CHIT-VILĀS PURA

Srila-Sridhar-Maharaj-Contemplating

A base do meu ângulo de visão

Minha natureza é não interferente desde o começo. Tanto é assim que sou chamado de amante da facilidade. Eu não sou agressivo em um humor de pregação, mas apenas para o saber. O aspecto conhecedor, o aspecto da escuta, o aspecto da curiosidade, predomina dentro de mim: para encontrar nova luz a partir das escrituras, das palavras ouvidas de meu Guru Mahārāj. Todos os dias, posso ver, posso sentir novas cores. Tudo é infinito. Cada palavra, cada letra, é de característica infinita. Estou internamente ocupado com isso nos meus últimos dias.

O Prabhu escreveu em sua carta: “Seu Prapanna-jīvanāmṛta e suas gravações animarão, fornecerão raízes mais profundas à sociedade internacional dos devotos. Se as pessoas se depararem com este livro e essas gravações, a fé delas será mais consolidada nessa sociedade.” Essa é concepção dele, e eu também concebo assim. Após a partida de um general, pode vir uma depressão geral, mas essas coisas vão ajudá-los, dar-lhes comida semelhante.

Minhas expressões—a natureza de minhas expressões e minha representação—foram apreciadas por meu Guru Mahārāj, e também principalmente por todos os estudiosos em nosso Maṭh. Elas apresentam uma concepção ontológica baseada em chit-vilās [dinâmica espiritual] pura. Isso é, o que quer que eu veja, o que quer que eu tenha em vista, deve cruzar o nível de Brahmāloka. Eu vejo que as coisas não são deste mundo, mas do outro mundo, como chit-vilās-lakṣaṇ [expressões da dinâmica espiritual]. As menores coisas que mencionamos aqui [a esse respeito] estão situadas acima da renúncia e da liberação. Elas não são desse lado. Pelo contrário, elas são śuddha-sattva, viśuddha-sattva [aspectos da existência pura]. Elas não são relacionados à liberação ou emancipação, ou à sattva-guna. Elas são viśuddha-sattva, nirguna, chit-vilās [puras, não materiais, dinâmica espiritual]. Cada palavra, cada sílaba que exprimo e dou é do plano de viśuddha-sattva. Essa é a característica especial dos meus dizeres. Assim, muitos fiéis [baluartes] que são Āchāryas—Madhusudan Mahārāj, Giri Mahārāj e outros—apreciam muito minhas palestras. Elas são sempre novas. Elas não são uma coisa estereotipada. Sempre que me aproximo, sempre que dou uma explicação de um verso específico, toda vez algo novo surge—não é uma mera repetição, mas algo vindo com algum toque do Infinito. Tudo o que eu digo deve ter algum contato com a concepção do Infinito. Essa é a peculiaridade delas, e elas devem aumentar a fé. Fé, śraddhā, a base, a fundação, sempre será mais consolidada pelos meus dizeres. Então, eu não sou um inimigo para ninguém. De maneira mais generalizada, não me referindo a nenhuma seção em particular, eu lido com as coisas.

Estudante: Todos nós somos endividados com você, Mahārāj.

Śrīla Śrīdhar Mahārāj: Hare Kṛṣṇa. Somos gratos à fonte, nosso Guru Mahārāj. Se eu posso carregar a corrente, então eu tenho sorte. Ela é dele e pode ser interrompida a qualquer momento.

Eu não tenho muitos discípulos, mas nunca tenho medo de que meus discípulos se misturem com os outros e fiquem desanimados. Eles vêm e vão; eles não podem me entender, mas eu estou aqui. Ainda assim, não tenho medo de que, ao se misturar com outras facções, eles sejam enfraquecidos.

Se a indústria interna de um país não pode competir com as indústrias estrangeiras, então taxas e impostos são cobrados nas importações. Mas suponha que exista uma doença e que seja inventado um novo remédio melhor do que um medicamento já existente para curar a doença. Do ponto de vista humanitário, o que devemos fazer? Deveríamos impor impostos de importação sobre esse remédio? Se outro país produziu um remédio de maior utilidade, que meus compatriotas não puderam produzir, deveríamos impor taxas de importação sobre esse remédio?

Estudante: Depende do objetivo: o objetivo é ficar bom ou o objetivo é ficar rico? Se o objetivo é melhorar, então não deve haver nenhum imposto. Mas se o objetivo é se tornar rico, então as taxas devem ser impostas. 

Śrīla Śrīdhar Mahārāj: O ouro está acima de tudo, até da saúde dos compatriotas?

jagad dhanamayaṁ lubdhāḥ kāmukāḥ kāminīmayam

[“Aqueles que são gananciosos veem que o mundo está cheio de riqueza, e aqueles que são lascivos veem que o mundo está cheio de mulheres.”]

Somos todos estudantes e devemos estar conscientes de que estamos percorrendo o caminho rumo ao Infinito. Então, ninguém pode conceber-se perfeito, especialmente a classe dos pregadores. O paramahaṁsa que não tem nada a fazer e vê tudo em toda parte como sendo Kṛṣṇa, é diferente. A classe pregadora deve viver em um ambiente de progresso e ter a atitude de estudante. Nós não terminamos o Infinito.

Depois de atingir a perfeição, o que vem a seguir? O corpo começa a apodrecer. O caminho da morte: depois de subir ao zênite, você tem que descer e continuar progredindo em direção ao Ilimitado. Isso sempre vai continuar. Vaikuṇṭha-vās: estamos vivendo em Vaikuṇṭha e o que é isso? É o ambiente do Infinito. Tudo tem seu caráter infinito, e eu estou vivendo dentro disso. Tudo isso é incompreensível. Tudo tem caráter infinito. Nós devemos viver nesse mundo.

Fonte: Falado em 2 de março de 1982.

Fonte do artigo e da foto: https://premadharma.org/pure-chit-vilas/