“Mas Nós Não Vamos Nos Descarrilhar”

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E Śrīla Trivikram Mahārāj me disse ter ficado muito impressionado com o que Śrīla Govinda Mahārāj lhe disse, porque ele mesmo trouxe essa Deidade para cá, e é o que temos de mais valioso, temos algo muito importante para fazer aqui, no serviço à Deidade. Se não fizermos nada mais em nossas vidas, mas continuar com esse serviço, então isso é suficiente.

Na verdade nós não temos capacidade de adorar a Deidade. Esta é a Deidade de Śrīla Govinda Mahārāj, e ele a está adorando. E nós temos a oportunidade de sermos instrumentos dele. Como antes de oferecer cada artigo, nós o mostramos a Śrīla Gurudev, e pedimos para ele nos abençoar, todo o serviço deste Āśram, de fato é o serviço dele, e temos a oportunidade de estarmos engajados no serviço dele. Ele não está presente fisicamente, mas o coração e o desejo dele estão aqui, para que tudo continue e se torne mais glorioso.

Sem dúvida dificuldades virão, desafios, e os testes virão para todos nós. E nós temos que encará-los da maneira apropriada, e a coisa principal é que o que quer que aconteça vamos manter nossa conexão de serviço. Uma expressão de Śrīla Govinda Mahārāj: “nós não vamos nos descarrilhar.” Nosso trajeto é o trajeto do serviço. Neste mundo há muitos caminhos e muitas estradas, muitas ondas que podem nos pegar. Nós precisamos manter o foco nessa estrada que nos conecta ao nosso eterno benefício. E enquanto viajamos nessa estrada, muitas coisas podem acontecer, muitas pessoas podem se acidentar, algumas podem se machucar, outras podem morrer, outras vão se desviar, às vezes pode ter neblina na estrada, podemos sentir que estamos indo às cegas outras vezes, mas o que precisamos é de nos manter na estrada.

A estrada ainda está lá, o destino também. Essas coisas não mudaram. Talvez diferentes obstáculos  apareçam, mas a estrada ainda está lá para nós. Temos que continuar. Às vezes vamos nos sentir sozinhos, às vezes em um grupo. Às vezes vamos ver os outros tendo que encarar seus desafios, às vezes nós vamos cair e nossos amigos vão nos ajudar, outras vezes eles vão cair e você os ajudará. Mas temos que nos manter indo.

Há o exemplo de Arjuna, que Śrīla Śrīdhar Mahārāj gostava. Droṇāchārya era o mestre de armas dos Pāṇḍavas, e um dia examinando-os, ele colocou um pássaro de madeira na árvore, e um por um ele foi pedindo a eles que atirassem no pássaro. E para cada um ele foi perguntando o que estavam vendo, e as respostas eram: o pássaro, os galhos em volta do pássaro, o céu. E Droṇāchārya foi eliminando vendo que alguns não iriam conseguir. Quando chegou a vez de Arjuna, a única coisa que ele via era o olho do pássaro. Nem o corpo, nem a cabeça, nem as árvores em volta Arjuna podia ver. Então a ele Droṇāchārya permitiu atirar a flecha.

Dessa maneira estamos tentando desenvolver esse tipo de visão focada em nossa vida espiritual. Sem dúvida muitas distrações virão, muitos desejos e necessidades materiais. E às vezes estes serão tão poderosos que vamos precisar fazer algum acordo. Tipo você tem um filho de 3 anos de idade gritando, dizendo que quer chocolate, e às vezes você precisa dar alguma coisa à criança para poder voltar ao seu trabalho. Porque senão não vai conseguir terminar o que precisa. É muita distração.

Em nossas vidas de serviço teremos coisas do ambiente, ou internas, que serão poderosas. Então damos uma comida para essas coisas, para podermos ter paz. E aí podemos colocar nossa energia principal em nossa prática espiritual. Às vezes algum acordo, ou ajuste, mas o foco é no serviço. Esses acordos e ajustes devem ser subservientes à nossa meta mais elevada. Porque estamos em condições mistas: temos certo desejo de servir Guru Gaurāṅga, mas de acordo com a condição do nosso estado relativo temos que lidar com outros desejos, tendências prévias, com nosso karma.

E às vezes não vamos conseguir ignorar completamente a atração do lado material. Então vamos nos esforçar para nos manter em paz com isso. Mas não em prol dessa coisa. Vamos manter essa paz em prol de darmos mais energia ao lado mais elevado.

Essa é a ideia do sistema varṇāśram: de acordo com nossa natureza vamos estar situados em um papel e obrigações particulares na sociedade que correspondem à nossa natureza material. Mas isso é para ser a fundação da prática espiritual, para suportar o cultivo de algo mais elevado. O exemplo mais comum que utilizamos é a instituição do casamento. Se um homem ou mulher têm o desejo de estar com o sexo oposto, para a mente não ficar nisso, eles se casam, pacificam esse lado, e podem viver a vida de serviço. Também algumas pessoas que têm muito desejo de serem bem-sucedidas em suas vidas, talvez elas queiram ser famosas, ou queiram ser músicos, e é muito difícil abandonar esse desejo. Então tudo bem, eles seguem isso, e mantêm a visão de serem subservientes ao lado espiritual, e ainda utilizar esse engajamento material para o serviço. Por exemplo o caso de uma devota que queria ser médica, e Śrīla Gurudev a pediu para estudar veterinária para cuidar das vacas do Maṭh.

Esse é o propósito real do varṇāśram. Daiva-varṇāśram, centrado em Deus. O comentário de Śrīla Śrīdhar Mahārāj que Śrīla Govinda Mahārāj gostava tanto: “mantermos relações compreensivas [sympathetic] com a natureza.” Encontrar uma maneira de lidar com o ambiente harmoniosamente.

Às vezes penso em Śukadev Goswāmī, que estava completamente situado na plataforma do Brahman. Tudo para ele era espiritual. A tal ponto que ele não sentia a necessidade de usar roupa. Em uma ocasião, umas mulheres estavam se banhando no lago, e ele passou por ali. Elas não sentiram a necessidade de se cobrir. Elas puderam ver que os olhos dele estavam ausentes, ele não fez conexão com aquela situação. Esse tipo de plano de consciência existe. Apesar de não estarmos lá.  E não vamos fingir que estamos lá. Então fazemos alguns ajustes para nos mantermos em paz com o ambiente e conosco.

Śrī Viśākhā Didi, Brasil, junho de 2018.

Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam

Jagannath-pata-chitra

A seguir, uma tradução do Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam publicada na segunda edição do Śrī Gauḍīya-gītāñjali por Śrīla Bhakti Sundar Govinda Dev-Goswāmī Mahārāj. O texto foi composto por Śrīpād Śaṅkar Āchārya na métrica de dezessete sílabas conhecida como Śikhariṇī e foi recitado por Śrī Chaitanya Mahāprabhu perante o Senhor Jagannāth.
শ্রীশ্রীজগন্নাথাষ্টকম্
Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam
শ্রীশ্রীজগন্নাথদেবায় নমঃ।
śrī-śrī-jagannātha-devāya namaḥ
Reverência a Śrī Śrī Jagannāthdev

Śrī Bhakti Lalitā DD cantando
কালিন্দীতট কালিন্দীতট-বিপিনসঙ্গীত-তরলো
বদনকমলাস্বাদ-বদনকমলাস্বাদ-মধুপঃ।
শম্ভু-শম্ভু-ব্রহ্মামরপতি-গণেশার্চ্চিতপদো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥১॥
kadhachit kālindī-taṭa-vipina-saṅgīta-taralo
mudābhīrī-nārī-vadana-kamalāsvāda-madhupaḥ
ramā-śambhu-brahmāmara-pati-gaṇeśārchita-pado
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [1]
kadāchit–Às vezes taralaḥ–balançando saṅgīta–com a canção vipina–nas florestas, taṭa–nas margens kālindī–do Yamunā, [Ele é a] mudā–alegre madhupaḥ–abelha (lit. ‘bebedor de néctar’) āsvada–saboreando vadana–[as] faces kamala–de lótus ābhīrī–das vaqueirinhas nārī–mulheres, [enquanto Seus] padaḥ–pés [são] archita–adorados ramā–por Lakṣmī, śambhu–Śiva, brahmā–Brahmā, pati–o rei amara–dos imortais (Indra), [e] gaṇeśa–Gaṇeśa. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [1]
Às vezes, balançando ao som de uma canção nas florestas, nas margens do Yamunā, Ele é a alegre abelha saboreando os rostos de lótus das mulheres vaqueirinhas enquanto Seus pés são adorados por Lakṣmī, Śiva, Brahmā, Indra e Gaṇeśa. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
saṅgīta-taralo: “Balançando ao som musical.” Algumas versões do texto têm saṅgītaka-ravo, “Cantando (ravaḥ) em meio ao concerto (saṅgītaka)”.
ভুজে সব্যে বেণুং শিরসি শিখিপিচ্ছং কটিতটে
সহচর নেত্রান্তে সহচর-কটাক্ষং বিদধতে।
বৃন্দাবন শ্রীমদ্ বৃন্দাবন-বসতি-লীলাপরিচয়ো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥২॥
bhuje savye veṇuṁ śirasi śikhi-pichchhaṁ kaṭi-taṭe
dukūlaṁ netrānte sahachara-kaṭākṣaṁ vidadhate
sadā śrīmad-vṛndāvana-vasati-līlā-parichayo
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [2]
[Com] veṇum–a flauta bhuje–em [Sua] mão savye–esquerda, pichchham–uma pena śikhi–[de] pavão śirasi–em [Sua] cabeça, dukūlam–roupa fina kaṭi-taṭe–em volta [de Seus] quadris, vidadhate–Ele lança kaṭākṣam–olhares longos de lado, ante–dos cantos netra–de [Seus] olhos sahachara–para [Seus] companheiros [ enquanto Ele está] sadā–continuamente parichayaḥ–na prática dos līlā–Passatempos [na] śrīmat–bela vasati–morada vṛndāvana–de Vṛndāvan. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [2]
Com a flauta na mão esquerda, uma pena de pavão na cabeça e um fino tecido em volta dos quadris, Ele lança olhares longos e laterais dos cantos dos olhos para Seus associados, enquanto se envolve continuamente nos Passatempos na bela morada de Vṛndāvan. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
কনক কনক-রুচিরে নীলশিখরে
সহজ প্রাসাদান্তঃ সহজ-বলভদ্রেণ বলিনা।
সুভদ্রা-মধ্যস্থঃ সকল-সুর-সেবাবসরদো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৩॥
mahāmbhodhes tīre kanaka-ruchire nīla-śikhare
vasan prāsādāntaḥ sahaja-balabhadreṇa balinā
subhadrā-madhyasthaḥ sakala-sura-sevāvasarado
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [3]
vasat–Residindo tīre–à margem mahā–do grande ambhodheḥ–oceano [no topo da] śikhare–montanha nīla–azul [de] ruchire–brilho kanaka–dourado antaḥ–dentro [de Seu] prāsāda–palácio balinā–com [Seu] poderoso sahaja–irmão balabhadreṇa–Balabhadra [e] subhadrā–Subhadrā madhyasthaḥ–entre [Eles, que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth, avasaradaḥ–o doador da oportunidade sevā–de serviço sakala–a todos os sura–os deuses, bhavatu–torne-se gami–um viajante [no] patha–o caminho [de] me–meus nayana–olhos. [3]
Residindo à margem do grande oceano, no topo da montanha azul de brilho dourado, dentro de Seu palácio ao lado de Seu poderoso irmão Balabhadra, com Subhadrā entre Eles, que Jagannāth Swāmī, o doador da oportunidade de servir a todos os deuses, apareça diante de meus olhos .
কৃপা-পারাবারঃ সজল-জলদ-শ্রেণি-রুচিরো
রমা-বাণী-রামঃ স্ফুরদমল-পঙ্কেরুহ-মুখঃ।
সুরেন্দ্রৈরারাধ্যঃ শ্রুতিগণশিখা-গীতচরিতো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৪॥
kṛpā-pārāvāraḥ sajala-jalada-śreṇi-ruchiro
ramā-vāṇī-rāmaḥ sphurad-amala-paṅkeruha-mukhaḥ
surendrair ārādhyaḥ śruti-gaṇa-śikhā-gīta-charito
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [4]
[Ele é um] pārāvāraḥ–oceano kṛpā–de misericórdia, [tem] ruchiraḥ–o brilho śreṇi–de uma fileira sajala-jalada–de nuvens de chuva, [é] rāmaḥ–o prazer ramā–de Lakṣmī [e] vāṇī–Saraswatī, [ tem uma] mukhaḥ-face [de] paṅkeruha-lótus amala-imaculada, sphurat-brilhante, [e é] ārādhyaḥ–o objeto de adoração indraiḥ–do maior sura–dos deuses, [e Sua] charitaḥ-glória [é] gīta-cantada śikhā–pelo melhor śruti-gaṇa–dos Vedas. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [4]
Ele é um oceano de misericórdia, tem o brilho de uma fileira de nuvens de chuva, é o deleite de Lakṣmī e Saraswatī, e tem um rosto de lótus imaculado e brilhante; Ele é o objeto de adoração do maior dos deuses e Sua glória é cantada pelas melhores escrituras. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
মিলিত গচ্ছন্ পথি মিলিত-ভূদেব-পটলৈঃ
প্রাদুর্ভাবং-প্রাদুর্ভাবং প্রতিপদমুপাকর্ণ্য সদয়ঃ।
সকল সকল-জগতাং সিন্ধু-সদয়ো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৫॥

rathārūḍho gachchhan pathi milita-bhūdeva-paṭalaiḥ
stuti-prādurbhāvaṁ prati-padam upākarṇya sadayaḥ
dayā-sindhur bandhuḥ sakala-jagatāṁ sindhu-sadayo
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [5]
gachchhan–Enquanto Ele prossegue pathi–ao longo do caminho ārūḍhaḥ–montado ratha–no topo [de Sua] carruagem [e] upākarṇya–escuta [os] stuti–louvores prādurbhāvam–manifestados paṭalaiḥ–pelas multidões milita–reunidos deva–deuses bhū–da Terra, [Ele é] sadaya–gracioso prati–a cada padam-passo . [Ele é] sindhuḥ–um oceano dayā–de graça, sadaya–gracioso sindhu–com o oceano, [e] bandhuḥ–o amigo sakala–de todo o jagatām-mundo . [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–torne-se gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [5]
Prosseguindo ao longo do caminho, montado em cima de Sua carruagem, Ele ouve as oferendas de louvor das multidões de deuses da Terra reunidos (brāhmaṇs). Ele é gracioso a cada passo, é um oceano de graça, é gracioso com o oceano e é amigo do mundo inteiro. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
sindhu-sadayo: “Gracioso com o oceano”. Isso se refere ao fato de o Senhor Jagannāth ter aceitado Sua residência e se apresentar em Passatempos nas margens do oceano.

Algumas versões do texto têm sindhu-sutayā: “Junto com a filha (sutayā) do oceano (sindhu)”, significando junto com Lakṣmī Devī.
paraṁbrahmāpīḍaḥ kuvalaya-dalotphulla-nayano
nivāsī nīlādrau nihita-charaṇo ’nanta-śirasi
rasānandī rādhā-sarasa-vapur-āliṅgana-sukho
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [6]
[Ele é] āpīḍaḥ–a joia da coroa paraṁbrahma–da realidade absoluta, [e Seus] nayanaḥ–olhos [se assemelham] dala–às pétalas [de uma] kuvalaya–lótus utphulla–completamente desabrochada. [Ele é] nivāsī–um residente [das] adrau–montanhas nīla–azuis [e] nihita–coloca [Seus] charaṇaḥ–pés śirasi–sobre a cabeça ananta–de Ananta. [Ele] ānandī–tem prazer rasa–em rasa [e se] sukhaḥ–deleita āliṅgana–com o abraço [da] vapuḥ–figura sarasa–encantadora rādhā–de Śrī Rādhā. [Que] svāmī–o Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [dos] me–meus nayana–olhos. [6]
Ele é a joia da coroa da realidade absoluta, e Seus olhos se assemelham às pétalas de uma lótus totalmente florida. Ele é um residente das montanhas azuis e coloca Seus pés no topo da cabeça de Ananta. Ele sente prazer em rasa e se deleita com o abraço da figura encantadora de Śrī Rādhā. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
ন বৈ যাচে রাজ্যং ন চ কনক-মাণিক্য-বিভবং
ন যাচেঽহং রম্যাং সকল-জন-কাম্যাং বরবধূম্ ।
সদা কালে কালে প্রমথ-পতিনা গীতচরিতো
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৭॥
na vai yāche rājyaṁ na cha kanaka-māṇikya-vibhavaṁ
na yāche ’haṁ ramyāṁ sakala-jana-kāmyāṁ vara-vadhūm
sadā kāle kāle pramatha-patinā gīta-charito
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [7]
yāche–Eu rezo na vai–nem rājyam–por um reino, na cha–nem kanaka–por ouro, māṇikya–joias, [e outras] vibhavam–riquezas. aham–Eu yāche na–não oro ramyām–por uma bela [e] vara–desejável vadhūm–esposa [como] kāmyām–sonhado por sakala–todos [os] jana–homens. [Que] svāmī–o Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth, [cuja] charitaḥ–glória[é] sadā–sempre gīta–cantada kāle–de momento kāle–a momento patinā–pelo senhor pramatha–dos Pramathas (uma classe de servos experts em dharma e nas artes), bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [7]
Eu não oro nem por um reino nem por ouro, jóias e outras riquezas. Eu não rezo por uma esposa bonita e desejável, como todos os homens sonham. Que Jagannāth Swāmī, cuja glória é sempre cantada de momento a momento pelo Senhor Śiva, apareça diante de meus olhos.
হর ত্বং সংসারং দ্রুততরমসারং সুরপতে!
হর ত্বং পাপানাং বিততিমপরাং যাদবপতে! ।
অহো দীনেঽনাথে নিহিতচরণো নিশ্চিতমিদং
জগন্নাথঃ স্বামী নয়নপথগামী ভবতু মে ॥৮॥
hara tvaṁ saṁsāraṁ drutataram asāraṁ sura-pate!
hara tvaṁ pāpānāṁ vitatim aparāṁ yādava-pate!
aho dīne ‘nāthe nihita-charaṇo niśchitam idaṁ
jagannāthaḥ svāmī nayana-patha-gāmī bhavatu me [8]
pate–Ó Senhor sura!–dos sábios! [Que] tvam–Você [por favor] drutataram–rapidamente hara–tire [esta] asāram–vazia saṁsāram–existência mundana. pate-Ó senhor yādava–dos Yadus! [Que] tvam–Você [por favor] hara–tire [minha] aparām–infindável vitatim–profusão pāpānām–de pecados. aho–Oh! [Você é conhecido por ter] nihita–concedido [Seus] charaṇaḥ–pés aos pobres [e] anāthe-desamparados; idam–isto é niśchitam-certo. [Que o] svāmī–Senhor jagannāthaḥ–Jagannāth bhavatu–se torne gāmī–um viajante [no] patha–caminho [de] me–meus nayana–olhos. [8]
Ó Senhor dos sábios! Por favor, leve embora rapidamente esta vazia existência mundana. Ó Senhor dos Yadus! Por favor, leve embora minha interminável profusão de pecados. Oh! Você concede Seus pés aos pobres e desamparados. Isso é certo. Que Jagannāth Swāmī apareça diante dos meus olhos.
জগন্নাথাষ্টকং পুণ্যং যঃ পঠেৎ প্রযতঃ শুচিঃ।
বিশুদ্ধাত্মা বিশুদ্ধাত্মা বিষ্ণুলোকং স গচ্ছতি ॥৯॥
jagannāthāṣṭakaṁ puṇyaṁ yaḥ paṭhet prayataḥ śuchiḥ
sarva-pāpa-viśuddhātmā viṣṇu-lokaṁ sa gachchhati [9]
saḥ–Aquele que śuchiḥ–puramente [e] prayataḥ–devotamente paṭhet–recita [este] puṇyam–auspicioso aṣṭakam–poema de oito versos jagannātha–sobre o Senhor Jagannāth, [ se torna] ātmā–uma alma viśuddha–completamente purificada sarva–de todo pāpa–pecado [e] gachchhati–vai para a lokam–morada de viṣṇu-Viṣṇu. [9]
Aquele que puramente e devotadamente recita este auspicioso Jagannāthāṣṭakam se torna completamente purificado de todo pecado e vai para a morada de Viṣṇu.
শ্রীগৌরচন্দ্র-মুখপদ্ম-বিনির্গতং শ্রীশ্রীজগন্নাথাষ্টকং সম্পূর্ণম্।
śrī-gaurachandra-mukha-padma-vinirgataṁ śrī-śrī-jagannāthāṣṭakaṁ sampūrṇam
Assim termina o Śrī Śrī Jagannāthāṣṭakam que foi proferido pela boca de lótus de Śrī Gaurachandra.

*Artigo e imagem originalmente publicados em: https://premadharma.org/sri-sri-jagannathastakam/