Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam

Jagannath-pata-chitra

A seguir, uma tradução do Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam publicada na segunda edição do Śrī Gauḍīya-gītāñjali por Śrīla Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswāmī Mahārāj. O texto foi composto por Śrīpād Śaṅkar Āchārya na métrica de dezessete sílabas conhecida como Śikhariṇī e foi recitado por Śrī Chaitanya Mahāprabhu perante o Senhor Jagannāth.
শ্রীশ্রীজগন্নাথাষ্টকম্
Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam
শ্রীশ্রীজগন্নাথদেবায় নমঃ।
śrī-śrī-jagannātha-devāya namaḥ
Reverência a Śrī Śrī Jagannāthdev

Śrī Bhakti Lalitā DD cantando
কালিন্দীতট কালিন্দীতট-বিপিনসঙ্গীত-তরলো
বদনকমলাস্বাদ-বদনকমলাস্বাদ-মধুপঃ।
শম্ভু-শম্ভু-ব্রহ্মামরপতি-গণেশার্চ্চিতপদো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥১॥
kadhachit kālindī-taṭa-vipina-saṅgīta-taralo
mudābhīrī-nārī-vadana-kamalāsvāda-madhupaḥ
ramā-śambhu-brahmāmara-pati-gaṇeśārchita-pado
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [1]
kadāchit–Às vezes taralaḥ–balançando saṅgīta–com a canção vipina–nas florestas, taṭa–nas margens kālindī–do Yamunā, [Ele é a] mudā–alegre madhupaḥ–abelha (lit. ‘bebedor de néctar’) āsvada–saboreando vadana–[as] faces kamala–de lótus ābhīrī–das vaqueirinhas nārī–mulheres, [enquanto Seus] padaḥ–pés [são] archita–adorados ramā–por Lakṣmī, śambhu–Śiva, brahmā–Brahmā, pati–o rei amara–dos imortais (Indra), [e] gaṇeśa–Gaṇeśa. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [1]
Às vezes, balançando ao som de uma canção nas florestas, nas margens do Yamunā, Ele é a alegre abelha saboreando os rostos de lótus das mulheres vaqueirinhas enquanto Seus pés são adorados por Lakṣmī, Śiva, Brahmā, Indra e Gaṇeśa. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
saṅgīta-taralo: “Balançando ao som musical.” Algumas versões do texto têm saṅgītaka-ravo, “Cantando (ravaḥ) em meio ao concerto (saṅgītaka)”.
ভুজে সব্যে বেণুং শিরসি শিখিপিচ্ছং কটিতটে
সহচর নেত্রান্তে সহচর-কটাক্ষং বিদধতে।
বৃন্দাবন শ্রীমদ্ বৃন্দাবন-বসতি-লীলাপরিচয়ো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥২॥
bhuje savye veṇuṁ śirasi śikhi-pichchhaṁ kaṭi-taṭe
dukūlaṁ netrānte sahachara-kaṭākṣaṁ vidadhate
sadā śrīmad-vṛndāvana-vasati-līlā-parichayo
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [2]
[Com] veṇum–a flauta bhuje–em [Sua] mão savye–esquerda, pichchham–uma pena śikhi–[de] pavão śirasi–em [Sua] cabeça, dukūlam–roupa fina kaṭi-taṭe–em volta [de Seus] quadris, vidadhate–Ele lança kaṭākṣam–olhares longos de lado, ante–dos cantos netra–de [Seus] olhos sahachara–para [Seus] companheiros [ enquanto Ele está] sadā–continuamente parichayaḥ–na prática dos līlā–Passatempos [na] śrīmat–bela vasati–morada vṛndāvana–de Vṛndāvan. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [2]
Com a flauta na mão esquerda, uma pena de pavão na cabeça e um fino tecido em volta dos quadris, Ele lança olhares longos e laterais dos cantos dos olhos para Seus associados, enquanto se envolve continuamente nos Passatempos na bela morada de Vṛndāvan. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
কনক কনক-রুচিরে নীলশিখরে
সহজ প্রাসাদান্তঃ সহজ-বলভদ্রেণ বলিনা।
সুভদ্রা-মধ্যস্থঃ সকল-সুর-সেবাবসরদো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৩॥
mahāmbhodhes tīre kanaka-ruchire nīla-śikhare
vasan prāsādāntaḥ sahaja-balabhadreṇa balinā
subhadrā-madhyasthaḥ sakala-sura-sevāvasarado
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [3]
vasat–Residindo tīre–à margem mahā–do grande ambhodheḥ–oceano [no topo da] śikhare–montanha nīla–azul [de] ruchire–brilho kanaka–dourado antaḥ–dentro [de Seu] prāsāda–palácio balinā–com [Seu] poderoso sahaja–irmão balabhadreṇa–Balabhadra [e] subhadrā–Subhadrā madhyasthaḥ–entre [Eles, que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth, avasaradaḥ–o doador da oportunidade sevā–de serviço sakala–a todos os sura–os deuses, bhavatu–torne-se gami–um viajante [no] patha–o caminho [de] me–meus nayana–olhos. [3]
Residindo à margem do grande oceano, no topo da montanha azul de brilho dourado, dentro de Seu palácio ao lado de Seu poderoso irmão Balabhadra, com Subhadrā entre Eles, que Jagannāth Swāmī, o doador da oportunidade de servir a todos os deuses, apareça diante de meus olhos .
কৃপা-পারাবারঃ সজল-জলদ-শ্রেণি-রুচিরো
রমা-বাণী-রামঃ স্ফুরদমল-পঙ্কেরুহ-মুখঃ।
সুরেন্দ্রৈরারাধ্যঃ শ্রুতিগণশিখা-গীতচরিতো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৪॥
kṛpā-pārāvāraḥ sajala-jalada-śreṇi-ruchiro
ramā-vāṇī-rāmaḥ sphurad-amala-paṅkeruha-mukhaḥ
surendrair ārādhyaḥ śruti-gaṇa-śikhā-gīta-charito
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [4]
[Ele é um] pārāvāraḥ–oceano kṛpā–de misericórdia, [tem] ruchiraḥ–o brilho śreṇi–de uma fileira sajala-jalada–de nuvens de chuva, [é] rāmaḥ–o prazer ramā–de Lakṣmī [e] vāṇī–Saraswatī, [ tem uma] mukhaḥ-face [de] paṅkeruha-lótus amala-imaculada, sphurat-brilhante, [e é] ārādhyaḥ–o objeto de adoração indraiḥ–do maior sura–dos deuses, [e Sua] charitaḥ-glória [é] gīta-cantada śikhā–pelo melhor śruti-gaṇa–dos Vedas. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [4]
Ele é um oceano de misericórdia, tem o brilho de uma fileira de nuvens de chuva, é o deleite de Lakṣmī e Saraswatī, e tem um rosto de lótus imaculado e brilhante; Ele é o objeto de adoração do maior dos deuses e Sua glória é cantada pelas melhores escrituras. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
মিলিত গচ্ছন্ পথি মিলিত-ভূদেব-পটলৈঃ
প্রাদুর্ভাবং-প্রাদুর্ভাবং প্রতিপদমুপাকর্ণ্য সদয়ঃ।
সকল সকল-জগতাং সিন্ধু-সদয়ো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৫॥

rathārūḍho gachchhan pathi milita-bhūdeva-paṭalaiḥ
stuti-prādurbhāvaṁ prati-padam upākarṇya sadayaḥ
dayā-sindhur bandhuḥ sakala-jagatāṁ sindhu-sadayo
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [5]
gachchhan–Enquanto Ele prossegue pathi–ao longo do caminho ārūḍhaḥ–montado ratha–no topo [de Sua] carruagem [e] upākarṇya–escuta [os] stuti–louvores prādurbhāvam–manifestados paṭalaiḥ–pelas multidões milita–reunidos deva–deuses bhū–da Terra, [Ele é] sadaya–gracioso prati–a cada padam-passo . [Ele é] sindhuḥ–um oceano dayā–de graça, sadaya–gracioso sindhu–com o oceano, [e] bandhuḥ–o amigo sakala–de todo o jagatām-mundo . [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [5]
Prosseguindo ao longo do caminho, montado em cima de Sua carruagem, Ele ouve as oferendas de louvor das multidões de deuses da Terra reunidos (brāhmaṇs). Ele é gracioso a cada passo, é um oceano de graça, é gracioso com o oceano e é amigo do mundo inteiro. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
sindhu-sadayo: “Gracioso com o oceano”. Isso se refere ao fato de o Senhor Jagannāth ter aceitado Sua residência e se apresentar em Passatempos nas margens do oceano.

Algumas versões do texto têm sindhu-sutayā: “Junto com a filha (sutayā) do oceano (sindhu)”, significando junto com Lakṣmī Devī.
paraṁbrahmāpīḍaḥ kuvalaya-dalotphulla-nayano
nivāsī nīlādrau nihita-charaṇo ’nanta-śirasi
rasānandī rādhā-sarasa-vapur-āliṅgana-sukho
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [6]
[Ele é] āpīḍaḥ–a joia da coroa paraṁbrahma–da realidade absoluta, [e Seus] nayanaḥ–olhos [se assemelham] dala–às pétalas [de uma] kuvalaya–lótus utphulla–completamente desabrochada. [Ele é] nivāsī–um residente [das] adrau–montanhas nīla–azuis [e] nihita–coloca [Seus] charaṇaḥ–pés śirasi–sobre a cabeça ananta–de Ananta. [Ele] ānandī–tem prazer rasa–em rasa [e se] sukhaḥ–deleita āliṅgana–com o abraço [da] vapuḥ–figura sarasa–encantadora rādhā–de Śrī Rādhā. [Que] svāmī–o Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [dos] me–meus nayana–olhos. [6]
Ele é a joia da coroa da realidade absoluta, e Seus olhos se assemelham às pétalas de uma lótus totalmente florida. Ele é um residente das montanhas azuis e coloca Seus pés no topo da cabeça de Ananta. Ele sente prazer em rasa e se deleita com o abraço da figura encantadora de Śrī Rādhā. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
ন বৈ যাচে রাজ্যং ন চ কনক-মাণিক্য-বিভবং
ন যাচেঽহং রম্যাং সকল-জন-কাম্যাং বরবধূম্ ।
সদা কালে কালে প্রমথ-পতিনা গীতচরিতো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৭॥
na vai yāche rājyaṁ na cha kanaka-māṇikya-vibhavaṁ
na yāche ’haṁ ramyāṁ sakala-jana-kāmyāṁ vara-vadhūm
sadā kāle kāle pramatha-patinā gīta-charito
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [7]
yāche–Eu rezo na vai–nem rājyam–por um reino, na cha–nem kanaka–por ouro, māṇikya–joias, [e outras] vibhavam–riquezas. aham–Eu yāche na–não oro ramyām–por uma bela [e] vara–desejável vadhūm–esposa [como] kāmyām–sonhado por sakala–todos [os] jana–homens. [Que] svāmī–o Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth, [cuja] charitaḥ–glória[é] sadā–sempre gīta–cantada kāle–de momento kāle–a momento patinā–pelo senhor pramatha–dos Pramathas (uma classe de servos experts em dharma e nas artes), bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [7]
Eu não oro nem por um reino nem por ouro, jóias e outras riquezas. Eu não rezo por uma esposa bonita e desejável, como todos os homens sonham. Que Jagannāth Swāmī, cuja glória é sempre cantada de momento a momento pelo Senhor Śiva, apareça diante de meus olhos.
হর ত্বং সংসারং দ্রুততরমসারং সুরপতে!
হর ত্বং পাপানাং বিততিমপরাং যাদবপতে! ।
অহো দীনেঽনাথে নিহিতচরণো নিশ্চিতমিদং
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৮॥
hara tvaṁ saṁsāraṁ drutataram asāraṁ sura-pate!
hara tvaṁ pāpānāṁ vitatim aparāṁ yādava-pate!
aho dīne ‘nāthe nihita-charaṇo niśchitam idaṁ
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [8]
pate–Ó Senhor sura!–dos sábios! [Que] tvam–Você [por favor] drutataram–rapidamente hara–tire [esta] asāram–vazia saṁsāram–existência mundana. pate-Ó senhor yādava–dos Yadus! [Que] tvam–Você [por favor] hara–tire [minha] aparām–infindável vitatim–profusão pāpānām–de pecados. aho–Oh! [Você é conhecido por ter] nihita–concedido [Seus] charaṇaḥ–pés aos pobres [e] anāthe-desamparados; idam–isto é niśchitam-certo. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [8]
Ó Senhor dos sábios! Por favor, leve embora rapidamente esta vazia existência mundana. Ó Senhor dos Yadus! Por favor, leve embora minha interminável profusão de pecados. Oh! Você concede Seus pés aos pobres e desamparados. Isso é certo. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
জগন্নাথাষ্টকং পুণ্যং যঃ পঠেৎ প্রযতঃ শুচিঃ।
বিশুদ্ধাত্মা বিশুদ্ধাত্মা বিষ্ণুলোকং স গচ্ছতি ॥৯॥
jagannāthāṣṭakaṁ puṇyaṁ yaḥ paṭhet prayataḥ śuchiḥ
sarva-pāpa-viśuddhātmā viṣṇu-lokaṁ sa gachchhati [9]
saḥ–Aquele que śuchiḥ–puramente [e] prayataḥ–devotamente paṭhet–recita [este] puṇyam–auspicioso aṣṭakam–poema de oito versos jagannātha–sobre o Senhor Jagannāth, [ se torna] ātmā–uma alma viśuddha–completamente purificada sarva–de todo pāpa–pecado [e] gachchhati–vai para a lokam–morada de viṣṇu-Viṣṇu. [9]
Aquele que puramente e devotadamente recita este auspicioso Jagannāthāṣṭakam se torna completamente purificado de todo pecado e vai para a morada de Viṣṇu.
শ্রীগৌরচন্দ্র-মুখপদ্ম-বিনির্গতং শ্রীশ্রীজগন্নাথাষ্টকং সম্পূর্ণম্।
śrī-gaurachandra-mukha-padma-vinirgataṁ śrī-śrī-jagannāthāṣṭakaṁ sampūrṇam
Assim termina o Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam que foi proferido pela boca de lótus de Śrī Gaurachandra.

*Artigo e imagem originalmente publicados em: https://premadharma.org/sri-sri-jagannathastakam/

Introdução ao Siksastakam – por Vishaka DD (BBB 4/2014)

visaka Introdução: Nesta aula dada ao grupo de estudos, Vishaka DD, faz uma introdução ao Siksastakam diretamente de Soquel, EUA. Abaixo está um resumo adaptado dos principais pontos transmitidos pela Vishaka Devi Dasi durante a conferência. Para saber mais sobre o grupo de estudos e participar das próximas aulas dos Siksastakam clique aqui.

 

 

 

_______ Eu vivi na Índia por muitos anos, como um serviço que Srila Gurudeva me deu. Provavelmente vocês me conheceram lá. Recentemente, por questões de saúde tive que voltar ao Ocidente para alguns tratamentos e recebi convites para ficar em Londres (que passei alguns meses) e em Soquel nos EUA. A comunidade americana tão doce, sob a direção de Srila Janardan Maharaj, conquistou meu coração com sua nutrição então a minha nova rotina deve ser viajar para India e voltar para cá com frequência.

Hoje eu queria compartilhar com vocês a importância do Siksastakam que literalmente quer dizer as 8 instruções, que foram deixadas por Sriman Mahaprabhu. Srila Gurudeva nos disse que Mahaprabhu empoderou seus seguidores para transmitir Seus conhecimentos, assim Srila Rupa Goswami, Srila Sanatana Goswami, Srila Ragunath Goswami, Srila Jiva Goswami e todos na linha da Rupanuga sampradaya.

Nós consideramos todo o conteúdo produzido por Ruga Goswami não-diferente dos ensinamentos de Mahaprabhu trazidos em uma linguagem especial. Os seguidores de Mahaprabhu são praticantes do Harinama Sanktirana movimento trazido pelo Bhavagam Avatar da Era de Kali Yuga (encarnação de Deus na era da degradação). É dito que quem tem a mente focada em porcaria não poderá apreciar este conhecimento, somente quem tem sukrit (boa fortuna espiritual) pode apreciar.

Este processo espiritual é Nama Sankirtan (cantar dos Santos Nomes) e o Siksastakam vem nos ensinar como canta-los, qual é a posição dos Santos Nomes, o que Eles provocam, qual é o humor do cantar adequado. Os Santos Nomes são transcendentais. Então é dito que no começo do movimento as pessoas cantavam e faziam kirtans (sessões de cantos de mantra) muito entusiasmadas, mas estas mesmas pessoas não puderam manter isso e foram se perdendo.

O motivo é porque elas estavam engajando os sentidos mundanos no processo a língua e os ouvidos. Srila Prabhupada explicou isso de uma forma leve, mas quando os seus devotos foram  visitar Srila Guru Maharaj, Ele deixou claro que o processo não era desta forma, então eles retornaram ao ocidente em comoção anunciando a grande revelação: “Nós não estamos cantando os Santos Nomes!”. Existe um poema de Rupa Goswami que diz que tudo que é transcendental está acima dos sentidos e só poderá ser acessado através do serviço devocional no humor apropriado.

Que o serviço talvez possa atrair de alguma forma o transcendental, que o humor apropriado é o oposto do desfrute. No livro de canções Srila Bhaktivinoda Thakur Saranagati (rendição) – existe uma canção que fala que os Santos Nomes entram através dos ouvidos através do mantra proferido por um Vaisnava puro. Este é o primeiro pré-requisito: conexão com uma fonte fidedigna. Então quando isso acontece, Eles vão para o coração que é o centro da nossa existência. E lá Eles ficam adormecidos, até que um ambiente favorável se manifesta, até que o solo esteja fértil.

Quando isso se manifestar Eles saltarão em um estado de dança dentro do coração e forçosamente, irão se impor a língua. Os Santos Nomes irão nos fazer cantar, Eles nos usarão. Será impossível de controlar. Os Santos Nomes não são um objeto que nós cantamos quando desejamos de forma controlada. Eles são superiores a nós. E esta é a perspectiva que devemos adquirir. Temos o mesmo tipo de visão sobre a prasadam de desfrutar a prasadam: “oh eu adoro esse bolo de chocolate, ah este doce está muito bom, por favor me dê mais desta preparação”. Na verdade nós viemos para honrar o remanescente de Deus que se encontra dentro daquela comida, isto é um serviço. Desta forma Eles vão nos ver.

É tão linda a história de Srila Gurudeva quando ele foi ver a deidade do Senhor Jaganath em Puri, que todos vem como uma deidade de forma estranha com Seus olhos grandes e forma distinta. Mas Srila Gurudeva ia e falava “Eu estou aqui” e fazia um sinal de continência. “Eu estou aqui, por favor me veja, você pode ver o bom em mim, o mau em mim e pode fazer com que eu seja quem você gostaria que eu fosse”.

Compartilhamos de uma grande doença neste mundo material, entramos neste mundo de ponta cabeça e o resultado é que vemos tudo invertido, uma imagem pervertida da realidade. Então o que é cima é baixo, o que é direita é esquerda. Os Santos Nomes não são o objeto do nosso cantar, nós somos os objetos dos Santos Nomes. É preciso entender a concepção, ter uma visão apropriada para poder praticar. Srila Saraswat Thakur dizia que a visão real começa no ouvir de um Vaisnava. E através do ouvir então teremos olhos para ver.

Certa vez Srila Saraswat Thakur estava dando uma aula para seus discípulos em Puri sobre Krishna, então certo momento o Aroti estava prestes para começar, então um discípulo começou a se levantar e Srila Saraswat Thakur lançou a ele um daqueles olhares que Srila Gurudeva nos lançava quando fazíamos tolices. O discípulo falou que gostaria de ir ao Aroti. Srila Saraswat Thakur continuou olhando feio para ele mas não o impediu. Quando ao final do Aroti o discípulo voltou, Srila Saraswat Thakur interrompeu sua aula e lhe perguntou: “Você viu o Arati?” e quando o discípulo disse que sim Ele respondeu: “Você não viu nada, porque se tivesse visto, seria incapaz de ter voltado aqui. Quando Sriman Mahaprabuu ia ter o darsham (a visão) da deidade de Jaganath em Puri ele via Krisnha tocando sua flauta e sofria todas as reações corpóreas do extase do amor divino. Então Srila Saraswat Thakur deu muita enfâse a importância de termos uma concepção apropriada.

Srila Gaura Kisora Das Babaji Maharaj viveu como um guru retirado e não teve nenhum discípulo, exceto por Srila Saraswati Thakur. Certa vez havia um falso babaji que fazia a leitura do Bhagavatam por dinheiro e assim reunia milhares de pessoas em sua atividade. Pensando em ampliar sua notoriedade este falso babaji pediu para que Gaura Kisora ouvisse a sua leitura, que recusou inúmeras vezes. Como queria ampliar sua fama, este babaji então começou a recitar o Bhagavatam em frente da choupana de Gaura Kisora e as pessoas ficaram impressionadas pensando: “Olhem, Srila Gaura Kisora está escutando seu recitar”.  Ao final desta sessão um servo pergunto para Srila Gaura Kisori o que ele tinha achado e ouviu então a ordem: “traga por favor estrume fresco para purificar este lugar” (é uma tradição usar estrume para purificar lugar de baixa energia espiritual). O servo chocado disse, mas ele leu uma escritura sagrada, este lugar está mais que purificado ao que ouviu de Gaura Kisori: “você ouviu algo espiritual? Tudo que eu ouvi foi  ‘taka, taka, taka'” (Dinheiro, dinheiro, dinheiro).

Srila Gurudeva nos contou uma vez  outro incidente com Gaura Kisora, que houve um tempo que um imitador o seguiu por meses, imitando tudo o que fazia para se passar por um santo. Um servo perguntou a Gaura Kisori qual era a posição espiritual daquele senhor: “Uma mulher que não está grávida, pode chegar num lugar e imitar perfeitamente os sintomas de um trabalho de parto, pode gritar, suar, fazer força, mas quando é chegado o momento do resultado final, ela não poderá entregar um bebê, nada sairá dela, por ela não carrega nada”. É preciso ter uma concepção antes da prática e isto é o que o Siksastakam nos ensina, qual é a verdadeira concepção sobre os Santos Nomes, antes de ingressarmos no serviço do seu cantar.

Eu gostaria de encerrar esta aula como uma introdução ao Siksastakam, vamos marcar uma próxima aula para entrar devidamente nos oito ensinamentos de Sriman Mahaprabhu.