Não Há Tratamento Alopático Para a Vida Espiritual

Pergunta: Por que a consciência de Kṛṣṇa é difícil?
Resposta: Temos um paradoxo. Por um ângulo podemos dizer que é algo natural, automático, mas por outro lado experimentamos alguma resistência, alguma distração, como assim então? Como é que por um lado é tão difícil, e por outro tão natural? Encontramos no Prapanna-jīvanāmṛtam, e escutamos de Gurudev:

ahaṅkāra-nivṛttānāṁ keśavo nahi dūragaḥ
ahaṅkāra-yutānāṁ hi madhye parvata-rāśayaḥ
(Brahma-vaivarta-purāṇa)

Para aqueles que estão livres do falso ego, o Senhor está muito perto. Mas para os outros que estão presos no falso ego há uma montanha os separando. Para as almas condicionadas, há um sentimento de que é quase impossível cruzar essa montanha. Há outro verso dos Upaniṣads que diz também: tad dūre tad v antike (Īu: 5) [Ele longe, e Ele perto], o que está muito longe e muito perto ao mesmo tempo.

Também recebemos muito encorajamento do Guru-varga [nossos professores sêniores e superiores] e das escrituras. No Gītā, quando Arjuna pergunta por que as pessoas pecam, o que nos motiva a não sermos bons, a não sermos consciência de Kṛṣṇa, o Senhor responde: kāma eṣa krodha eṣa rajo-guṇa-samudbhavaḥ (Bg. 3.37). A causa do pecado é algum desejo, kāma. E kāma é um desejo que está sendo destorcido pelo falso ego. Ichchhā, desejo, é uma função natural da alma. Um elemento da consciência, assim como pensar e sentir. Na linha Vaiṣṇava não queremos destruir essa existência consciente que temos, ou nossa capacidade de desejar, mas ajustá-la de uma maneira que seja saudável. Quando nosso desejo está mal ajustado, se chama kāma, que é um desejo viciado pelo falso ego, e isso é como uma doença da qual sofremos.

Guru Mahārāj em seu comentário do Śaraṇāgati cita Patañjali, e o que ele chama de pañcha-rog, doença de cinco partes. A primeira delas, avidyā [ignorância], é uma falta de consciência do nosso eu verdadeiro, da natureza real das coisas. Depois vem asmitā [egoísmo]. Na falta de uma compreensão apropriada nos identificamos com uma compreensão errônea, e desenvolvemos um ego falso, um senso errado do ego. E aí analisamos tudo o mais no mundo de acordo com o interesse deste falso ego. E isso produz duas coisas, rāga e dveṣa [apego e aversão]: “Quero muito isso, mas aquilo quero rejeitar.” E quando nos movemos em relação a estas duas forças, atingimos o estágio final da doença, abhiniveśa [apego], quando estamos totalmente perdidos no oceano de māyā, completamente imersos. E nos movemos no mundo e vemos tudo errado, tudo de acordo com essa perspectiva construída, e não de acordo com o que aquilo realmente é.

Nesse estágio começamos a adquirir muito karma, a produzir muitas impressões em nossa mente, em nossa inteligência, em nosso corpo sutil. Desenvolvemos hábitos e padrões. E aí vai ficando mais fácil continuar a ser dessa maneira. O padrão estabelecido, o caminho traçado, continuamos a agir dentro disso. E apesar de sofrermos quando agimos assim, só conseguimos dessa maneira. É como em um desenho animado, quando o personagem pisa em um ancinho, ou um rastelo, e o cabo bate de repente em seu rosto. E ele não entende porque isso continua acontecendo. Para o observador é muito óbvio o que está acontecendo, mas para o personagem, ele não entende. Então o sofrimento das almas condicionadas é mais ou menos assim. Em inglês tem um gênero de comédia que se chama ‘slapstick’ (pastelão). Māyā é assim, um grande pastelão. Estamos criando nosso próprio sofrimento, mas aí quando ele vem, saímos perguntando: “Quem fez isso, quem fez isso?” Isso é abhiniveśa, quando estamos completamente imersos nessa falsa realidade e sofremos. Isso é uma doença. E como mencionamos no Gītā, quando estamos dentro deste abhiniveśa, estamos seguindo a força do desejo, que nos motiva a fazermos coisas que são prejudiciais a nós mesmos.

E falhamos em ver o ciclo completo. Por causa do desejo queremos pegar as coisas e desfrutar delas. Mas essa satisfação só dura pouco tempo. Então a reação a isso vem, e pensamos: “Oh não! Essa reação está vindo! Preciso desta outra coisa!” Aí quando consigo outra coisa a reação vem, e preciso de outra coisa mais. E sempre pensamos: “Oh não, preciso é de outra coisa”, e aí sem fim continuamos nisso. Kāma é descrito como o grande inimigo do sábio. E deve ser derrotado. No Gītā é dito que kāma é tão poderoso que supera nosso bom senso e nosso conhecimento.

E por que nos sentamos aqui, e mesmo já tendo escutado estas verdades espirituais tantas vezes, e pelo menos no meu caso, tantas vezes tenho repetido os mesmos erros? Porque existe essa lacuna entre o que eu sei e o que eu faço. Isso é chamado de melancolia. Hari hari! viphale janama goṅāinu [Ó Senhor, minha vida se passou inutilmente]. Eu tive a chance, mas não a utilizei para adorar Rādhā-Kṛṣṇa. Tendo escutado e sabendo o que era, eu ainda assim bebi veneno. Nossa situação é essa. Escutamos estas coisas, e continuamos com nossos padrões. E vemos nestas canções as descrições de uma maneira sentimental, golokera prema-dhana hari-nāma-saṅkīrtana, rati nā janmila kena tāya [por que eu não desenvolvi apego ao Hari-nām-saṅkīrtan, nem pelo amor e riqueza divinos de Goloka?].  Sobre algo que vem do mundo espiritual, que é a vida e a alegria das pessoas que estão lá, por que eu não desenvolvi nenhum gosto por isso? saṁsāra-viṣānale: estou sofrendo no fogo venenoso do saṁsāra. Sei o que preciso fazer para sair disso, mas não faço.

Estas coisas ilustram esse ponto do Gītā. De que jñān é vencido por kāma. E este tipo de desejo material, não é apenas por conhecê-lo que ele se vai. Quando a gente adquire o conhecimento espiritual é como diagnosticar a doença, mas seguir com sucesso a dieta, os exercícios, a recomendação, é bem mais difícil do que diagnosticar a doença.

Bhakti Siddhānta Saraswatī Ṭhākur deu uma analogia, dizendo que o templo é como um hospital, Gurudev o médico, você o paciente. E sua doença, esse pañcha-rog. O remédio: Hari-nām. A dieta: prasādam. O exercício: sevā. Tudo foi provido. Mas precisa da determinação do paciente para que ele melhore e fique saudável. Fazendo uma analogia, as pessoas hoje pensam que tomam uma pílula e resolvem todo seu problema. Esse tipo de cura. Até para a doença espiritual deles, eles querem alguém que lhes fale um mantra e os cure imediatamente. Mas não há tratamento alopático para a vida espiritual. Há os remédios que apenas fazem o sintoma desaparecer, e há os remédios que fazem a ‘doença’ desaparecer. Não podemos só tomar os remédios que mascaram.

Temos que desenraizar a doença. Isso requer uma forte determinação e esforço da parte do paciente. E claro que temos que ter forte fé e convicção no processo. E precisamos de um bom médico. Passamos muito tempo glorificando nosso médico, nosso śāstra. E isso é muito bom. Precisamos de fé no médico e no diagnóstico. E vamos supor você chega para o médico e diz: “Doutor você é tão maravilhoso!” Aí você vira para o médico e diz: “Doutor você é tão maravilhoso. Eu amo como você me diz para tomar o remédio!” Aí seu médico fica te perguntando se você está tomando o remédio. E você dá muitas desculpas. Como você tem um médico, mas não faz o que ele te manda fazer? É mais fácil falar do médico do que tomar o remédio. E isso não vai resolver. Você ama o hospital, acha ele tão lindo, mas você está tomando o remédio? E principalmente a cafeteria! É um lugar muito legal! Hospitais são ótimos lugares para encontrarmos pessoas, onde podemos falar sobre nossa doença.

Essa não é a ideia correta. Hospitais não são lugares para nossa vida social. Ou para encontrar pessoas e levá-las a fazer outra coisa que não seja o tratamento que é indicado no hospital. Hospital, médico, remédio, têm que ser tomados com seriedade. E tudo é tão maravilhoso. As facilidades que temos ali, os remédios.

Mas esse desejo kāma é tão forte que ele nos impede de alcançarmos essas coisas. Algumas pessoas até duvidam: “Será que esse kāma [desejo] é mais forte que nós mesmos?” Não! Mas é que Māyā sabe como agir, ela sabe como executar sua função.

kṛṣṇa—sūrya-sama; māyā haya andhakāra
ā̐hā kṛṣṇa, tā̐hā nāhi māyāra adhikāra
(Cc: 2.22.31)

“Kṛṣṇa é como o sol; Māyā é como a escuridão. Onde quer que Kṛṣṇa esteja presente, Māyā está absente.”

Onde quer que Kṛṣṇa apareça, Māyā se vai. Não há questão sobre o poder espiritual positivo ser muito superior. Mas o que Māyā pode fazer, é que ela te distrai de se conectar com isso. Ela não é mais poderosa do que isso, mas é mais poderosa do que nós. Ela nos distrai. E aqui está a margem. É quando temos esta atração do nosso karma. E que tipo de conexões vamos mantendo.

Existe a possibilidade, a cada momento em nossa vida, de que estas mudanças vão acontecer. Vamos progredindo. E se vamos sinceramente seguindo a coisa certa, ao longo do tempo olhamos para trás e veremos muita mudança. Gurudev falou para termos um boletim em que nos autoanalisamos. Olhar no dia, no mês, na semana, no ano, ver se nossa prática está melhorando. E assim teremos uma percepção clara do futuro. E também é bom sempre colocarmos nosso ego em cheque. “Sempre preciso estar certo quando estou falando com alguém? E se alguém menciona que fiz algo errado não vou aceitar?”. “Ah não, eu olho para mim mesmo e posso ver meus erros. Mas se alguém mais me diz que preciso melhorar, eu resisto a essa misericórdia.” Essa é a complexidade do nosso estado condicionado.

E o que vai aliviando tudo isso, é sādhu-saṅga, é quando nos banhamos nos purificantes Santos Nomes, e quando nos deixamos guiar pelos dois princípios fundamentais dados por Rūpa Goswāmī no Bhakti-rasāmṛta-sindhu: anukūlya [se ajustar ao que é agradável ao Senhor] e sevonmukha [intenção de servir]. O que fazemos tem que ser para o serviço de Kṛṣṇa. E tem que ser feito com a meta de satisfazê-lo, e não a nós mesmos. Tem que ser serviço, e tem que ser abnegado. A cada momento essa pureza de propósito tem que ser mantida ao máximo.

Sem dúvida vamos errar. Mas falhar não é uma desculpa para abandonar. Vamos falhar, mas não podemos abandonar. E podemos sempre contar com o alívio de que não temos que encarar nossas falhas sozinhos. Não é que com meu esforço vou conseguir tudo sozinho. O Senhor está ali, todo compassivo, e se permitirmos que ele aja, mantendo esse senso de que há uma força que é maior do que toda experiência negativa que tenho, não ficaremos depressivos. Chaitanya-nāma kalayan na kadāpi śochyaḥ [5.19] é uma linha no  Prapanna-jīvanāmṛtam que diz: “Ao cantar o Nome de Śrī Chaitanyadev, nada pode ser lamentado por ninguém, em momento algum.”

Quando olho para minha própria condição, tenho tantas coisas para me lamentar. Mas quando olho para o quanto o Senhor é grandioso, isso passa. A bondade Dele é maior que minha maldade. Não importa o quão deficiente você seja, ele ainda é melhor. Então é bom ser pequeno, sentir felicidade de se ser uma entidade muito minúscula. Em nossa condição temos muito a lamentar, mas se olharmos para o Senhor e seu relacionamento com todo o sistema, não há nada para se lamentar. Ao mesmo tempo, como Gurudev disse: “Todos podem ter esperança, todos podem ser felizes. Estão todos no meu barco. Mas vocês têm que tolerar a velocidade. Pode ser que não seja muito rápido, ou muito fácil.” Então alguma paciência, alguma perseverança é necessária. Isso no contexto de nos tornarmos liberados, situados no nosso eu verdadeiro.

Então neste processo a consciência de Kṛṣṇa, apesar de natural, é sentida como difícil. Prahlād Mahārāj diz que assim como pedaços de ferro são atraídos pelo imã, somos magneticamente atraídos pelo Senhor. Mas se tiver ferrugem esse magnetismo é bloqueado. Tudo que estamos discutindo aqui é o processo de remoção da ferrugem. E então, automaticamente, irresistivelmente tudo ficará lindo, maravilhoso…ou não!

Quando começamos a escutar sobre a experiência das almas liberadas, quando começamos a escutar sobre a intensidade do que é Kṛṣṇa-prema puro, escutamos que de novo, naquele domínio, tudo fica difícil. Kṛṣṇa-prem produz um desejo intenso de servi-Lo. A pessoa sente que tudo que faz não é suficiente. Ela sente o quão belo Kṛṣṇa é, e o quão miserável ela e seu sevā são. Que contraste!

Novamente a pessoa sente que é impossível. “Porque Ele é tão belo, tão maravilhoso, nunca conseguirei servi-Lo suficientemente. Por que deveria então tentar?” Este tipo de lamentação é expressa por Mahaprabhu:

na prema-gandho ’sti darāpi me harau
krandāmi saubhāgya-bharaṁ prakāśitum
vaṁśī-vilāsy-ānana-lokanaṁ vinā
bibharmi yat prāṇa-pataṅgakān vṛthā
(Śrī Chaitanya-charitāmṛta: Madhya-līlā, 2.45)

Eu não tenho nem uma gota de Kṛṣṇa-prema, e mesmo assim eu faço um show, como se eu tivesse Kṛṣṇa-prema. Sem um vislumbre de Kṛṣṇa, sem uma conexão real com Kṛṣṇa. Assim eu continuo minha vida. Como um inseto, como um parasita. Namo mahā-vadānyāya kṛṣṇa-prema-pradāya te (Cc 2.19.53). Aquele que deu Kṛṣṇa-prema a todo o universo, agora diz que não tem nem um pouco de amor por Deus. Então esse Kṛṣṇa-prema é simplesmente impossível!

akaitava kṛṣṇa-prema, yena jāmbūnada-hema,
sei premā nṛloke nā haya
yadi haya tāra yoga nā haya tabe viyoga,
viyoga haile keha nā jīyaya
(Śrī Chaitanya-charitāmṛta: Madhya-līlā, 2.43)

Não se pode encontrar Kṛṣṇa-prema genuíno neste mundo. De uma maneira completamente sincera, não pode ser encontrado. Porque qualquer pessoa que tenha isso, ela não consegue tolerar nem um momento de separação de Kṛṣṇa. E se essa separação acontece, ela morre imediatamente. Kṛṣṇa é tão belo, e é em tal intensidade que Ele deve ser servido. E aqueles que sentem assim, não conseguem ficar aqui.

bāhye viṣa-jvālā haya, bhitare ānanda-maya,
kṛṣṇa-premāra adbhuta charita
(Śrī Chaitanya-charitāmṛta: Madhya-līlā, 2.50)

A natureza de Kṛṣṇa-prema é algo que confunde. De fato parece ser algo miserável, como o sofrimento. E como isso acontece, não sabemos, é um mistério. Mas Mahaprabhu diz:

śuddha-prema-sukha-sindhu, pāi tāra eka bindu,
sei bindu jagat ḍubāya
(Śrī Chaitanya-charitāmṛta: Madhya-līlā, 2.49)

Uma vez que eu sentir que tenho uma gota de amor do oceano de Kṛṣṇa-prema, essa experiência será suficiente para inundar todos os três universos. Uma gota disso, como disse Guru Mahārāj, pode estabelecer paz e felicidade em todas as direções. Que tipo de substância concentrada é essa? Tão rara, tão preciosa. Nós não podemos nem começar a sentir o que é isso.

Então aqui eu falei algumas expressões da dificuldade da consciência de Kṛṣṇa sentida até mesmo pela seção mais alta. Mas para mim nem preciso me preocupar com isso. Eu tenho essa montanha de ego para lidar, tenho muitas vidas de karma penduradas sobre mim. Tenho o suficiente de questões práticas com as quais me preocupar.

Mas como Gurudev disse, com boa companhia, com boa associação nossa jornada será boa.

BBBClass 3/2014: Sadhu sanga – o poder da associação – Sripad Vaisnava Maharaj

Introdução:

Este artigo é uma compilação de alguns dos materiais apresentados no Tema 3 Sadhu Sanga – do Back to Bhakti Basic Class (De volta ao básico de Bhakti Yoga), e traduzidos por Rasa Sundari Devi Dasi – Uberlândia.

Nesta edição do encontro nacional transmitido ao vivo pela internet foram compartilhados entre os participantes.

Para saber mais sobre o Grupo de Estudos, se inscrever e participar clique aqui.

TEMA 3 – Sadhu Sanga

Este vídeo de Sripad Vaisnava Maharaj foi a abertura do encontro, que seguiu com a seleção de trechos de escrituras sobre Sadhu Sanga e de trechos de obras de Srila Sridhar Maharaj e Srila Govinda Maharaj nas quais eles explicam o tema:

Trechos de Escrituras:

“A pessoa que deseja obter opulência Divina deve adorar aquele que é atmajña, auto-realizado. Isto é, deve adorar um devoto de Sri Hari, a Suprema personalidade de Deus” – Mukunda Upanishad 3.1.10

“Na associação de devotos puros, discussão de passatempos e atividades da Suprema Personalidade de Deus são muito agradáveis e satisfatórias aos ouvidos e ao coração. Pelo cultivo de tal tipo de conhecimento uma pessoa pode gradualmente avançar no caminho da liberação. Depois disso ele se torna liberto e sua atenção se torna fixa. Aí então a devoção real e o serviço devocional começam”. Sri Bhagavatam 3.25.25

“Meu querido rei Rahugana, a menos que a pessoa tenha a oportunidade de borrar seu corpo com o pó sagrado dos pés de lótus de grandes devotos, ela não poderá realizar a Verdade Suprema. Uma pessoa não pode realizar a Verdade Suprema simplesmente por observar o celibato, por adorar uma deidade, por aceitar o voto de sannyasi, por seguir perfeitamente as regras do ashram de grhastha (da vida familiar), nem pode obter este tipo de verdade por aceitar severas penitências e austeridades, por estudar os Vedas ou por adorar os semi-deuses do Sol e da água. Apenas pelo banhar na poeira dos pés de lótus de um devoto puro a Verdade Absoluta é revelada”. Sri Bhagavatam 5.12.12

Trechos de Obras dos mestres da Sri Chaitanya Saraswat Math:

1. Sridhar Maharaj – Vulcão Dourado do Amor Divino

Ao mesmo tempo, devotos virão até nós dizendo: “Não tenha medo. Nós somos todos como você. Vamos caminhar juntos em linha reta. Não tenha medo – nós estamos aqui.” É dito que os devotos de Krishna são ainda mais simpáticos conosco do que o próprio Sr Krishna. O consolo para nossas vidas e de (a) nossa fortuna são Seus devotos, e Krishna diz: Mad bhaktānāṁ cha ye bhaktāḥ: “Aquele que é servo do Meu servo é o Meu verdadeiro servo”. Sadhu-saṅga, a associação com pessoas santas é o que há de mais valioso e importante para as nossas vidas. Para guiar o nosso avanço e o nosso progresso em direção ao infinito, a associação é o nosso guia; e é isso o que importa. Devemos nos fixar nesta conclusão:

‘sādhu-saṅga’, ‘sādhu-saṅga’,—sarva śāstre kaya

lava-mātra sādhu-saṅge sarva-siddhi haya

“A conclusão que foi dada pelas escrituras é que toda a perfeição pode ser alcançada com a ajuda de pessoas santas. Boa associação é a nossa maior riqueza para alcançar a meta suprema. “

2. Srila Gurudeva no livro Reflexões Douradas

Śrīla Rūpa Goswāmī elencou sessenta e quatro tipos de serviços no Śrī Bhakti-rasāmṛta-sindhu. Sriman Mahāprabhu deixou, de forma concisa, somente cinco.

sādhu-saṅga, nāma-saṅkīrtana, bhāgavat-śravana

mathurā-vāsa, śrī-mūrtira śraddhāya sevana
sakala sādhana śreṣṭha ei pañcha aṅga

Devemos nos engajar em todos os diferentes tipos de serviço: pregação, glorificação ao Senhor Hari, ao Guru e ao Vaishnava; serviço no Templo e aos devotos; realizar parikramā (peregrinação) aos três principais Dhāms sagrados: Vṛndāvan, Jaganatha Purī, e Nabadwīp; e, imprimir e distribuir livros de glorificação a Śrī Guru Gaurāṅga Gāndharvā Govindasundar Jīu. Guru significa a glorificação ao Divino Mestre e devemos glorificar também os Vaishnavas. Durante este ano podemos (devemos) publicar vários livros dentro dessas (nessas) linhas. Temos também grande ambição em posterior publicação (distribuição) em todo mundo.

3. Srila Sridhar Maharaj no Satisfação Interior

Neste trecho, Srila Sukadeva Goswami explica que um instante é suficiente para resolver todos os problemas da uma vida, desde que devidamente associado em sādhu-saṅga. A todo custo, tente buscar a oportunidade de estar em sādhu-saṅga, a associação com o agente do Senhor Krishna. Qual é a necessidade de viver por eras e eras, se estamos inconscientes do nosso próprio interesse? Um momento utilizado apropriadamente é suficiente para resolver todos os problemas das nossas vidas, pelos os quais estamos eternamente vagando neste plano.

4. Srila Gurudeva no Verdade Revelada

Não tente imitar o que os sādhus fazem. O sādhu (a pessoa santa, o sábio) poderá fazer algo que seja útil para alguém que esteja em um estágio mais elevado, mas pode não ser útil para alguém que esteja em um estágio inferior. Sadhu-sanga significa tentar praticar a nossa vida espiritual sob a orientação/guia de um sādhu. Sadhu-sanga significa seguir as instruções dadas pelo sādhu, o que não significa tentar imitar o seu comportamento.