, a pessoa que pode demonstrar esse poder, essa dignidade, completamente. Ele não deu apenas a mensagem, mas deu o mensageiro.  Isso é muito significante.

Hoje em dia vemos isso. A diferença entre ter o produto e vender o produto. Vemos isso em nossa vida moderna. Hoje é muito fácil produzir, mas há a dificuldade de vender e fazer a propaganda. As pessoas gastam mais tempo com a propaganda do que com a produção. Entrar em sintonia com o mercado e fazer as pessoas apreciarem seu produto é o mais difícil.

Bhakti Vinod Thakur fez isso, ambas essas funções ele apresentou na forma escrita e em seu exemplo de vida essa mensagem de maneira muito sólida. E ao mesmo tempo ele introduziu a organização de um mecanismo que traz isso às pessoas.

E mais e mais importante, ele fez o mensageiro representante, que levaria de porta em porta, que se preocuparia com que isso fosse espalhado por todo o mundo na forma de Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur. Por isso Guru Maharaj coloca em primeiro lugar na lista dos presentes de Bhakti Vinod Thakur: Guru-dam. Ele deu o Guru.

E tristemente Guru Maharaj fez um verso especificamente sobre isso, mas que não temos nenhuma documentação dele, talvez algum dia o encontremos. Me lembro uma vez sentado com Gurudev e ele tentando se lembrar desse verso. Ele se lembrava das primeiras palavras. Mas nesse verso Guru Maharaj compara Bhakti Vinod Thakur a Vedavyas, e Sukadev Goswami a Srila Saraswati Thakur. Sukadev Goswami, brahmachari de nascimento, renunciado, mensageiro da mais elevada mensagem. Saraswati Thakur, brahmachari desde o nascimento, estrito, renunciado e perfeito transmissor da mensagem.  Vedavyas: escritor, grhasta. Bhakti Vinod Thakur: escritor, grhasta.

Como Gurudev disse, Vedavyas gostava da floresta, da vida simples, e Bhakti Vinod Thakur também. Em seu Sharanagati, ele advogava a vida de grhasta, e um cultivo modesto da consciência de Krsna. Mas como Sukadev Goswami veio e deu preferência total ao interesse absoluto, ignorando todos os interesses relativos, Saraswati Thakur veio e disse: “Nós não temos tempo para mais nada. Temos que utilizar toda nossa energia em sua máxima eficiência por essa causa absoluta. E deixe as circunstâncias relativas se ajustarem por si.” Ele queria esse estilo ativo revolucionário. Dessa maneira o paralelo entre Vedavyas/Sukadev, e Bhakti Vinod Thakur/ Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur.

E em particular também ele deu Nabadwip Dham. Sabemos todos da pesquisa, dos vários sonhos e eventos extraordinários, e indicações divinas que ele recebeu, e que o permitiram encontrar o lugar de nascimento de Mahaprabhu e também compor Sri Nadabdwip-dham-mahatmya, nos explicando todos os lugares de Nabadwip Dham.

E seguindo isso, pela organização de Srila Saraswati Thakur e depois por Srila Gurudev, os devotos estão engajados no parikrama, se engajam em ir por todos esse lugares, para a satisfação de Mahaprabhu e Nityananda Prabhu  engajados em Hari-Nam-sankirtan e em Hari-katha de manhã até à noite,  e são dias muito alegres, todos os anos.

E isso também se torna o centro de onde os ensinamentos de Mahaprabhu foram espalhados para todo o mundo. E essa era a visão de Bhakti Vinod Thakur, e essa visão dele, podemos dizer, da distribuição dos ensinamentos de Mahaprabhu, ele viu que ele iria espalhar isso a priori , um termo usado por Kant em filosofia, se vocês são familiarizados com estas coisas. Entender algo a priori significa que simplesmente pela natureza da coisa, antes de se considerar o contexto ou a circunstância em que se está você já pode saber o ato, ou alguma função que aquilo irá exercer.  A propriedade das coisas já fala por ela. Isso é saber algo a priori.

A visão de Bhakti Vinod Thakur foi que ele utilizou essa frase: prema-dharma. Prema-dharma é tal que quando as pessoas podem ver que o ideal mais elevado de todo o dharma, da religião é amor puro altruísta. E não é por alguma entidade ilusória, mas pela Suprema forma original do Ser Supremo, um princípio que é tão completo, tão auto evidente em caráter, que tem o potencial de tal satisfação para todo ser vivente, em detrimento de ninguém,  que necessariamente será apreciado por todas as pessoas inteligentes. Por todas as pessoas de pensamento claro, ela deve ser apreciada como a ideia mais refinada de dharma, a ideia mais refinada de yoga, de religião, ou o que quer que você queira chamar isso. Então é apenas uma questão de tempo, para que todas as pessoas por todo o mundo escutem e venham abraçar isso. Essa era a visão dele: “Simplesmente olhe o conceito, e assim deve acontecer.” O ambiente político, social, nós não nos importamos com isso. Isso tem seus altos e baixos como sempre. Mas olhe esse conceito, assim que ele for conhecido pelas pessoas, qualquer uma livre de preconceito irá automaticamente aceitá-lo. E estamos vendo isso.

Mas Srila Gurudev mencionou: “Nós escutamos esse tipo de declaração de Bhakti Vinod Thakur, e nós acreditamos nela, mas não esperávamos que isso acontecesse, e que testemunharíamos estas coisas. Pensávamos que sim, um dia isso iria acontecer. Mas eu vi, no meu tempo de vida que tal processo aconteceu, e em tal ritmo, que isso é um milagre total para mim.”

Como Guru Maharaj descreveu, isso é o que Bhakti Vinod Thakur viu com seus olhos divinos. Então se conseguirmos ser alguma partícula minúscula nessa visão de Bhakti Vinod Thakur, se conseguirmos ser de alguma maneira engajados como algum instrumento em qualquer escala para de alguma maneira aumentar a realização dessa visão, esse é o cumprimento de nossas vidas. Ter qualquer tipo de conexão, naquilo que Saraswati Thakur chamou de Bhakti Vinod parivara, a família estendida de Bhakti Vinod Thakur. Todos que vieram escutar o que ele descreveu no Sharanagati, ou que ele sistematicamente delineou no Chaitanya-siksamrta, Jaiva-dharma, Dasa-mula-tattva, e outros lugares. E virmos a aspirar, a realizar, que o ideal que ele deu no prema-dharma, esse é o cumprimento de nossas vidas. Nós sentimos isso naturalmente, diretamente, automaticamente. E isso nos energiza a cada dia a nos engajarmos em nosso serviço a nosso Gurudev, aos Vaisnavas, e a compartilhar isso com as pessoas do mundo. E nos sentimos tão perto de Bhakti Vinod Thakur. Quando lemos seus escritos, ele está ali! Ele esteve ali com tal atenção, com tanto cuidado compondo estas coisas noite após noite. Um sentimento muito doce, ver quanto cuidado ele teve em se certificar que vamos entender, sentir o que ele escreveu. É um derramamento de compaixão e genialidade ao mesmo tempo. E Bhakti Vinod Thakur quis fazer isso em grande escala. Ele adquiriu uma impressora e começou o Sajjan-tosani. Ele assumiu as conveniências da sociedade para espalhar estas coisas.

Bom, muitas coisas podem ser ditas: guru-daṁ grantha-daṁ gaura-dhāma-daṁ nāma-daṁ, o presente do Santo Nome que ele deu, a maneira como Bhakti Vinod Thakur cantava, também escutamos que Guru Maharaj contou outra passagem em que um devoto que escutou que Bhakti Vinod Thakur poderia falar de maneira muito bela sobre o Santo Nome, e veio e disse: “Queremos escutar de você sobre a glória, sobre o poder do Hari-Nam.” E aquilo mexeu muito com Bhakti Vinod Thakur, sua voz começou a vacilar, e aquele devoto depois se lembrou que todos os sintomas de êxtase divino descritos nas escrituras, no Chaitanya-charitamrta, e que foram sentidos por Mahaprabhu quando Ele cantava o Santo Nome, nós observamos todas estas coisas na forma de Bhakti Vinod Thakur.

E esse exemplo é descrito na última canção do Sharanagati, Śrī Nāma-Māhātmya, e tem uma gravação de Guru Maharaj falando sobre ela, que está na conclusão do A Busca Por Sri Krsna. E a canção começa com kṛṣṇa-nāma dhare kata bala, quanto poder há no Nome de Krsna. Depois ele diz, karṇa-randhra patha diyā, hṛdi mājhe praveśiyā, entrou pelo meu ouvido e foi derramado em meu coração. Esse néctar do Santo Nome, comparado à chuva  em um deserto seco. E então a linha que Gurudev sempre recitava: hṛdaya ha-ite bale, jihvāra agrete chale, pela força o Nome vem do meu coração e vai para a ponta da minha língua. śabda-rūpe nāche anukṣaṇa, e então continua a dançar aí na forma do Nome. E esse som é o suddha-Nam, o Santo Nome. Esse Nome que vem à força, faz a língua cantar. Ele fala da grandeza do Nome. O efeito de se cantar o Santo Nome.  E então ele segue descrevendo os vários sintomas que ele sente com o Nome que por fim ele chama de upadrava, um grupo de sintomas que são como uma devastação, que estas coisas vieram com tal intensa força que desnortearam meu corpo, que agora está no chão, pálido, perspirando, os pelos arrepiados, e o corpo não consegue resistir a essa intensa voltagem. Como quando vemos uma força excessiva passando por algo então há algumas explosões, faíscas, e depois fica queimado. Isso o que ele diz, que não consegue suportar estas coisas. kṛṣṇa-nāma ichchhā-maya, yāhe yāhe sukhī haya, sei mora sukhera sambala, por fim Krsna, os Nomes de Krsna, são extravagantes, Ele se move de acordo com Seu desejo, não o meu e nem o de ninguém mais. E se isso é a maneira pela qual o Nome de Krsna deve ser satisfeito, que assim seja. Devo aceitar isso como a base de minha satisfação. A satisfação do Nome seja a minha satisfação. Em outras palavras, que o Nome faça o que quiser comigo. Se Ele quer me sobrecarregar, vir com tal força que meu corpo não suportará, então que seja assim.

E por fim ele conclui todo o Sharanagati assim: se você pode se render dessa maneira, como descrito em todo o livro, então o resultado, Bhakti Vinod Thakur dá o descenso do Santo Nome como influência. Porque nos é dito na Rupanuga sampradaya que nossa aproximação do divino é estritamente nessa sequência: Nam, Rup, Guna, Lila. Que uma conexão substancial com o divino será sempre nessa sucessão. Primeiro o Nome, então a Forma, então a Qualidade, e depois o Passatempo. E Saraswati Thakur é cortante a esse respeito. Assim ele fez o Prakrta-rasa-sata-dusani, dizendo que qualquer um que clama ter experimentado Rupa, Guna ou Lila, sem ter primeiro experimentado suddha-Nam, são todos sahajiyas. Isso nunca vem em nenhuma outra ordem. Nunca é que primeiro vem o Lila, então vem o Nome. O Senhor sempre descende gradualmente. Primeiro em sua conexão mais remota, depois gradualmente em conexão mais intensa. Então geralmente falando, o ponto mais remoto de contato é através do Hari-Nam.

Se tomamos o caminho de sharanagati, o caminho da devoção pura, e chegamos a ter conexão com Krsna, onde isso começará? Isso começará com Hari-Nam, com a experiência total do Nome puro. E aí em seguida, estas outras coisas mais elevadas devem vir. Mas Bhakti Vinod Thakur conclui o Sharanagati apenas descrevendo o descenso do Santo Nome. Apenas descrevendo o poder do Santo Nome. E isso é o suficiente! Que tipos de sentimentos vêm em conexão com Rup, Gun, nem é necessário descrever. Apenas a intensidade incrível, a maravilha de se ter uma experiência real do Nome puro, isso é tão grandioso, tão elevado. Isso é muito, mais do que suficiente para indicar para onde devemos direcionar nossa aspiração. Então ele conclui Sharanagati descrevendo isso, e descrevendo as influências que o Nome puro tem sobre seu corpo, seu coração, sobre sua mente. E a rendição dele a isso. “Que a Sua felicidade seja a minha felicidade”, isso está no Sharanagati, essa é a conclusão do Siksastakam.

E por fim ele disse, como Guru Maharaj notou, não me lembro do sloka agora, mas o significado é que tendo passado pela experiência, e tendo sentido que o Hari-Nam é exatamente o que é descrito sobre Ele, e ele então se refere ao verso que Mahaprabhu disse:  nāma chintāmaṇiḥ kṛṣṇaś, chaitanya-rasa-vigrahaḥ (Sri Bhakti-rasamrta-sindhu: Purva-vibhaga, 2.233), que o Santo Nome é uma joia que satisfaz os desejos, é uma forma divina de Krsna Ele mesmo. Não diferente de quem Ele nomeia, puro, eterno, liberado. É dito que o Nome é isso, e por fim eu senti que: “Sim! Sem dúvida Ele é assim! Completamente! E mais satisfatório do que jamais poderíamos imaginar!” E por fim ele diz: “Então sentindo e sabendo agora que o Santo Nome é exatamente isso, então deixe-me morrer no esforço de remover os obstáculos ou ofensas que surgem com o cantar desse Santo Nome nesse mundo, tanto para mim quanto para os outros. Em outras palavras, esse gosto do Santo Nome é tão bom, que estou pronto para sacrificar minha vida para que qualquer outra pessoa sinta isso também. Essa intensidade de sacrifício, nos é dito, é o efeito do cantar do Santo Nome. Que sentindo tal gosto com o Santo Nome, a pessoa sente como se, em primeiro lugar ela não pode resistir a Ele, segundo que é muito além de qualquer coisa que se possa possuir, e terceiro que é tão satisfatório que dá um desejo irresistível de compartilhar com outros a ponto de deixar sua própria oportunidade para que outra pessoa possa experimentar isso. Tal sentimento intenso.

E Guru Maharaj fez uma observação muito legal sobre esse ponto, porque a palavra que Bhakti Vinod Thakur usa, é balai, que não é uma palavra comum em bengali. Uma vez eu estava dando uma aula em Bengal, e me referi a esse verso, e outros de Bhakti Vinod Thakur em que ele usa essa palavra, e um devoto antigo, que vem sempre ao Math, no final da aula me perguntou que palavra era essa, balai, que nunca tinha escutado. Então apenas com essa indicação podemos entender que não é uma palavra facilmente compreensível. E eu também tinha uma questão, sobre o real significado dela. Então escutei em uma aula Guru Maharaj explicando tão bem. Bālāi, em geral no dicionário significa algum obstáculo, impedimento. Mas o que ele explica é que balai se refere a bala, ou uma criança e algo que vem prejudicá-la quando ela ainda não pode cuidar de si. Isso é balai. Então perigo, impedimento. Coisas que uma pessoa não é capaz de compreender o significado delas, e  mesmo assim prejudicam-na. E aí é a obrigação dos outros virem e te resguardar disso. Então ele compara todos os tipos de Nam-aparadh a isso, em outras palavras coisas que as crianças lutam e ficam suscetíveis. Mas que os maduros, os sábios, tiram de letra.

“Então que eu possa remover esses elementos da vida das pessoas.” Isso ele sentia. Gurudev também comentou que às vezes Bhakti Vinod Thakur chorava e implorava para Deus: “Como você pode deixar as pessoas desse mundo assim? Por favor envie alguém para retificar isso, por favor venha e faça com que as pessoas consigam o que elas precisam de Você. Você é tão belo, tão glorioso, o prospecto da alma com você na eternidade é tão grande. É tão triste ver as pessoas vivendo na ignorância”. No começo, em Jagannath Puri, ele orou dessa maneira, e ele conseguiu Bimala Prasad, Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur!

Mas eu também escutei uma história, de que em seus dias finais, quando ele estava muito doente, então ele recebe uma carta de uma pessoa reclamando dos equívocos, e tantos problemas que a pessoa vivenciava em sua área, sobre outras pessoas propagando ideias erradas, e essa pessoa estava muito chateada e pediu a ajuda de Bhakti Vinod Thakur. Naquela época Bhakti Vinod Thakur estava muito idoso,  sem saúde, e foi tão doloroso escutar isso no final de sua vida, exatamente sobre o que ele tinha se dedicado a combater. Ele estava em Kolkatta, e mesmo Saraswati Thakur tentou prevenir essa carta de chegar a ele. Bhakti Vinod Thakur ficou indignado que não haveria uma alma pura que viria para mostrar o que é a pureza nesse mundo. Que o Senhor não mandaria nem um mensageiro puro para cumprir tal propósito. Então Prabhupad prestou sastanga dandavat e disse: “Se é o seu desejo, estou pronto a dedicar toda minha energia ao cumprimento disso.”

E logo depois disso ele foi para o famoso debate sobre o “Brahman e o Vaisnava” e ele saiu de lá tão gloriosamente, ferozmente glorioso naquele dia. E Bhakti Vinod Thakur teve notícia disso. Então, esse coração compassivo de Bhakti Vinod Thakur, nele, as orações desejaram toda a fortuna do mundo. Toda boa fortuna em nossa vida, podemos vê-las como tendo sua origem ali, em seu coração compassivo, derretido, tão suave, com a forma pura do Hari-Nam, com a forma divina de Sri Chaitanya Mahaprabhu, e o amor divino pelo qual Ele existiu, o qual ele veio ao mundo repartir.