O Srimad Bhagavad-gita e as Escrituras Sagradas

Srila trivikrama Maharaj lecture porto alegre

Por Śrīla Bhakti Vijay Trivikram Mahhārāj

O Śrīmad Bhagavad-gītā é uma escritura sagrada, que está como um dos capítulos, um pequeno trecho do Mahābhārata  que é uma grande novela, um grande acontecimento na Índia antiga, de 5.000 anos atrás.  É, na verdade, uma disputa de família em que Śrī Kṛṣṇa e Arjuna fazem parte. Nessa novela nós encontramos os Pāṇḍavas, que são cinco príncipes principais (sendo Arjuna um deles) e os primos dos Pāṇḍavas, que são chamados de Kurus. Os Kurus querem tirar o reino, a herança do trono que era natural para os Pāṇḍavas, que eram príncipes santos e nobres.

Os bons príncipes evitaram por quatorze anos a guerra que esses príncipes maldosos, por assim dizer, queriam causar. Até que chegou um ponto que eles não conseguiram evitá-la. Mesmo assim, Arjuna não queria lutar. Nesse momento Śrī Kṛṣṇa, o protagonista principal dessa história, chega na parte principal do evento do Mahābhārata e perante o exército inimigo, como quadrigário do guerreiro Arjuna. Na verdade, Śrī Kṛṣṇa descende, ou seja, se manifesta perante nossa visão com Seus passatempos eternos, para benefício de todos nós.

Ele fala no Śrīmad Bhagavad-gītā, que a cada milênio dentro da criação material Ele mesmo descende no nosso plano material e vem reviver o conhecimento transcendental que está perdido. Porque o conhecimento transcendental sempre se manifesta por algum santo ou personalidade suprema, ou pela própria divindade, depois com o tempo é natural que ele progrida. Mas em geral nem sempre o progresso é positivo. Porque esse mesmo conhecimento é passado de pessoa para pessoa, e sendo a alma condicionada a esse plano material, esse conhecimento acaba sendo deturpado, deteriorado. Quando isso ocorre, Śrī Kṛṣṇa descende e Ele mesmo revive esse conhecimento outra vez para o beneficio das almas condicionadas.

Então essa batalha de Kurukṣetra foi um arranjo supremo para que o Śrīmad Bhagavad-gītā fosse falado. Śrīmad Bhagavad-gītā significa ‘A Canção do Senhor Supremo’, na qual Śrī Kṛṣṇa ensina a realidade da natureza material e da natureza espiritual a Arjuna. Assim, apesar deles falarem da guerra e do fato de que inicialmente Arjuna não quer lutar, Śrī Kṛṣṇa revela esta realidade ao dizer que todos aqueles reis já estão mortos, na verdade é uma questão de tempo todos serão aniquilados pelo tempo. Eles são reis demoníacos que estão explorando sua posição e a sociedade civil para o benefício próprio. O rei Jarāsandha tinha presos em cativeiro noventa reis e esposas, e ele sempre fazia sacrifício com esses reis. E eles eram pessoas piedosas. Então Śrī Kṛṣṇa fala que Ele descendeu na Terra para aniquilar essas pessoas de ações mesquinhas e para reviver o conhecimento transcendental, estabelecendo de novo uma Terra pacífica.

É interessante falarmos também que isso foi em Dvāpar-yuga, que foi a era passada. Nós vivemos em Kali-yuga, que começou logo depois dessa guerra. Yuga significa era, e Kali significa a era das desavenças, da hipocrisia, das grandes dificuldades que passamos. Dentro da criação, vou citar alguns nomes em sânscrito, que são difíceis porque vêm dos Vedas, mas vale a menção.  Quando Viṣṇu cria esse universo material com sua energia que é chamada de prakṛti, então todos os elementos materiais se manifestam. Eles são: terra, água, fogo, ar, éter ou espaço, (essa palavra é traduzida como éter ou espaço e espaço também é um elemento material), mente, inteligência e ahaṇkār (que é um elemento que confundimos com o corpo material). Esses são os oito elementos materiais, que surgem do corpo de Viṣṇu.

Destes, são criados infinitos ovos materiais, que são globos dourados, dos quais metade é água e metade é espaço. E Viṣṇu de novo entra em cada ovo desse, em cada globo dourado, e Ele vai pro fundo desse oceano. Do umbigo de Viṣṇu nasce uma flor-de-lótus, e dessa flor-de-lótus aparece o Senhor Brahmā, que é uma divindade que cria todas as formas materiais, os planetas, etc. É importante dizer que quando o Senhor Brahmā nasceu, ele não sabia o que fazer, ele tava numa situação meio que perdida, então ele escutou um barulho, um som: ta pa. Era o som da água, algo fez um barulho na água, e como ele tinha já um avanço espiritual de vidas prévias, porque essa posição de Brahmā pode ser uma jīva, uma jivātmā, uma alma comum que alcançou a posição de Brahmā devido a austeridades, a práticas espirituais.

Então quando ele ouviu esse som, ele compreendeu que significava austeridade, ele tinha que praticar austeridades e meditação para entender a função dele. E aí, ele tem um darśan (uma audiência) com Viṣṇu. Viṣṇu se manifesta pra ele, diz o que ele tem que fazer, o empodera , e o inicia no Gāyatrī também. E aí Brahmā cria todo esse universo.

Dentro dessa criação material, há a manutenção desse universo material e a aniquilação, que é quando tudo repousa de novo no corpo de Viṣṇu. A criação se dá quando Viṣṇu exala o ar. Quando ele solta o ar, tudo sai dos poros dele,  da boca e do nariz dele, toda essa criação material. E quando ele inspira, tudo é recolhido nele de novo. Nesse período de respiração de Viṣṇu, você tem toda a criação material (criação, manutenção e aniquilação). Dentro dessa criação material, temos várias yugas (eras), que são quatro. E vários ciclos dessas yugas. Cada yuga, cada era dessa, tem uma duração. Por exemplo, Kali-yuga dura 432 mil anos, e você entende a dimensão das demais proporcionalmente. Kali-yuga é 25% de Dvāpar-yuga que é 25% de Tretā-yuga, que é 25% de Satya-yuga. Ou seja, em Satya-yuga o ser humano vivia 100 mil anos, depois em Tretā-yuga ele vive 10 mil, em Dvāpar-yuga mil anos. Há referências na Bíblia sobre pessoas que viveram centenas de anos. Lógico que tudo depende da fé de cada um.

Então Śrī Kṛṣṇa descendeu em Dvāpar-yuga, quando aconteceu a guerra de Kurukṣetra, na qual Ele fala o Śrīmad Bhagavad-gītā. Depois Śrī Kṛṣṇa descendeu de novo em Kali-yuga para inaugurar o dharma (dever, processo) da era, e Ele veio como Śrī Chaitanya Mahāprabhu, como Śrī Kṛṣṇa Chaitanya.

E é interessante que tudo que estamos falando, tudo que aprendemos, é respaldado pelas escrituras mais antigas do planeta. Então quando se fala que Śrī Kṛṣṇa vai descender, você vai procurar, pesquisar nos Vedas e vai encontrar os ślokas, ou versos em sânscrito, que mostram o descenso da Suprema Pessoa, em que Era, qual a coloração da pele Dele, que tipo de atividade Ele vai executar. Foi assim com o Senhor Nṛsiṁhadev que é metade leão metade homem. Foi assim como Senhor Rāmachandra que foi um rei perfeito que também executou suas atividades. E todas essas personalidades são todos Viṣṇu-tattva que é a própria personalidade de Deus. E também há as jīva-tattva. Às vezes uma jīva que é associada íntima da Suprema Pessoa, também descende e faz um grande trabalho de reviver o conhecimento.

Outra coisa que é muito linda, é que as escrituras são a própria divindade. Não há diferença entre elas. Por isso devemos tratar o livro sagrado como uma Deidade, com todo cuidado, todo respeito. A informação que Deus nos dá para podermos retornar à nossa origem, à nossa posição plena é tão sagrada quanto Ele, não é diferente Dele e só podemos ter grande beneficio se estudarmos essas escrituras sagradas com uma modalidade dentro do coração de servir o conhecimento sagrado. Se tivermos essa mentalidade de serviço ao Supremo, o conhecimento transcendental iluminará nossos corações. Sirva o conhecimento do Śrīmad Bhagavad-gītā e Ele se revelará de uma forma transcendental em seu coração.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s