Seja Bem-vindo ao Sri Chaitanya Saraswat Math Brasil

Todas as glórias a Śrī Guru e Śrī Gaurāṅga!

Esperamos que este espaço consiga trazer àqueles que estão em busca de espiritualidade, filosofia, e bem-estar uma nova perspectiva com experiências, relatos de pessoas que encontraram na prática de bhakti-yoga um caminho para reencontrar a essência de sua natureza, o amor, afeto e a satisfação interior plena através da dedicação.

O bhakti-yoga é a base da linha e filosofia vaiṣṇava ensinada pela escola Śrī Chaitanya Sāraswat Maṭh, fundada na Índia e com mais de 50 centros ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Se esta é a sua primeira visita, sugerimos um roteiro para conhecer um pouco desta proposta  tão especial:

Nossas reverências e afeto!

Festival Ashram

Equipe SCSMath Brasil.

O Ângulo Enviesado De Śrīla Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj

Hoje é o desaparecimento de Śrīla Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj. Escutamos Param Guru Mahārāj falando brevemente sobre ele, e dizendo que Vaṁśī Dās  Bābājī  Mahārāj foi o único sādhu que teve reconhecimento de seu Guru  Mahārāj. Que declaração extrema! O único sādhu que teve reconhecimento de nosso Guru. De uma perspectiva do instagram, a Índia é cheia de sādhus. Hashtag sādhu, dreads e tilakas, e roupas, e cachimbos, e contas, e tantas coisas. Apenas um sādhu teve o reconhecimento de Śrīla Saraswatī Ṭhākur. Pense nisso. Que tipo de padrão temos que apreciar como verdade espiritual.

Então fica mais interessante: por que apenas Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj foi reconhecido? Isso é mais significante ainda. Nos é dito que Saraswatī Ṭhākur, depois de […] fazer o parikramā completo de Vraja Maṇḍal, que é o parikramā extenso de Vraja Dhām, de 260 km, algo assim, ele bateu em sua testa, e disse: “Sou tão desafortunado. Vim a Vṛndāvan e não vi nenhum Vaiṣṇava.” Todos em Vṛndāvan são Vaiṣṇavas e cantam Hare Kṛṣṇa, e Mahāprabhu disse que qualquer um que cante Hare Kṛṣṇa é Vaiṣṇava. O critério dele era que um sādhu genuíno, um Vaiṣṇava genuíno, é livre mesmo de uma gota que seja de imitação. Muitos podem executar tipos elaborados de sādhana ou pūjā, alguns podem ser muito experts na aparência, em coletar esmolas.

Mas a quem Śrīla Saraswatī Ṭhākur reconheceu? Vaṁśī Dās Bābājī. E como ele aparecia, agia? Ele fumava, seu āśram era cheio de escamas de peixe. Ele abusou completamente de suas próprias Deidades. E depois de viver a maior parte de sua vida em Nabadwīp Dhām, ele voltou para sua cidade natal, e abandonou seu corpo ali, e isso é como andar para trás. Todas as coisas que um sādhu é suposto fazer, ele não fazia nada daquilo.

Mas ele foi reconhecido por Śrīla Saraswatī Ṭhākur. Porque ele era um sādhu genuíno de coração, e dessa forma, completamente independente da opinião popular. Ele era completamente desapegado de fama mundana e de reconhecimento à extensão de que ele fez muitas coisas para ser visto como mau. Para amedrontar as pessoas de o adorarem, o louvarem. Então esse é um ensinamento maravilhoso. Saraswatī Ṭhākur deu reconhecimento a uma pessoa que tinha integridade interna, apesar de exteriormente seu comportamento ser extremamente errôneo, inexplicável.

Em algumas ocasiões alguns dos seguidores de Saraswatī Ṭhākur se encontraram com Vaṁśī Dās Bābājī Mahārāj, e às vezes vendo as atividades dele, eles ficavam confusos. E quando eles contaram algo do que viram a Saraswatī Ṭhākur, escutaram que era melhor que eles não se associassem com ele. E isso não era porque Saraswatī Ṭhākur queria que nós seguíssemos seu exemplo, mas ele respeitava Vaṁśī Dās pelo que ele estava fazendo.

Quando ele disse que depois de Śrīla Gaura Kiśor Dās Bābājī  Mahārāj não havia nenhum outro Bābājī real, ele diz: “Nós reconhecemos Jagannāth Dās  Bābājī  Mahārāj, Gaura Kiśor Dās Bābājī  Mahārāj, Vaṁśī Dās Bābājī  Mahārāj e ponto.

Mas o estilo de prática que Saraswatī Ṭhākur estabeleceu não é o método bābājī. Ao contrário, é completamente diferente disso. De qualquer maneira ele é altamente honrado pelos seguidores de Śrīla Saraswatī Ṭhākur, que entenderam o propósito de seu mestre.

Param Guru Mahārāj disse que o conheceu também. E disse que na época em que ele estava em Nabadwīp, ele visitou o āśram de Vaṁśī Dās  Bābājī  Mahārāj, e disse que o que observou não era desse mundo. Vaṁśī Dās Bābājī estava falando, mas não era com ninguém e sobre nenhum assunto deste mundo. Em uma ocasião ele chegou ao āśram à tarde, e Vaṁśī Dās  estava falando irado com alguém: ”Saia daqui. Você não tem nada a fazer aqui. Vá embora.” Pela visão mundana não havia ninguém ali. “Rūpa Mañjarī está aqui, as outras Mañjarīs estão aqui, saia daqui”. Então Śrīla Guru Mahārāj entendeu também por outras indicações,  que Vaṁśī Dās  Bābājī tinha um humor de vātsalya [parental]. Talvez em relação a Yaśodā ou Nanda, ele estava castigando estas pessoas. Como o mais velho de uma vila que castiga os meninos. De qualquer maneira estas coisas estão muito além do que podemos entender. Isso foi uma coisa que Guru Mahārāj contou, que o viu absorvido desta maneira.

Outras pessoas viram coisas muito extremas. Guru Mahārāj também menciona uma ocasião que houve um terremoto, e Vaṁśī Dās  Bābājī adorava Gaura-Nitāi, e nesse terremoto o templo sofreu alguns estragos e as pessoas disseram que aquilo era muito ruim, que as Deidades foram destruídas. E Vaṁśī Dās disse: “O que vocês estão dizendo? Vocês pensam que Gaura-Nitāi são tontos e não puderam correr desse terremoto? Vocês não Os veem aqui porque eles saíram correndo. Não falem assim.”

Mas em outra ocasião ele não somente considerou Gaura-Nitāi como meninos que pudessem correr rápido, mas como meninos malcomportados. Se me lembro da história corretamente, uma vez ele estava sentado em seu Āśram, e à distância, algumas pessoas andavam na cidade, e gritando o nome dos objetos que eles estavam vendendo. A pessoa estava vendendo peixe, e gritavam: “Peixe, peixe!” E quando ele escutou isso, o pensamento de comer peixe veio à sua mente. Um pouco depois ele pensou: “Por que esse pensamento tão baixo veio a mim? Isso deve ser alguma travessura de Gaura-Nitāi.” Ele quis puni-los. Assim ele achou um saco, pegou as Deidades, colocou no saco, foi para a beira do Ganges, e jogou Gaura-Nitāi na água. As pessoas na vila viram isso, e ficaram chocadas . Depois eventualmente, ele considerou que Eles tinham sido castigados o suficiente. Pegou o saco, as Deidades, e As devolveu ao altar, lhes dizendo para não fazer mais isso. Essa a história mais extrema dele. Todas as atividades que nós observamos externamente, são apenas um ângulo enviesado, mas de fato suas atividades acontecem em um plano mais elevado da realidade, onde há uma beleza natural.

Por volta de 1905, 1910, ele se encontrou com Bhakti Vinod Thākur e Śrīla Saraswatī Ṭhākur, e quando ele o viu como um jovem sādhu, junto com Bhakti Vinod Thākur, ele disse: “Alguém muito querido de meu Gaura veio agora.” Só isso. Ele não disse nada mais que isso.

Com isso podemos dizer que aspiramos pela graça de tal sādhu. Que com sua graça possamos render serviço a Śrī Guru, aos Vaiṣṇavas, e a Śrī Gaura-Nitāi com tal desinteresse pelas coisas deste mundo, com tal atração exclusiva pelas coisas transcendentais. Perdendo nossa preocupação com a popularidade, com a opinião pública. Que possamos buscar por Śrī Kṛṣṇa com todo nosso coração. Param Guru Mahārāj observou assim: “Externamente o comportamento dele era assim, mas no coração ele estava na busca por Śrī Kṛṣṇa.”

vaisnavera guna gana karile jivera trana
suniyachhi sādhu-guru-mukhe
(Acharya-vandana: 18)

[“As almas são liberadas ao cantar as glórias dos Vaiṣṇavas. Isso eu escutei dos sādhus e dos Gurus.”]

Se nós escutamos e glorificamos os Vaiṣṇavas, então nós também podemos desenvolver devoção, e também podemos ter uma vida bem- sucedida, e podemos cruzar o oceano da existência material.  Orando por sua graça para que possamos servir nosso Guru-varga com tal profundidade de dedicação, oferecemos algumas palavras de glorificação hoje.

Fonte do texto: https://www.youtube.com/watch?v=H3NKpqubqdc&t=3s

Foto: https://mapio.net/pic/p-8000457/

Sob O Afeto Do Nosso Avô Guardião

everest-759

Por Sripad Bhakti Kamal Tyagi Maharaj, México, julho de 2017.

sri-chaitanya-vilasa-dhamani navadvipasrame sundare
sri-gauranga-vidhos tatha vraja-yunoh seva-sudha-sampadam

tanvan ganga-tate dayamaya-vibho sadhun samahladayan
sri-rupanuga-sampradaya-vibhavan udbhasayan bhasase
(*Sri Guru Prasasti, verso 7)

Nesse verso que Srila Gurudev compôs para Guru Maharaj, ele diz: “Na terra dos divinos Passatempos de Sri Chaitanya, em um belo ashram em Nabadwip, às margens do Rio Ganges, meu mais misericordioso mestre alegra os sadhus ao distribuir a fortuna do serviço de Sri Gauranga e do casal divino de Vraja. E ele fala de modo que ele melhora e ilumina a riqueza da Rupanuga sampradaya.” E isso é como numa casca de noz. A maneira como Srila Guru Maharaj é lembrado carinhosamente por todos os Gaudiya Vaishnavas.

Sentado em uma plataforma elevada, em sua varanda, olhando para o Ganges, na direção de Mayapur, o lugar do aparecimento de Mahaprabhu, falando do fundo de seu coração, de um lugar de meditação profunda sobre Srila Bhakti Siddhanta Saraswati Thakur, sobre a delegação pessoal de Sri Gauranga Mahaprabhu, Srila Bhakti Vinod Thakur, sobre o Sri Chaitanya-charitamrta, sobre o serviço a Sri Rupa, sobre o ideal exclusivo dado por Sri Rupa a essa sampradaya, e sobre a grandeza sem paralelo de Sri Gauranga Mahaprabhu, sentado firmemente na fundação do Sharanagati, do Sri Sri Prapanna-jivanamrta, em uma atmosfera de neblina, ele viu que o plano adhoksaja [transcendental] o tocou como uma neblina.

Intermitentemente cantando o Nome de Gaura Hari, e nos seus últimos Passatempos os Nomes de Dayal Nitai, e ao fazer isso sua representação era da mais alta dignidade, da mais alta qualidade, o maior encanto para os maiores sábios dos três mundos. Vibudha-kula-varenyam [adorado pelos sábios]. Paramahamsa-kula-varenyam [adorado pelos paramahamsas]. Para muitos acharyas nós dizemos: “Ele é um paramahamsa.”  Srila Gurudev disse que Srila Guru Maharaj é adorado pelos paramahamsas: yati-rājeśvara. Ele é o líder entre os líderes, o mestre dos mestres. Sadhun samahladayan [ele deleita os sadhus]. Ele deleita os sadhus de alto calibre, com sua representação da Rupanuga sampradaya. Falando de si mesmo, ele disse que cada expressão sua é de uma natureza pura: suddha sattva. “Cada expressão que eu digo é um chit-vilas puro.”

Então visuddha-sattva [aspectos da existência pura], chit-vilas [jogo espiritual], são termos de grande nuance em nossa sampradaya. Eles têm significados muito específicos, refinados. Mas em uma camada geral podemos apreciar que pessoas de grande calibre têm a maior apreciação por ele. Nós aspiramos pela capacidade de apreciar o que ele significou, o que ele representou para este mundo.

É como se fosse uma mina que nós apenas começamos a cavar. De fato que apenas começamos a localizar. O quão profunda, o quão substancial é sua representação do Gaura-katha [conversas sobre Gauranga] e o quão bem apresentada em estilo.

Gurudev escreveu:

varsayam vai sajala-jalado vadayan mandra-bherim
yadvad visve bhramati bahudha varidharan cha varsan

tadvad bhumau bhramasi saganair ghosayan gaura-gatha
nityam divyamrta-sukarunam tvam hi deva pravarsan
(Sri Guru Prasasti, verso 6)

Dizendo: “Assim como na estação das chuvas, das monções, as nuvens de chuva circulam pelo céu tocando seus tambores e derramando chuvas torrenciais muito pesadas, assim você, na companhia de seus associados se move neste mundo, e reverbera as glórias de Sri Gauranga. E dessa maneira você derrama o poder de sua misericórdia neste mundo.”

Srila Gurudev viajava de trem de Kolkata para Nabadwip e veio essa forte tempestade, fazendo barulho no teto do trem. Então ele se inspirou a compor este verso. Deixemos nossa percepção de todas as características da natureza: as montanhas, as nuvens, as árvores, os pássaros, deixemos todos nos mostrar, nos lembrar, apontar para o Gaura-gatha [glórias de Gaura] de nosso Param Gurudev, com a oração de que algum dia nós possamos ser capazes de apreciar o que ele representou.

Quando Gurudev foi pela primeira vez a Mauritius, ele foi à comunidade de devotos que vivia perto da segunda maior montanha daquela ilha, uma montanha com picos muito agudos, pedras gigantescas, uma aparência muito distinta, e quando Gurudev foi para seu aposento, ali ele teve uma visão muito feliz daquela montanha. E eles disseram a ele: “Você viu essa montanha?” E Gurudev disse: “Sim, Guru Maharaj já está aqui olhando todos, e eu vim aqui para oferecer meu respeito a ele. Essa bela montanha é Guru Maharaj.”

Guru Maharaj deu uma alegoria sobre o Monte Everest. Quando introduzimos a consciência de Krishna, dizemos às pessoas: “Cante o Nome de Krishna, se torne um devoto de Krishna, aspire alcançar Krishna” assim como vemos à distancia toda a extensão dos Himalayas, e o destaque para o Monte Everest, o maior pico. Mas se você começar a escalar os Himalayas quando chega lá em cima, você vai vendo muitos outros picos em volta, e aí Guru Maharaj diz: “Naquele lugar você começa a olhar em volta e pode encontrar um abrigo por ali, em alguma caverna. Nós na verdade nunca servimos Krishna, mas nossa meta mais alta é sermos assistentes dos associados Dele, no serviço deles a Krishna, e sob o refúgio e liderança deles nos ocupamos em serviço.” Ele compara a consciência de Krishna a encontrar abrigo em alguma caverna particular, em algum pico particular, perto do pico do Monte Everest. Então podemos dizer: “Vir ao abrigo de Srila Guru Maharaj, conseguir algum lugar nessa caverna, essa é nossa grande esperança e felicidade.”

Uma vez, em uma reunião familiar como esta, Srila Gurudev disse diretamente: “Todos que se iniciaram comigo já estão liberados. Por que? Vocês não sabem! Mas eu sei! Vocês não podem sentir isso, mas eu posso. Há uma razão, que é o afeto de meu Guru. O relacionamento entre um avô e um neto é muito doce. Então sabendo sobre o grande afeto que ele tem por seus netos, não tenho dúvida da benção espiritual de vocês.” E ao escutar isso todos ficaram boquiabertos.

Então Gurudev fez uma pausa, esperou um pouco, e disse: “Mas, eu sei que no momento todos vocês estão ocupados com alguma tolice, por isso não posso dizer quando a liberação virá a vocês. Mas em última instância eu vejo que é tudo como brincadeira de criança. Tudo será perdoado sob o afeto do nosso avô guardião.”

Pessoas ordinárias deste mundo, por causa de suas identificações corporais podem se tornar tão fanáticas sobre as raças, sobre as famílias, dinastias, e todas estas coisas. Se elas estão prontas para lutar e cometer violência para expandir seus grupos, suas linhagens, então quando temos tal herança espiritual, tal linha espiritual com tal dignidade infinitamente maior e bela, onde está nosso entusiasmo, onde está nosso zelo para declarar a glórias de nosso Guru-varga? Por que deveríamos nos curvar a todos esses equívocos sobre nação, raça, de identificações materiais? Nós somos a família de nosso Gurudev, de nosso Guru Maharaj. Esse é o nosso orgulho, nossa alegria. E por isso queremos ganhar recursos, alistar pessoas, e ter grande prazer em cantar a glória deles. Em nossa posição social atual, em nossa comunidade atual, em nosso destino superior, temos uma sempre fresca, nunca depreciante fonte de inspiração, sabedoria e felicidade.

Hoje é o dia de desaparecimento de Srila Bhakti Raksak Sridhar Dev-Goswami Maharaj, o que na cultura Vaisnava é conhecido como Viraha Mahotsav. E como Srila Gurudev geralmente dizia neste dia em referência a Srila Haridas Thakur, haridāsa āchila pṛthivīra ‘śiromaṇi’(Cc. Antya 11.97): Haridas era a joia deste mundo. Tāhā vinā ratna-śūnyā ha-ila medinī: mas agora sem ele, o mundo perdeu sua joia valiosa.

Devemos ressentir alguma perda de não ter aquela fonte fluente e fresca de seus grandes ensinamentos neste mundo. Mesmo assim, na falta disso, quando temos a oportunidade de intensamente nos lembrarmos dessas coisas, podemos sentir uma grande fonte  de felicidade. Esse processo é um teste necessário no caminho espiritual. Qual tipo de teste devemos passar? Guru-mukha-padma-vākya chitete kariyā aikya āra nā kariha mane āśā, o que foi expresso pela boca de lótus de Gurudev, quero fazer meu coração uno com isso. E não tenho nenhum outro interesse ou aspiração. E é nessa situação que somos testados a respeito deste desejo.

Se essa palavra foi preservada e nos foi estendida, se isso é o guia de nossa vida ou não, se nós estamos confundidos pela sempre nova propaganda da sociedade materialista na qual vivemos, ou distraídos por algum outro tipo de assim chamado ‘ideal espiritual’, esse Festival é uma ocasião para nos reconectarmos à fonte novamente, novamente escutar, novamente nos banharmos nessa mais purificante representação de Guru e Gauranga que tão graciosamente foi preservada e estendida a nós pela geração de Ashram Maharaj, e tantos outros que vieram ao Math nos anos 80, e gravaram e distribuíram o que Srila Sridhar Maharaj deu para o mundo.

E eu também escutei de Devashis Prabhu sobre quando ele disse a Gurudev: “Eu acho que teria sido tão maravilhoso se eu tivesse vivido com você e com Srila Guru Maharaj no Math, há muitos anos atrás. Eu queria ter nascido antes!” E Gurudev riu e disse: “Não! Guru Maharaj era muito estrito, ninguém conseguia ficar na época dele.” E foi pelo humor sem paralelo de rendição de Srila Govinda Maharaj, que pôde satisfazer aquele padrão, e sua grande compaixão e natureza paciente, que ele fez possível a graça de Guru Maharaj ser estendida para todo o mundo. Primeiro por tantos anos na Índia, depois com os devotos ocidentais que foram bater à porta de Guru Maharaj.

E eu penso: “O que pode ser melhor do que isso? Nós temos a representação mais polida, mais refinada, do ideal mais elevado em Srila Sridhar Maharaj, e temos o humor mais compassivo, mais liberal em Srila Govinda Maharaj. Esse é um arranjo extraordinário feito por Mahaprabhu e Nityananda Prabhu.” Como Prabhodananda Saraswati disse: 

prasārita-mahā-prema-pīyūṣa-rasa-sāgare
chaitanya-chandre prakaṭe yo dīno dīna eva saḥ
(Chaitanya Chandramrta, 36; Prapanna-jivanamrta 8.22) 

“Agora Mahaprabhu veio, e espalhou o néctar de Seu amor, de Sua graça, por todos os lados. Qualquer um que não consiga isso, ele realmente é o mais indigente.”

A expressão mais magnânima foi expressa, e sentimos assim. Essa combinação de Gurudeva e Guru Maharaj é a mais misericordiosa. E como Gurudev sempre dizia: “Agora temos que utilizar nossa fortuna.” Sob a liderança daqueles que ele apontou para esse propósito como você (Ashram Maharaj), na companhia de todos que participam nesse templo. Assim estamos felizes na companhia de todos vocês. Jay Srila Bhakti Raksak Sridhar Dev-Goswami Maharajer Tirobhav Mahotsav ki jay! Gaura Bhakta-vrinda ki Kay! Hari-nam-sankirtan ki Jay!

* Sri Guru Prasasti, versos 6 e 7: composto por Srila Govinda Maharaj no 61˚aparecimento de Srila Sridhar Maharaj

*Vibudha-kula-varenyam: Verso de um dos Pranam Mantras compostos por Srila Govinda Maharaj em homenagem a Srila Sridhar Maharaj

Transcrito de: https://www.youtube.com/watch?v=V7Ko1s_IrAc&t=630s

Foto: https://indianexpress.com