O Ângulo Enviesado De Śrīla Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj

Hoje é o desaparecimento de Śrīla Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj. Escutamos Param Guru Mahārāj falando brevemente sobre ele, e dizendo que Vaṁśī Dās  Bābājī  Mahārāj foi o único sādhu que teve reconhecimento de seu Guru  Mahārāj. Que declaração extrema! O único sādhu que teve reconhecimento de nosso Guru. De uma perspectiva do instagram, a Índia é cheia de sādhus. Hashtag sādhu, dreads e tilakas, e roupas, e cachimbos, e contas, e tantas coisas. Apenas um sādhu teve o reconhecimento de Śrīla Saraswatī Ṭhākur. Pense nisso. Que tipo de padrão temos que apreciar como verdade espiritual.

Então fica mais interessante: por que apenas Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj foi reconhecido? Isso é mais significante ainda. Nos é dito que Saraswatī Ṭhākur, depois de […] fazer o parikramā completo de Vraja Maṇḍal, que é o parikramā extenso de Vraja Dhām, de 260 km, algo assim, ele bateu em sua testa, e disse: “Sou tão desafortunado. Vim a Vṛndāvan e não vi nenhum Vaiṣṇava.” Todos em Vṛndāvan são Vaiṣṇavas e cantam Hare Kṛṣṇa, e Mahāprabhu disse que qualquer um que cante Hare Kṛṣṇa é Vaiṣṇava. O critério dele era que um sādhu genuíno, um Vaiṣṇava genuíno, é livre mesmo de uma gota que seja de imitação. Muitos podem executar tipos elaborados de sādhana ou pūjā, alguns podem ser muito experts na aparência, em coletar esmolas.

Mas a quem Śrīla Saraswatī Ṭhākur reconheceu? Vaṁśī Dās Bābājī. E como ele aparecia, agia? Ele fumava, seu āśram era cheio de escamas de peixe. Ele abusou completamente de suas próprias Deidades. E depois de viver a maior parte de sua vida em Nabadwīp Dhām, ele voltou para sua cidade natal, e abandonou seu corpo ali, e isso é como andar para trás. Todas as coisas que um sādhu é suposto fazer, ele não fazia nada daquilo.

Mas ele foi reconhecido por Śrīla Saraswatī Ṭhākur. Porque ele era um sādhu genuíno de coração, e dessa forma, completamente independente da opinião popular. Ele era completamente desapegado de fama mundana e de reconhecimento à extensão de que ele fez muitas coisas para ser visto como mau. Para amedrontar as pessoas de o adorarem, o louvarem. Então esse é um ensinamento maravilhoso. Saraswatī Ṭhākur deu reconhecimento a uma pessoa que tinha integridade interna, apesar de exteriormente seu comportamento ser extremamente errôneo, inexplicável.

Em algumas ocasiões alguns dos seguidores de Saraswatī Ṭhākur se encontraram com Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj, e às vezes vendo as atividades dele, eles ficavam confusos. E quando eles contaram algo do que viram a Saraswatī Ṭhākur, escutaram que era melhor que eles não se associassem com ele. E isso não era porque Saraswatī Ṭhākur queria que nós seguíssemos seu exemplo, mas ele respeitava Vaṁśī Dās pelo que ele estava fazendo.

Quando ele disse que depois de Śrīla Gaura Kiśor Dās Bābājī  Mahārāj não havia nenhum outro Bābājī real, ele diz: “Nós reconhecemos Jagannāth Dās  Bābājī  Mahārāj, Gaura Kiśor Dās Bābājī  Mahārāj, Vaṁśī Dās Bābājī  Mahārāj e ponto.

Mas o estilo de prática que Saraswatī Ṭhākur estabeleceu não é o método bābājī. Ao contrário, é completamente diferente disso. De qualquer maneira ele é altamente honrado pelos seguidores de Śrīla Saraswatī Ṭhākur, que entenderam o propósito de seu mestre.

Param Guru Mahārāj disse que o conheceu também. E disse que na época em que ele estava em Nabadwīp, ele visitou o āśram de Vaṁśī Dās  Bābājī  Mahārāj, e disse que o que observou não era desse mundo. Vaṁśī Dās Bābājī estava falando, mas não era com ninguém e sobre nenhum assunto deste mundo. Em uma ocasião ele chegou ao āśram à tarde, e Vaṁśī Dās  estava falando irado com alguém: ”Saia daqui. Você não tem nada a fazer aqui. Vá embora.” Pela visão mundana não havia ninguém ali. “Rūpa Mañjarī está aqui, as outras Mañjarīs estão aqui, saia daqui”. Então Śrīla Guru Mahārāj entendeu também por outras indicações,  que Vaṁśī Dās  Bābājī tinha um humor de vātsalya [parental]. Talvez em relação a Yaśodā ou Nanda, ele estava castigando estas pessoas. Como o mais velho de uma vila que castiga os meninos. De qualquer maneira estas coisas estão muito além do que podemos entender. Isso foi uma coisa que Guru Mahārāj contou, que o viu absorvido desta maneira.

Outras pessoas viram coisas muito extremas. Guru Mahārāj também menciona uma ocasião que houve um terremoto, e Vaṁśī Dās  Bābājī adorava Gaura-Nitāi, e nesse terremoto o templo sofreu alguns estragos e as pessoas disseram que aquilo era muito ruim, que as Deidades foram destruídas. E Vaṁśī Dās disse: “O que vocês estão dizendo? Vocês pensam que Gaura-Nitāi são tontos e não puderam correr desse terremoto? Vocês não Os veem aqui porque eles saíram correndo. Não falem assim.”

Mas em outra ocasião ele não somente considerou Gaura-Nitāi como meninos que pudessem correr rápido, mas como meninos malcomportados. Se me lembro da história corretamente, uma vez ele estava sentado em seu Āśram, e à distância, algumas pessoas andavam na cidade, e gritando o nome dos objetos que eles estavam vendendo. A pessoa estava vendendo peixe, e gritavam: “Peixe, peixe!” E quando ele escutou isso, o pensamento de comer peixe veio à sua mente. Um pouco depois ele pensou: “Por que esse pensamento tão baixo veio a mim? Isso deve ser alguma travessura de Gaura-Nitāi.” Ele quis puni-los. Assim ele achou um saco, pegou as Deidades, colocou no saco, foi para a beira do Ganges, e jogou Gaura-Nitāi na água. As pessoas na vila viram isso, e ficaram chocadas . Depois eventualmente, ele considerou que Eles tinham sido castigados o suficiente. Pegou o saco, as Deidades, e As devolveu ao altar, lhes dizendo para não fazer mais isso. Essa a história mais extrema dele. Todas as atividades que nós observamos externamente, são apenas um ângulo enviesado, mas de fato suas atividades acontecem em um plano mais elevado da realidade, onde há uma beleza natural.

Por volta de 1905, 1910, ele se encontrou com Bhakti Vinod Thākur e Śrīla Saraswatī Ṭhākur, e quando ele o viu como um jovem sādhu, junto com Bhakti Vinod Thākur, ele disse: “Alguém muito querido de meu Gaura veio agora.” Só isso. Ele não disse nada mais que isso.

Com isso podemos dizer que aspiramos pela graça de tal sādhu. Que com sua graça possamos render serviço a Śrī Guru, aos Vaiṣṇavas, e a Śrī Gaura-Nitāi com tal desinteresse pelas coisas deste mundo, com tal atração exclusiva pelas coisas transcendentais. Perdendo nossa preocupação com a popularidade, com a opinião pública. Que possamos buscar por Śrī Kṛṣṇa com todo nosso coração. Param Guru Mahārāj observou assim: “Externamente o comportamento dele era assim, mas no coração ele estava na busca por Śrī Kṛṣṇa.”

vaisnavera guna gana karile jivera trana
suniyachhi sādhu-guru-mukhe
(Acharya-vandana: 18)

[“As almas são liberadas ao cantar as glórias dos Vaiṣṇavas. Isso eu escutei dos sādhus e dos Gurus.”]

Se nós escutamos e glorificamos os Vaiṣṇavas, então nós também podemos desenvolver devoção, e também podemos ter uma vida bem- sucedida, e podemos cruzar o oceano da existência material.  Orando por sua graça para que possamos servir nosso Guru-varga com tal profundidade de dedicação, oferecemos algumas palavras de glorificação hoje.

Fonte do texto: https://www.youtube.com/watch?v=H3NKpqubqdc&t=3s

Foto: https://mapio.net/pic/p-8000457/

CHIT-VILAS PURO

Srila-Sridhar-Maharaj-Contemplating

A base do meu ângulo de visão

Minha natureza é não interferente desde o começo. Tanto é assim que sou chamado de amante da facilidade. Eu não sou agressivo em um humor de pregação, mas apenas para o saber. O aspecto conhecedor, o aspecto da escuta, o aspecto da curiosidade, predomina dentro de mim: para encontrar nova luz a partir das escrituras, das palavras ouvidas de meu Guru Maharaj. Todos os dias, posso ver, posso sentir novas cores. Tudo é infinito. Cada palavra, cada letra, é de característica infinita. Estou internamente ocupado com isso nos meus últimos dias.

O Prabhu escreveu em sua carta: “Seu Prapanna-jivanamrta e suas gravações animarão, fornecerão raízes mais profundas à sociedade internacional dos devotos. Se as pessoas se depararem com este livro e essas gravações, a fé delas será mais consolidada nessa sociedade.” Essa é concepção dele, e eu também concebo assim. Após a partida de um general, pode vir uma depressão geral, mas essas coisas vão ajudá-los, dar-lhes comida semelhante.

Minhas expressões—a natureza de minhas expressões e minha representação—foram apreciadas por meu Guru Maharaj, e também principalmente por todos os estudiosos em nosso Math. Elas apresentam uma concepção ontológica baseada em chit-vilas [jogo espiritual] puro. Isto é, o que quer que eu veja, o que quer que eu tenha em vista, deve cruzar o nível de Brahmaloka. Eu vejo que as coisas não são deste mundo, mas do outro mundo, como chit-vilas-laksan [expressões do jogo espiritual]. As menores coisas que mencionamos aqui [a esse respeito] estão situadas acima da renúncia e da liberação. Elas não são desse lado. Pelo contrário, elas são suddha-sattva, visuddha-sattva [aspectos da existência pura]. Elas não são relacionados à liberação ou emancipação, ou à sattva-guna. Elas são visuddha-sattva, nirguna, chit-vilas [puras, não materiais, jogo espiritual]. Cada palavra, cada sílaba que exprimo e dou é do plano de visuddha-sattva. Essa é a característica especial dos meus dizeres. Assim, muitos fiéis [baluartes] que são Acharyas—Madhusudan Maharaj, Giri Maharaj e outros—apreciam muito minhas palestras. Elas são sempre novas. Elas não são uma coisa estereotipada. Sempre que me aproximo, sempre que dou uma explicação de um verso específico, toda vez algo novo surge—não é uma mera repetição, mas algo vindo com algum toque do Infinito. Tudo o que eu digo deve ter algum contato com a concepção do Infinito. Essa é a peculiaridade delas, e elas devem aumentar a fé. Fé, sraddha, a base, a fundação, sempre será mais consolidada pelos meus dizeres. Então, eu não sou um inimigo para ninguém. De maneira mais generalizada, não me referindo a nenhuma seção em particular, eu lido com as coisas.

Estudante: Todos nós somos endividados com você, Maharaj.

Srila Sridhar Maharaj: Hare Krishna. Somos gratos à fonte, nosso Guru Maharaj. Se eu posso carregar a corrente, então eu tenho sorte. Ela é dele e pode ser interrompida a qualquer momento.

Eu não tenho muitos discípulos, mas nunca tenho medo de que meus discípulos se misturem com os outros e fiquem desanimados. Eles vêm e vão; eles não podem me entender, mas eu estou aqui. Ainda assim, não tenho medo de que, ao se misturar com outras facções, eles sejam enfraquecidos.

Se a indústria interna de um país não pode competir com as indústrias estrangeiras, então deveres, impostos, devem ser impostos às importações. Mas suponha que exista doença e que seja inventado um novo remédio que seja melhor do que um medicamento existente para curar a doença. Do ponto de vista humanitário, o que devemos fazer? Deveríamos impor impostos de importação sobre esse remédio? Se outro país produziu um remédio de maior utilidade, que meus compatriotas não puderam produzir, deveríamos impor taxas de importação sobre esse remédio?

Estudante: Depende do objetivo: o objetivo é ficar bom ou o objetivo é ficar rico? Se o objetivo é melhorar, então não deve haver nenhum imposto. Mas se o objetivo é se tornar rico, então as taxas devem ser impostas. 

Srila Sridhar Maharaj: O ouro está acima de tudo, até da saúde dos compatriotas?

jagad dhanamayam lubdhah kamukah kaminimayam

[“Aqueles que são gananciosos veem que o mundo está cheio de riqueza, e aqueles que são lascivos veem que o mundo está cheio de mulheres.”]

Somos todos estudantes e devemos estar conscientes de que estamos percorrendo o caminho rumo ao Infinito. Então, ninguém pode conceber-se perfeito, especialmente a classe dos pregadores. O paramahamsa que não tem nada a fazer e vê tudo em toda parte como Krishna é diferente. A classe pregadora deve viver em um ambiente de progresso e ter a atitude de um estudante. Nós não terminamos o Infinito.

Depois de atingir a perfeição, o que vem a seguir? O corpo começa a apodrecer. O caminho da morte: depois de subir ao zênite, você tem que descer e continuar progredindo em direção ao Ilimitado. Isso sempre vai continuar. Vaikuntha-vas: estamos vivendo em Vaikuntha e o que é isso? É o ambiente do Infinito. Tudo tem seu caráter infinito, e eu estou vivendo dentro disso. Tudo isso é incompreensível. Tudo tem caráter infinito. Nós devemos viver nesse mundo.

Fonte: Falado em 2 de março de 1982.

Fonte do artigo e da foto: https://premadharma.org/pure-chit-vilas/